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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vicente Alencar, a liderança que se afastou


Temos relatado aqui registros de fatos políticos marcantes, verificados durante a Ditadura Militar de 1964/85, dos quais um grupo de anapolinos, sempre com o respaldo da esmagadora maioria da população, não cedeu ao arbítrio. Pela censura imposta à imprensa e a violência dos governantes da época, mesmo com a relevância da questão, foram pouco divulgados e conhecidos das gerações mais novas.

Relatamos que com o “pacote de abril” de 1977, editado pelo general Ernesto Geisel depois de fechar o Congresso Nacional, eliminou-se a eleição direta para governo de Estado, cassou-se o mandato do deputado Alencar Furtado, líder do MDB na Câmara Federal e transformou uma das duas vagas para o Senado, nas eleições de 1978, em nomeação por parte do partido que tivesse maioria na Assembleia Legislativa do seu Estado. Em Goiás, a maioria era da Arena. O senador Benedito Ferreira, o “Dito Boa Sorte”, representante de Araguaína, foi indicado senador biônico. Restou, apenas, uma vaga para ser preenchida pelo voto direto, voto do eleitor. Cada partido poderia lançar até três sublegendas. No MDB havia duas correntes: a moderada, liderada pelo deputado federal Juarez Bernardes e a autêntica, liderada pelo deputado estadual Henrique Santillo. Eliminada a eleição de Governador pelo voto direto, Juarez Bernardes foi lançado pelos seus companheiros, candidato ao Senado. Já pelos autênticos, como Fernando Cunha Júnior, que seria candidato a uma das vagas ao Senado e, não desistiu do seu projeto, inibiu a luta do grupo, para que Henrique Santillo, que seria o candidato ao Governo, fosse indicado para disputar a cadeira pela sublegenda. Vicente de Paula Alencar, Presidente do Diretório Municipal do MDB em Anápolis, santilista da primeira hora, insatisfeito com a decisão de Fernando Cunha Júnior, lançou-se, também, candidato a senador.

Conversei com Vicente para que não insistisse com a candidatura, pois era nosso desejo apoiá-lo candidato a deputado estadual. Seria, sem nenhuma dúvida, um dos mais votados para a Assembleia Legislativa. Em resposta disse-me que sua atitude era tática para forçar a desistência do Fernando Cunha Júnior:

- Afastada a pretensão do Fernando, me afasto também!

Como era a novidade da campanha daquele ano, Vicente Alencar, destemido e muito inteligente, bem relacionado com jornalistas políticos de Goiás, teve muita divulgação pela imprensa. Quase que diariamente o jornalista Reynaldo Rocha, que escrevia a coluna política mais lida da imprensa goiana, no jornal O POPULAR, trazia alguma coisa alusiva à sua candidatura ao Senado. Essa posição do presidente do MDB de Anápolis, só serviu para causar mais preocupação aos autênticos, que não abriam mão da candidatura Henrique Santillo. Nesse quadro confuso, de indefinição total, o deputado Fernando Cunha Júnior, refluiu anunciando sua candidatura, mais uma vez, a deputado federal.

O advogado Vicente Alencar, nosso defensor na maioria dos processos que respondemos e que vencemos todos na Justiça, tomando gosto pela pré-candidatura, dizendo já ter avançado muito, decidiu continuar batalhando para ser escolhido senador pelos autênticos na convenção do MDB. De nada valeram nossos apelos para que ele desistisse da pretensão e apoiasse a candidatura de Henrique Santillo. Não queria uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Afastou-se do nosso meio e radicalizou, ainda mais, o seu discurso:

- “Irei a todas as cidades levando minha proposta inovadora e democrática. Levarei comigo, apenas, um tamborete, o instalarei em calçadas e darei o recado...” (Continua)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Vicente Alencar se lança candidato ao Senado


Estamos registrando aqui fatos históricos marcantes de um grupo político de Anápolis, no combate à ditadura de 1964. Consolidado e assimilado o “pacote de abril” de 1977 por todos nós do MDB, aceitamos as novas regras impostas pela ditadura. Sabíamos que o regime estava dando seus últimos suspiros. Foram drásticas as alterações constitucionais, mas como tínhamos um objetivo a alcançar, nos reorganizamos dentro das novas regras.

Em Goiás tínhamos dois grupos de emedebistas bem distintos. O deputado federal Juarez Bernardes liderava os moderados. Henrique Santillo era o líder dos autênticos. Antes do “pacote de abril” Juarez e Henrique percorriam os municípios goianos em busca de apoio ao projeto que tinham de chegar ao Governo nas eleições de 1978. A princípio, compareciam juntos aos encontros regionais. Posteriormente, cada um fazia sua própria programação. Pelas regras existentes, Juarez e Henrique seriam candidatos em sublegenda ao Governo Estadual. Cada partido - MDB e Arena - podia lançar até três sublegendas. O grupo moderado, liderado por Juarez, não havia lançado ninguém como pré-candidato ao Senado. Seriam disputadas duas vagas. Benedito Ferreira - Dito Boa Sorte - e Osíres Teixeira estavam terminando o mandato no final de 78. Suas cadeiras estavam em disputa. Já, o grupo autêntico, comandado por Henrique Santillo, apresentava com grande antecedência o deputado federal Fernando Cunha Júnior e o deputado estadual Derval de Paiva, como pré-candidatos às duas vagas para o Senado.

As alterações provocadas pelo “pacote de abril” desestruturaram, por completo, as pretensões, principalmente do grupo autêntico. Tão logo as modificações aconteceram, Juarez Bernardes foi lançado pelos moderados como candidato ao Senado. Ele concorria sozinho; não houve maiores dificuldades para essa decisão. Já Henrique Santillo trabalhava com Fernando Cunha Junior e Derval de Paiva, pretendentes às vagas no Senado que deveriam decidir quem disputaria, pois uma das duas cadeiras seria preenchida pelo senador “biônico”, o senador sem voto popular criado pela engenharia adotada pela ditadura no “pacote de abril.”

Derval de Paiva, tão logo as regras se alteraram, anunciou sua desistência, afirmando que pleitearia, mais uma vez, a vaga na Assembleia Legislativa. Fernando Cunha Júnior anunciou que continuaria pleiteando a vaga ao Senado. Com esse quadro, Henrique Santillo, confirmou seu apoio à pretensão de Fernando. Mesmo com as bases emedebistas exigindo a candidatura de Santillo ao Senado, ele fazia reiterados pronunciamentos aos companheiros e à imprensa dizendo que apoiaria Fernando Cunha Júnior.

O tempo ia passando e a pressão das bases do MDB crescia dia a dia. Fernando não dava, em momento algum, sinal de que refluiria do seu projeto. Henrique reafirmava seu compromisso com o companheiro.

Diante desse impasse, onde o movimento dos companheiros de todo o Estado crescia em favor da mudança de candidatos e a posição inflexível de Fernando, o presidente do Diretório do MDB de Anápolis, Vicente de Paula Alencar, lançou-se candidato a disputar a vaga na convenção do Partido. Agora não havia só um problema, mas, sim, dois. Vicente era um dos mais leais companheiros que tínhamos. Nosso advogado em todos os processos que enfrentamos, com exceção do primeiro quando Henrique Santillo não foi diplomado pelo Juiz Eleitoral de Anápolis, acusado de ser comunista. Naquele processo o advogado foi Rômulo Gonçalves. Nos demais, Vicente Alencar atuou em todos. Muitas vezes ao lado do seu pai, Alexandre. Vinha de Belo Horizonte ficando muitos dias cuidando da nossa defesa. Essa dupla venceu todas as batalhas jurídicas que enfrentou.

Para mim, Vicente Alencar revelou que estava apenas usando tática para afastar Fernando Cunha Júnior. Ele se afastando refluiria da sua candidatura... (Continua)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Anápolis, orgulho de todos nós!

Desde o instante em que a mula que fazia parte da tropa comandada por dona Ana empacou, se negando terminantemente a prosseguir viagem, sem que antes se descobrisse que na bruaca que portava estava uma imagem de Santana, sinalizando pela atitude do animal, que ali deveria ser erguida uma capela em louvor à santa, iniciou-se a história de Anápolis, a mais importante cidade do interior goiano e uma das mais pujantes do Brasil.

Anápolis foi emancipada em 3l de julho de 1907. Desmembrada de Pirenópolis, nasceu com enorme área territorial formada por terra de cultura e cerrado. Graças ao fácil manejo da terra e privilegiada localização geográfica, o município tornou-se rapidamente em um importante celeiro agrícola-pecuário. No início, com plantio de arroz, feijão e milho, lavouras sazonais, aliado a lavouras permanentes de café e banana, além de magnífica bacia leiteira. Por longo tempo, a principal atividade econômica municipal saía do setor rural. Fortíssimo, ao mesmo tempo, foi sua indústria ceramista.

Aos poucos, principalmente com a chegada da rede férrea à cidade, em 1935, se transformou no principal polo comercial da região central do País. Os principais cerealistas do Estado montaram seus armazéns de compra e venda de cereais em Anápolis. Utilizavam intensamente o mais eficiente sistema de transporte que existia no Brasil. Isso amenizou esvaziamento territorial que enfrentou, com o surgimento de novos municípios saídos do seu território, como Nerópolis, Brazabrantes, Nova Veneza, Damolândia, Ouro Verde, Goianápolis-Teresópolis e, mais recentemente, Campo Limpo de Goiás. De toda área territorial da época da emancipação política, Anápolis conta hoje com menos de um mil quilômetros quadrados.

De maior entreposto de cereais do Centro-Oeste, Anápolis viu essa sua liderança comprometida a partir do instante em que o governo federal entrou na compra de cereais, pela Conab, Cobal e outros órgãos criados pelo governo federal, no controle de estoque para a regulamentação do mercado interno. Os comerciantes, na compra, venda e beneficiamento de produtos agrícolas, se transformaram em grandes atacadistas de produtos alimentícios industrializados.

O prefeito Raul Balduino de Souza, na década de 60, sentindo que havia entre habitantes municipais vocação à atividade industrial, realizou a 1ª Feira Industrial de Anápolis, em 1968. Ao substituí-lo na prefeitura, Henrique Santillo decretou como área de utilidade pública, a fim de desapropriação futura, para instalar distrito industrial do município, local onde se encontra o Daia. Área foi desapropriada no início dos anos 70, pelo governador Leonino Caiado. Foi da autoria de Leonino a Lei nº 7.700, concedendo incentivo fiscal ao setor industrial no Estado. Primeira indústria do Daia, dentro dos benefícios da Lei 7.700, a empresa catarinense Cecrisa. Irapuan Costa Jr. construiu no  Daia a mais importante estrutura dos distritos industriais do Centro-Oeste. Iris Rezende Machado, com a Lei do Fomentar, e Marconi Perillo, com o Produzir, o consolidaram como maior polo industrial goiano. Além do seu poderoso parque industrial, o Daia conta com o Porto Seco do Centro-Oeste. Estrutura-se para abrigar a Plataforma Multimodal. Anápolis, como marco zero da Rodovia Belém-Brasília, promoveu a integração nacional e consolidou a união do povo brasileiro, reforça  essas conquistas quando também será o marco zero da Ferrovia Norte-Sul. Via férrea de integração e união nacional.

Na década de 70, Anápolis recebeu a Base Aérea dos Mirage. Utilizada pela Aeronáutica para a Defesa do Espaço Aéreo Brasileiro. Serviços  ampliados para a Vigilância de toda região Amazônia.

Dois grandes desafios enfrentados por Anápolis aconteceram com Pedro Ludovico ao construir Goiânia, na década de 30, e construção de Brasília, na década de 50, por Juscelino Kubitschek. Homens e materiais de construção para a consolidação dessas duas grandes capitais saíram de Anápolis. Quando muitos profetizavam negativamente que com isso ela se tornaria “cidade-dormitório”, superou-se  desenvolvendo muito mais.

Ao lado dos governadores Iris Rezende Machado e Henrique Santillo, dotamos Anápolis de toda infraestrutura para transformá-la no importante centro educacional que hoje representa. Ainda com Henrique Santillo, dotamos a cidade do moderno e eficiente serviço de esgoto sanitário.

Na política, o município se destacou como a mais importante trincheira dos defensores das liberdades democráticas em Goiás e numa das mais importantes do Brasil, na resistência à ditadura de março de 1964. Os vice-governadores Jonas Duarte e Onofre Quinan, que assumiram o governo; Ursulino Leão, vice de Leonino Caiado; e o governador Henrique Santillo moravam e tinham o domicílio eleitoral em Anápolis. Dezenas de deputados federais e estaduais representaram o município. Senadores e até Henrique Santillo, ministro da Saúde, no governo Itamar Franco, representaram Goiás, a partir de Anápolis.

Anápolis é uma cidade acolhedora. Não se tem notícia de qualquer ato de racismo ou preconceito  contra quem quer que seja. Integrantes de inúmeras nacionalidades, migrantes de todas as regiões do País, nela residem e trabalham, devidamente integrados com os que nela nasceram. É a verdadeira união nacional. União que tem dado certo e produzido frutos importantes para seu desenvolvimento e consolidação.

Parabéns, Anápolis, pelos seus 105 anos de emancipação política.

Salve o bravo povo anapolino!

(Diário da Manhã - 02/08/2012)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quanto Mais Velho, Melhor Amigo


A Escola de Governo Henrique Santillo modernizada e instalada, no Jardim América pela Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento, é além de resgate de compromisso de campanha eleitoral do governador Marconi Perillo ao funcionalismo público, modernização que ele oferece ao servidor estadual. Métodos de preparo técnico, intelectual e profissional aos que queiram crescer pelo conhecimento. 

Nesse mundo globalizado, a rapidez que novas informações surgem, muitas delas profundamente modificadoras doutras até então predominantes, o conhecimento é instrumento fundamental para realização de qualquer tarefa, por mais simples que seja. É pelo conhecimento que o servidor agiliza sua missão com presteza e segurança. A Escola do Governo Henrique Santillo possui esse objetivo. Cursos permanentes de aperfeiçoamento oferecidos ao servidor para atendimento à comunidade com eficiência e qualidade.

Com o resgate de mais um dos seus compromissos de campanha, instrumentalizando o Estado, para melhor qualificar o funcionalismo público, Marconi não só se aproxima ainda mais da comunidade, como atesta publicamente que para o sucesso da sua administração necessita do servidor motivado e bem preparado. Grande trunfo da sua administração, para a popularidade que desfruta junto aos goianos, que já lhe rendeu, dentre outras conquistas, três mandatos de governador, tem sido seu respeito e ótimo relacionamento com o servidor público. Com o funcionalismo motivado, melhor preparado, prestando serviço de excelência à comunidade, seu governo ganha mais destaque e apoio da sociedade por inteiro. Essa é a melhor maneira de governar:

Prestigiar os subordinados, dividir o poder e compartilhar as conquistas da administração com toda sua equipe de trabalho. Estamos num momento em que a democracia interna, a participação solidária de todo grupo, são pressupostos indispensáveis para servir à população. Servir o contribuinte. Essa forma prática, simpática de governar, tem dado a Marconi Perillo a sustentação para enfrentar com sabedoria e altivez os desafios previsíveis e extra pauta que tem experimentado ultimamente.

Nós da família Santillo, mais uma vez ressaltamos e voltamos a agradecer ao governador Perillo pelas homenagens que tem nos prestado na figura do nosso saudoso e inesquecível Henrique Santillo. Marconi Perillo permanentemente ressalta, em qualquer ambiente em que se encontre, sua ligação política e de amizade com Henrique. Desde a passagem de Marconi pela juventude do MDB e PMDB! Foram militantes do mesmo grupo autêntico.

Nas eleições de 1986, em que Henrique Santillo se elegeu governador, o assessorou durante toda a campanha. Já havia sido um dos responsáveis pela fiscalização na eleição de 1985, quando me elegi prefeito de Anápolis, após a cidade deixar a condição de Município de Segurança Nacional.

Essa fidelidade de Marconi Perillo a Henrique Santillo chama mais atenção, quando sabemos que na atividade política, são raros os casos de tamanho respeito da criatura ao seu criador. O normal, o comum, é alguém ser ajudado ou carregado por determinado líder político e depois descartar, se afastar e principalmente trair o que lhe deu apoio e estendeu-lhe a mão. Com Marconi, quanto mais o tempo passa, quanto mais se consolida como administrador, aumentando sua liderança, mais se mostra fiel e admirador do seu conselheiro e protetor político.

Traquejado com essas escorregadelas de pessoas oportunistas e pragmáticas, Ulysses Guimarães dizia da forma mais natural que “o dia do benefício é a véspera da ingratidão.” 

É justamente pelo depoimento de um líder experiente como foi o condutor das oposições durante a ditadura militar de 1964, que respeito cada vez mais a fidelidade de Marconi Perillo ao seu líder e incentivador político Henrique Santillo.

Essas constantes referências e homenagens ao nosso saudoso irmão, nos fazem admirar e respeitar cada vez mais o governador, pois sabemos que essas manifestações de apreço e consideração, não são muito comuns na vida política. È a criatura por mais que se fortaleça e se destaque nacionalmente, não se esquecendo do seu criador.

Ao governador Marconi, mais uma vez, nosso sincero agradecimento.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dez anos sem Santillo, por Waldemar Curcino de Morais Filho


Faz dez anos que Santillo se foi. Tinha 62 anos. Sem exagero, creio que só estamos aqui graças a ele. Fosse outro o governador no episódio do Césio 137, sabe-se lá onde teríamos ido parar.

Henrique Antônio Santillo. Henrique com “h” de honestidade, honra, hombridade, humildade, humanismo. Antônio com “a” de austeridade, amizade, amor, afeto. Santillo com “s” de seriedade, sabedoria, serenidade, solidariedade. Grande homem.

Paulista de Ribeirão Preto, para Anápolis veio ainda criança. Cresceu com a cidade e a amou como berço natal. Estudou em escolas públicas do primário à universidade, de onde saiu médico formado, pediatra, doutor das crianças, principalmente das mais pobres, os anjos da periferia.

Não foi fácil chegar lá. Deu aulas em cursinhos em Belo Horizonte, enquanto cursava medicina. Desonerou o bolso do pai, que assim pôde cuidar dos demais filhos. Santillo nunca foi problema, só solução. Nunca foi tristeza, só. Alegrias. Probo, íntegro, reto, honesto.

Aprendeu e ensinou que a vida não é sorte, é luta e conquista. Que não devemos esperar pelo cavalo passar areado e, sim, campeá-lo e laçá-lo, selá-lo e montá-lo, num esforço próprio, resultado da autodeterminação. Ensinou que cada dia é um cavalo a ser pego, selado e montado. O prazer estava em consegui-lo.

Santillo, o doutor das crianças. Por causa delas, ao vê-las no sofrimento em meio à pobreza e desatenção, ingressou na política partidária, fazendo despertar lá dentro a chama da política estudantil mantida perene, acesa, pronta para a luta. Foi vereador, prefeito de Anápolis, deputado, senador, governador, ministro de Estado. Era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, quando se despediu de nós. Ele dignificou todas essas funções.

Eu o admirei por tudo o que era. Rico sem dinheiro, sua riqueza era o caráter e a sua honra o patrimônio. Nunca se submeteu a coisas materiais. Via o poder como algo efêmero, finito num abrir e fechar de olhos. Construímos uma amizade sólida e respeito mútuo. Além de amigo, eu me tornei seu genro. D. Sônia lhe deu Soninha, que a criou com base nos valores herdados do pai – honradez, humildade, honestidade, firmeza de caráter, sobriedade, solidariedade. Orgulho-me dizer isso.

Riqueza e poder não lhes interessavam. A ele bastava o pedaço de chão e a casa onde morava. “Muito menos que isso eu vou precisar quando morrer” – dizia ele.

Convivi com ele 22 anos, como genro e secretário particular. O pai amoroso e marido afetuoso eram o mesmo que, audaz, botou o dedo no nariz da ditadura para pedir democracia e respeito aos direitos humanos. Não temeu os anos de chumbo.

Teve poder, mas nunca o usou em benefício pessoal ou dos seus. Nunca fez da coisa pública instrumento particular. Dele jamais se ouviu falar que usou a caneta poderosa ou terceiros em prejuízo de alguém. Não foi com gritos ou força que demonstrou honestidade. Será leviano aquele que disser que Santillo usou a máquina pública para promoção pessoal, Nunca precisou de advogados e seguranças, nunca teve problemas de ordem moral, legal, administrativa. Santillo era um homem limpo e dele aprenderam virtudes todos os que assim quiseram.

Eu precisaria do jornal inteiro para discorrer sobre este grande homem, este maiúsculo brasileiro. Ele mesmo pediria a mim parcimônia. Até o ouço dizendo, sorrindo: “Elogio seu não vale, você é suspeito, Waldemar”. Eu e Soninha lhe demos netos por ele adorados. Abençoados, também e principalmente.

Neste junho, quando se fecha uma década da sua partida, nós nos reunimos para agradecer a Deus o rico legado que tanto nos orgulha e do qual não abrimos mão: honradez, decência, dignidade, respeito e tudo o mais que enobrece o homem.

Obrigado, amigo Santillo. O mundo sente falta de gente decente como você.


Waldemar Curcino de Morais Filho
Ex-Secretário Particular de Henrique Santillo
http://sebastiansp.blogspot.com/2012/06/henrique-santillo.html

quarta-feira, 20 de junho de 2012

As constantes nomeações de governadores


Nós, do Movimento Democrático Brasileiro - MDB havíamos preparado Íris Rezende Machado para ser o candidato a governador pelo partido, em 1970. Como prefeito de Goiânia, foi cassado em 1968, por força do Ato Institucional nº 5. Em seguida, pelo mesmo AI-5, as eleições para o Governo Estadual foram suspensas. Foi escolhido para governar Goiás, Leonino Caiado, em substituição a Otávio Lage de Siqueira.

Com o afastamento de Íris Rezende, que teve, também, seus direitos políticos suspensos por 10 anos, surgiu como a grande liderança das oposições em Goiás, Henrique Santillo. Eleito prefeito de Anápolis, enfrentando, com destemor, os representantes da ditadura em Goiás e não cedendo às violências e truculências que praticavam, usando forças da repressão, o médico Henrique Santillo que já como vereador, mostrara sua coragem e disposição à luta, automaticamente se transformou na maior liderança do MDB estadual.

O regime ditatorial, que já havia apelado para a nomeação de governadores estaduais em 1970, repetiu a dose em relação às eleições de 1974. Henrique Santillo que preparara sua candidatura ao Governo do Estado em 74, decidiu disputar o mandato de deputado estadual. Assim, exerceria suas atividades como médico pediatra em Anápolis e mandato de deputado estadual. Durante os três ano em que foi prefeito, dedicou-se, exclusivamente, à Prefeitura. Não queria abandonar suas atividades como médico. Concorri a deputado federal, embora não me houvesse preparado para isso, abrindo oportunidade para que ele fosse eleito para a Assembleia Legislativa. Mesmo saindo candidato de última hora, fui o segundo mais votado da bancada emedebista. Juarez Bernardes foi o mais votado.

Irapuan Costa Júnior, primeiro prefeito nomeado de Anápolis, depois da transformação do Município em Área de Interesse da Segurança Nacional, conforme o esperado por todos, foi escolhido Governador para substituir a Leonino Caiado.

No Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, continuamos a luta pela redemocratização. A estupenda vitória alcançada pelo MDB em nível nacional, deu novo ânimo aos democratas. O MDB elegeu 16 senadores; quase 100 deputados federais, centenas de deputados estaduais e maioria na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro. Graças a essa vitória, Chagas Freitas (MDB) foi nomeado Governador do Rio de Janeiro.

Evandro Carreira que não se elegera vereador em Manaus nas eleições anteriores, em 1974 seria eleito senador. Lázaro Barbosa que perdera para deputado estadual, foi eleito senador por Goiás. Nelson Thibau, suplente de vereador, foi mais votado a deputado federal que seu companheiro Tancredo Neves, em Belo Horizonte. No Paraná a Arena lançou chapa completa e fortíssima para a Câmara Federal. O MDB não conseguiu lançar mais que 17 candidatos, sendo muitos desconhecidos do eleitorado. A Arena elegeu 16 deputados e o MDB elegeu 16 dos l7 lançados. Enquanto Álvaro Dias com mais de 200 mil votos, Antônio Belinati e Alencar Furtado tiveram mais de 100 mil votos; Osvaldo Busquei, Pedro Lauro, Expedito Zanotti e Gamaliel Galvão se elegeram pela legenda com menos de cinco mil votos. Foi uma verdadeira revolução pelo voto. Golpe violento contra a ditadura.

Exercíamos a atividade parlamentar, mas já estávamos de olho na Governadoria do Estado, para as eleições de 1978. Tínhamos a convicção de que, com a forte reação popular ocorrida nas eleições de 1974 em todo o Brasil, o sistema ditatorial havia se esgotado. Não havia ambiente para novos casuísmos. Henrique Santillo pelos autênticos, e Juarez Bernardes pelos moderados, eram as duas maiores forças políticas do MDB e do Estado, para a governadoria... (continua)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dossiê fajuto de 1971 reapareceu em 1974

Querendo nos afastar das disputas eleitorais, os arenistas, juntamente com nossos adversários dentro do MDB, contaram com a Polícia Federal em Goiás, para que fosse montado processo, dossiê criminosamente dirigido contra nós, (Henrique Santillo, Adhemar Santillo e Anapolino de Faria), sob a acusação de que máquinas da Prefeitura de Anápolis teriam trabalhado nos municípios de Ouro Verde, Petrolina e Goianápolis em troca de apoio político a Anapolino de Faria para deputado federal, e para mim, como deputado estadual.

Documento faccioso, parcial, desprovido do mínimo de seriedade. Tão escandaloso que foi montado pela Polícia Federal a pedido da Arena e de alguns adesistas do MDB de Anápolis, para que fosse usado pelos adversários de Henrique Santillo,quando prefeito, na Câmara Municipal. Não conseguiram afastar Valmir Bastos da Presidência, mesmo com toda a pressão e violência praticadas contra ele pelos órgãos governamentais de repressão. Até o Major Leopoldino, pelo Exército Brasileiro, foi usado na tentativa de afastá-lo. Não conseguiram. Diante disso a papelada elaborada pela Polícia Federal, que não teve como ser usada pelos vereadores na Câmara Municipal, ficou na gaveta do Procurador de Justiça do Estado, Bechara Daher. Foi desengavetada às vésperas da convenção do MDB em que Henrique e eu nos inscrevemos para disputar a eleição de 1974.

A primeira investida de Bechara foi através do Ministério Público em Petrolina. Encaminhou a papelada ao promotor daquela Comarca, Decil de Sá Abreu, para que oferecesse denúncia contra nós (Henrique e Adhemar). Anapolino de Faria, por não concorrer à reeleição, foi excluído do processo. A legislação eleitoral previa que em crime eleitoral, como o que queriam nos enquadrar, oferecida a denúncia pelo Ministério Público e aceita pelo Juiz Eleitoral, tornava o denunciado inelegível.

Decil de Sá não se dispôs a participar da farsa. O processo poderia ser encaminhado, ainda, para Goianápolis ou Anápolis. A comarca de Goianápolis foi descartada porque o juiz estava em licença para tratamento de saúde. Encaminhado a Anápolis, foi distribuído ao promotor Helton de Morais Sarmento, que ofereceu a denúncia. Encaminhado ao Juiz Eleitoral Clementino de Alencar Lima, pela falta de consistência das provas arroladas processo, não aceitou a denúncia. Foi para o arquivo, sem que o Ministério
Público recorresse ao Tribunal Regional Eleitoral.

Com mais uma vitória contra ações golpistas engendradas pelos nossos adversários políticos em Goiás, sempre contando com o respaldo de integrantes da repressão, registramos nossas candidaturas às eleições de 1974. Durante a campanha, principalmente após o início dos programas eleitorais pelo rádio e televisão, o crescimento da aceitação do MDB junto ao eleitorado foi surpreendente. A eleição geral para deputados estaduais e senadores daquele ano que, na visão de alguns, seria a última para o MDB, foi marcante e se transformou num avanço democrático irreversível. Mesmo com todo o casuísmo existente, que aumentou escandalosamente nos anos seguintes até a extinção da ditadura. Por falta de fôlego, foi extinta em 1985. Mas o início real da sua queda começou em 1974... (Continua)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sonho - Henrique Santillo

Eu sonho com uma sociedade solidária e justa, em que a vida possa ser vivida com dignidade por todas as pessoas, ricas ou pobres, brancas ou negras, índias ou mestiças. Uma sociedade em que ninguém seja ofendido pela cor de sua pele. Uma sociedade que se orgulhe da incalculável contribuição que recebeu do negro no trabalho, na cultura, na beleza. Uma sociedade que reconheça o quanto deve ao índio, primeiro habitante, dono desse território, e que tanto tem ainda a nos ensinar em matéria de organização política e social.

Eu sonho com uma sociedade que respeite as crianças. Elas não são o nosso futuro; elas são o nosso presente. São o fruto do nosso amor, do melhor que nós temos dentro de nós. São a nossa esperança de um mundo mais inocente, mais alegre, mais solidário, mais colorido. Eu sonho com um mundo em que nenhuma criança, nenhuma mesmo, não tenha o que comer. Em que nenhuma criança fique sem escola. Nenhuma criança deixe de brincar. Nenhuma criança sofra ou morra por falta de assistência médica. Nenhuma criança, mas nenhuma mesmo, fique sem lar e sem afeto.

Eu sonho com uma sociedade que respeite os velhos. Mais que isso: uma sociedade que tenha um lugar para eles, o mais destacado, em casa, junto aos filhos, aos netos e aos bisnetos. O mais destacado na própria sociedade, o respeito à sua experiência, ao conhecimento adquirido na luta pela vida. Sonho com uma sociedade em que nenhuma pessoa idosa fique ao desamparo, ao desabrigo, sem recursos e sem afeto.

Eu sonho com uma sociedade que respeite as mulheres. Uma sociedade onde a discrimação e a violência contra a mulher estejam abolidas de uma vez por todas, sejam consideradas um absurdo. A mulher é o sonho do homem e a sua realidade. A mulher é a amada e é a filha. É a mãe e a namorada. A avó, a vizinha, a comadre, a amiga. A mulher é a grande companheira. A mulher é a luz do mundo.

Eu sonho com uma sociedade que respeite os jovens, todos os jovens. Eles são a nossa parte melhor: o nosso idealismo, a nossa pureza, o nosso desprendimento, a nossa alegria de fazer, a nossa capacidade de acreditar.

Eu sonho com uma sociedade que respeite os homens, sejam quem forem, façam o que fizerem, pensem o que pensarem. Uma sociedade que respeite o amigo e o adversário, o sócio e o concorrente, o irmão e o desconhecido, o vizinho e o distante, o parente e o estranho, o conterrâneo e o forasteiro, o nacional e o estrangeiro. Respeite todos os homens, o seu corpo e o seu espírito. Respeite e defenda a liberdade de cada um, em todos os momentos, em todas as circunstâncias.

Eu sonho com uma sociedade que respeite a natureza, pois não há vida digna desse nome sem o convívio pacífico com a natureza. Uma sociedade que respeite o sonho humano de banhar os pés nos rios e descansar à sombra das árvores. Acordar com o canto dos pássaros e alegrar os olhos com o esplendor das flores. Despertar para a vida com o sol que nasce e entregar-se ao recolhimento enquanto o sol se põe. E dormir em paz, enquanto a lua sobe no horizonte.

Eu sonho com uma sociedade em que vale a pena ser honesto e íntegro, digno e coerente. E sonhador, com a beleza de Goiás e o privilégio de viver aqui. Sonho com esse cerrado sem fim, com esse horizonte que não acaba, a não ser para revelar e esconder o sol. Sonho com essa pastagem infinita, só povoada pelo boi e pelo vaqueiro solitário. Sonho com o Araguaia e o Tocantins, suas águas e suas praias, seus barqueiros e seus pescadores. Sonho com os arrozais imensos do sul e com a pradaria de soja do sudoeste. Sonho com o norte orgulhoso, e o nordeste rude e cheio de mistérios. Sonho com os garimpos e com a história da Vila Boa. E sonho com Goiânia, a Goiânia construída por tantas mãos anônimas, vindas de tantos lugares, para erguer aqui seu sonho de felicidade.

Eu sonho com todos o goianos anônimos que constroem este estado com a força dos seus braços, o suor de seus rostos, a força de suas ideias, o vigor da sua fé.

Eu sonho com um Goiás em que ninguém seja negado o direito ao trabalho, o direito de construir o seu próprio sonho. Um Goiás que se modernize e dê vida a esse sonho de cada um, mas sem perder o seu jeito de ser, bem goiano. Um Goiás absolutamente novo e, no entanto, fiel à suas tradições. Um Goiás moderno, assentado no que há de mais nobre e belo em nosso passado. Um Goiás justo para todas as pessoas, como sonharam os nossos antepassados, e como nós lutamos até agora para implantar.

É esse o meu sonho. O sonho que quero compartilhar com todos os goianos. E agradeço, agradeço comovido, o privilégio que vocês me deram de durante esse tempo todo conviver com vocês. Muito obrigado.

sábado, 28 de abril de 2012

Henrique Santillo descredenciado do INPS

Registramos no post passado que os governistas, integrantes da Aliança Renovadora Nacional (Arena), vasculharam os arquivos da Prefeitura Municipal com o intuito de encontrar alguma coisa fora do normal que pudesse incriminar o ex-prefeito Henrique Santillo. Acharam, na Procuradoria Municipal, minuta de um decreto de isenção de impostos municipais à Panificadora Bom Jesus, pertencente a amigos do, então, prefeito. Como se tratava, apenas, de minuta, o deputado Elcival Caiado ficou desconsertado na Assembleia Legislativa, ao falar da isenção, com base na minuta. Mesmo que tivesse sido assinada, não seria ilegal, porque havia uma lei municipal que garantia o benefício. Henrique Santillo só não concedeu a isenção porque os empresários eram do seu relacionamento pessoal e político.

Fracassada essa manobra, os arenistas partiram para outros expedientes. Ao passar o comando da Prefeitura de Anápolis para seu sucessor, José Batista Júnior (MDB), o médico Henrique Santillo, voltou a atender no Hospital Santa Paula, onde era um dos seus proprietários. Pediatra, humanitário, estudioso e competente, imediatamente viu seu consultório frequentado por centenas de pais levando os filhos aos seus cuidados.

O Ministério da Previdência e Assistência Social, através do INPS, havia implantado, em Anápolis, um Plano Piloto, que deveria ser estendido à saúde pelo Instituto, para todo o Brasil. O plano estabelecia o número máximo de atendimento mensal por cada médico credenciado. O que passasse do número máximo de consultas era, automaticamente, glosado pelo INPS. O instituto só pagava até o teto permitido. O que passava o médico não recebia.

A maioria dos médicos trabalhava nos 10 primeiros dias do mês, completava sua cota e só voltava a atender pelo instituto de previdência no mês seguinte. Henrique Santillo, independentemente de receber, ou não, atendia todas as crianças que chegavam ao seu consultório. Recebia do INPS apenas o fixado como cota pelo Ministério da Previdência e Assistência Social.

Com esse diferencial de atendimento, os casos de internação por ele encaminhados eram maiores que os demais pediatras credenciados pelo INPS, em Anápolis. É lógico: se outros médicos atendiam a 100 crianças por mês, e, Henrique Santillo 300, sempre haveria diferença no número de crianças necessitadas de internação. O INPS era dirigido por indicados da Arena, nossos adversários políticos. Denunciaram que Henrique estava internando mais crianças do que o necessário. Faziam comparação com os demais pediatras. Não procuraram saber o porquê daquela diferença. Foi descredenciado pelo Ministério da Previdência.

Foram momentos difíceis. Não podia deixar de atender à população, mas precisava tirar dali, o sustento da família. Como o INPS pagava dois cruzeiros por cada consulta, passou a cobrar de quem tinha condição de pagar, os dois cruzeiros. A maioria, como fazia no atendimento pelo instituto, não pagava nada.

O Sindicato dos Médicos de Anápolis, a Associação Médica e seus colegas foram em caravana a Brasília, protestar contra o seu descredenciamento. Esclarecida a questão, a diretoria do INPS se redimiu, e o Ministério da Previdência o recredenciou.

Foi mais uma tentativa frustrada dos arenistas goianos para enquadrá-lo politicamente ou forçar sua mudança de Anápolis, de preferência para outro Estado... (Continua).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Os adversários continuaram em pânico!

Com a cassação de José Batista (em agosto de 1973), alguns integrantes do MDB de Anápolis foram aliciados pela Arena. Queriam, porque queriam, levar o partido a apoiar a nova administração municipal, chefiada por Irapuan Costa Júnior. Marcamos reunião do diretório para eleger nova Executiva. Pressão implacável sobre os companheiros. Gente humilde, desempregada, recebeu oferta de empregos. Ninguém se rendeu às ofertas. Aquela mesma turma que se unira a Arena tentando a cassação de Henrique Santillo e que apoiou Euripedes Junqueira, contra José Batista Júnior, queria agora acabar com a oposição em Anápolis.Os companheiros, mesmo pressionados de todo tipo, ficaram ao nosso lado afastando os adesistas.

Nós do MDB de Anápolis que fazíamos oposição incansável aos governos do Estado e Federal, passamos da mesma forma a ser oposição em Anápolis. No programa “O Povo Falou, Tá Falado”, pela Rádio Santana, levávamos diariamente a palavra de ordem do partido.

Os adversários não se conformavam com nossa disposição de luta. Notaram que não cederíamos às pressões e truculência. Buscaram nos intimidar por outros meios. A primeira investida foi a de realizar devassa nos documentos da prefeitura. Julgavam que encontrariam irregularidades na administração de Henrique Santillo.

Já naquela época, 1970, Henrique acreditava no desenvolvimento do Município através da industrialização. Criou a lei municipal de incentivo fiscal às empresas novas que se instalassem em Anápolis. Essas empresas ficariam isentas do pagamento dos impostos municipais por um período de 5 (cinco) anos.

Empresários anapolinos montaram nesse período, a Panificadora Bom Jesus. Por se enquadrar ás exigências e benefícios da lei, requereram à prefeitura a isenção de pagamento dos impostos municipais por cinco anos. O grupo era formado por pessoas ligadas políticamente a Henrique Santillo. O prefeito encaminhou a solicitação à Procuradoria municipal para oferecer parecer jurídico. Seu parecer foi favorável à concessão da isenção.Foi elaborada a minuta do decreto de isenção e anexada ao requerimento.

Com base nessa devassa promovida em toda documentação da administração de Henrique Santillo, a única coisa que encontraram foi essa solicitação de isenção de pagamento de impostos municipais feita pela Panificadora Bom Jesus.

Eu era deputado estadual. Numa sessão da Assembléia, quando discursava criticando o governador Leonino Caiado, fui aparteado pelo deputado Elcival Caiado. Além de primo do governador representava a Arena de Anápolis. Levantou a questão do benefício fiscal que Henrique Santillo fizera aos seus amigos da panificadora em Anápolis:

- “Vossa excelência está aí criticando o governador, mas se esquece que o seu irmão Henrique Santillo, isentou de pagamento de impostos em Anápolis, um grupo de amigos.”

- “ Não é verdade, deputado”, respondi.

Elcival foi até seu gabinete, e voltou com papel timbrado com o brasão da prefeitura de Anápolis. Leu o inteiro teor do Decreto com o nome do prefeito Henrique Santillo.

Assim que fez a leitura, para um plenário em silêncio, lhe respondi:

- “Esse documento não está assinado por Henrique Santillo!” Repeti por várias vezes que o documento não estava assinado.

Elcival Caiado reconheceu que não havia assinatura do prefeito. Tratava-se da minuta de decreto. Mesmo sendo legal, o prefeito não havia concedido o benefício à Panificadora Bom Jesus.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A força do MDB santilista em Anápolis

Estamos resgatando a página mais bonita da história política dos anapolinos contra a ditadura militar de 1964. Na crônica passada, relatamos parte da disputa pela Prefeitura de Anápolis, em 1972, última eleição direta para prefeito, antes de o Município ser transformado em Área de Interesse da Segurança Nacional.

Os arenistas acreditavam que Eurípedes Junqueira, pelo seu valor pessoal, contando com forças governistas federais e a máquina administrativa estadual, seria eleito prefeito. Um debate pela televisão, diziam, aumentaria o cacife de Eurípedes. Compraram horário nobre, num domingo, na TV Anhanguera. Chegamos aos seus estúdios às 18 horas. Encontramos o quadro montado. Índio do Brasil Artiaga, que viria a ser prefeito nomeado de Goiânia, vereador Lincoln Xavier Nunes (MDB) que apoiava Eurípedes, e quatro jornalistas goianienses que serviam ao Governo Estadual, organizavam as regras do debate. Os jornalistas se apresentaram como os entrevistadores. Não aceitei as regras. Propus-me a fazer perguntas para Eurípedes Junqueira e que, um deles, fizesse perguntas a José Batista. Não concordaram. O impasse foi criado. Depois de muita discussão chegamos à conclusão de que só Eurípedes e José Batista entrariam no estúdio. Fariam perguntas, um ao outro.

Foi um debate sereno, sem agressões ou perguntas constrangedoras. Só ficamos sabendo da repercussão do debate quando chegamos a Anápolis. Fomos recebidos com muita festa e foguetes. Os adversários, por sua vez, também haviam gostado da apresentação de Junqueira. Mas, o debate serviu para mostrar aos que não conheciam bem a José Batista Júnior, que ele era competente e preparado para dirigir o Município de Anápolis.

Na semana seguinte, o desespero dominou as hostes arenistas. Partiram para o tudo ou nada. Em reportagem encomendada, duas páginas no Jornal Cinco de Março, de Goiânia, o jornalista Edson Nunes, foi violento contra José Batista Júnior, sem apresentar nenhum documento. Acusou-o de tudo. Desde que teria colocado fogo em uma loja comercial de sua propriedade para receber seguro a estelionato. Difamado e caluniado, não perdeu a tranquilidade. Mesmo sendo inverdades grosseiras, enorme baixaria, deram-nos muita dor de cabeça e perda de tempo. Desmentimos todas, mas não tiveram o destaque merecido pela imprensa denunciante.

O refrão usado pelo locutor dos comícios da Arena era: “Zé Tochinha, Zé Tochinha, Zé Tochinha...” alusão a José Batista Júnior de que teria colocado fogo em uma loja comercial em Goiânia.

Os comícios de encerramento da campanha aconteceram no último dia. O de José Batista Júnior foi na Praça Bom Jesus. O de Eurípedes Junqueira, na Praça das Mães. Os oradores de Batista Júnior foram os mesmos de todos os dias, tendo como o grande destaque Henrique Santillo. Inúmeros foram os oradores convidados ao comício de Junqueira. As atrações artísticas no comício do MDB foram as duplas sertanejas Zé Venâncio e Saulino e Cascatinha e Inhana. No da Arena houve globo da morte, outras atrações circenses e o maior conjunto musical do Brasil à época: Os Incríveis. O público se revezava indo de um lado para o outro.

No dia da eleição só se viam automóveis trabalhando para Eurípedes. Na contagem dos votos, Eurípedes Junqueira saiu à frente nas primeiras urnas. Encerradas as seções do setor central, entrando as urnas dos bairros e da zona rural, José Batista Júnior tirou a diferença e ampliou a vantagem de seção em seção. José Batista Júnior foi eleito de forma emocionante e espetacular. Recentemente comentando sobre essa eleição, Eurípedes Junqueira atribuiu sua derrota à força do santilismo em Anápolis... (continua)

terça-feira, 6 de março de 2012

Campanha emocionante em 1972

Em abril de 1972 foi inaugurada a Base Aérea dos Mirage em Anápolis. Falava-se na transformação do Município em Área de Segurança Nacional. Acreditando numa vitória arenista a ideia foi adiada.

Para a eleição daquele ano, o MDB indicou como candidato a prefeito, o professor José Batista Júnior. Querido e respeitado pela população e pelos companheiros de partido. Havia comandado a educação e a cultura do Município. José Batista seria protagonista de uma das mais emocionantes disputas pela prefeitura de Anápolis.

Seu adversário, professor Eurípedes Barsanulfo Junqueira, era tido como funcionário público municipal exemplar. Começou como contínuo, chegando à chefia de gabinete do prefeito nas administrações de Hely Alves Ferreira e Jonas Duarte. Havia passado pela direção do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida”, principal colégio da cidade. Em 1965, cogitado para ser candidato em substituição ao prefeito Jonas Duarte, abriu mão para Raul Balduíno. Era, sem dúvida, a pessoa mais forte que a Arena poderia lançar.

José Batista, também, um político coerente e tradicional, se apresentava como o candidato da luta pela redemocratização do País e único capaz de dar continuidade ao trabalho realizado pelo grupo santilista.

A tese defendida por Eurípedes foi a de que Anápolis ganharia com a sua eleição por que ele teria a mão esquerda estendida ao Governo Estadual e, a direita, ao Governo Federal. Fez, pessoalmente, a campanha paz e amor. Sem o ódio e radicalismo, como a maioria dos que o apoiavam. Sua mensagem era, especialmente, levada às mães. Era tido pelos analistas políticos como imbatível.

Não havendo eleição para prefeito em Goiânia, a estrutura do Governo Estadual, para ganhar a eleição, foi transferida para Anápolis. Lei eleitoral falha, justiça desaparelhada, sem termos a quem recorrer, incentivávamos o eleitor a receber as benesses oferecidas pelo Governo, mas que votasse em José Batista Júnior:

- “Peguem o dinheiro, carteira de motorista, material de construção que estão lhe oferecendo, mas votem contra quem está tentando comprar seu voto. Diga não à corrupção e à escravidão. Vote pela liberdade. Vote José Batista Júnior.”

A Rádio Imprensa, pertencente ao médico Henrique Fanstone, presidente municipal da Arena, fazia a campanha arenista. Transmitia, todas as noites, os comícios de Junqueira. A Rádio Carajá comandada pelo MDB autêntico, defendia a administração Henrique Santillo, a candidatura de José Batista Júnior e transmitia, diariamente, os seus comícios.

Os emedebistas que romperam com o prefeito Henrique Santillo, criaram um grupo que se auto-intitulou “MDB Positivo” em apoio a Eurípedes Junqueira. Fernando Cunha Júnior e Ronaldo Jayme, por serem detentores de mandatos, não subiram ao palanque de Eurípedes Junqueira. Os demais emedebistas, adesistas, fizeram parte do palanque arenista. No palanque de José Batista Júnior, Henrique Santillo, Anapolino de Faria, os sete vereadores que apoiavam o prefeito, dentre eles o candidato a vice Milton Alves Ferreira; João Abrão, Presidente do MDB, Romualdo Santillo, eu e lideres populares.

Certos que num debate pela televisão Eurípedes Junqueira venceria José Batista, a Arena comprou o horário mais importante da TV Anhanguera, o único canal de televisão, até então, existente em Goiás, para o confronto, marcado para as 19 horas de um domingo... (continua)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Até o Exército Foi Usado Para Afastar Walmir

Com duas câmaras de vereadores funcionando simultaneamente em Anápolis, o juiz Clementino de Alencar Lima reconheceu, como legitima, a presidida por Walter Gonçalves de Carvalho. A que apoiava Henrique Santillo. Ao mesmo tempo chegou-nos a notícia de que Walmir Bastos estava preso nas dependências do Exército, em Brasília. Só ficamos sabendo do seu paradeiro naquele local por que alguns membros do Partido Comunista Brasileiro - PCB, daqui de Anápolis, que lá se encontravam presos, agora em liberdade, nos trouxeram informações dele.

No PIC, do Exército em Brasília, à disposição do major Leopoldino, militar envolvido na trama para forçá-lo a renunciar ao mandato de vereador, Walmir não resistiu às pressões e torturas, assinado sua carta-renúncia. O documento ficou nas mãos de Leopoldino. Caberia a ele encaminhá-lo à Câmara Municipal de Anápolis. Teria que ser lido em plenário para que a renúncia se consumasse. Sem Walmir, com eleição de novo presidente que, com certeza, seria do grupo que fazia oposição ao prefeito Henrique Santillo, os golpistas ficaram eufóricos com a notícia que circulava nos bastidores sobre a renúncia. Só falavam na iminente cassação de Henrique Santillo. Antes que a carta-renúncia chegasse à Câmara, Walmir foi solto.

Chegando a Anápolis, ele me procurou narrando em detalhes o acontecido. Imediatamente fomos a Brasília conversar com o presidente nacional do MDB, deputado Ulysses Guimarães. Na Câmara Federal, acompanhados do deputado Anapolino de Faria, narramos a violência praticada contra Walmir Bastos, nas dependências do Exercito, tudo objetivando o afastamento de Henrique Santillo da Prefeitura. Ulysses designou o líder da bancada emedebista na Câmara, deputado Jayro Brum (RG), para que denunciasse o caso à Nação.

A repercussão nacional da denúncia impediu que o major Leopoldino encaminhasse à Câmara Municipal de Anápolis o oficio de renúncia. Com isso o vereador continuou exercendo seu mandato e, consequentemente, a presidência. Os golpistas da Arena, reforçados por adesistas do MDB, sem presidência da Câmara Municipal e com processo feito por encomenda à Policia Federal, desprovido de provas contra nós - Henrique, Adhemar e Anapolino - não tiveram a coragem de nos processar judicialmente.

Encerrado o mandato de Henrique Santillo como prefeito, o processo foi entregue ao Procurador estadual Bechara Daher, que o manteve em sua gaveta para uso posterior.

Como prefeito, Henrique Santillo, sofreu outras perseguições. Uma delas foi retenção do ICM - Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - pelo Governo Estadual. Nos três últimos meses da sua administração, em 1972, o prefeito não teve sua quota de 25% do ICM arrecadado em cada mês no Município, repassada pela Secretaria da Fazenda Estadual, no prazo estabelecido em lei. Com isso, sendo a maior fatia da arrecadação municipal, a Prefeitura não dispunha de recursos sequer para o pagamento do salário do funcionalismo público. Queriam desgastar e desestabilizar o prefeito. Mesmo com tantas perseguições ao longo da sua administração, Henrique Santillo continuava com grande apoio popular.

A solução para essa retenção indevida de tributos veio com sua reação imediata. Henrique determinou ao Procurador Geral da Prefeitura, Vicente de Paula Alencar, que requeresse Intervenção Federal, no Governo do Estado, por descumprimento à norma constitucional, que previa punição com intervenção federal no caso de retenção ou atraso do repasse de impostos, pertencentes aos municípios. Imediatamente as quotas de ICM retidas foram repassadas a Anápolis. Henrique se aproximava do final da sua administração superando todas as tentativas de golpe... (continua)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Violência Contra Walmir Bastos

Com a denúncia caluniosa, verdadeira deduragem do grupo contrário ao santillismo em Anápolis, se utilizando inclusive da Polícia Federal, o MDB local rachou por completo. O prefeito Henrique Santillo demitiu das secretarias e diretorias os integrantes da equipe denuncista. Ele que contava com folgada maioria de 10 vereadores contra 5 da Arena, na Câmara Municipal, viu seu partido transformar-se em minoria de 7 contra 8, com as adesões dos emedebistas Lincoln Xavier Nunes, Pedro Sergio Sobrinho e João Divino Cremonez , lhe fazendo oposição radical.

Com leucemia e saúde abalada, o presidente da Câmara, vereador Antônio Marmo Canedo-MDB pró Santillo, que mesmo debilitado pelo câncer lutava como um leão, não resistiu vindo a falecer. Walmir Bastos Ribeiro- MDB, que da mesma forma pertencia ao grupo autêntico que apoiava o prefeito, assumiu a presidência na qualidade de vice presidente eleito ao lado do presidente Marmo Canedo e Walter Gonçalves de Carvalho, secretário.

Os adversários de Henrique Santillo dentro do MDB, já haviam tentado a adesão de Walmir. Isso ocorreu num banquete realizado na casa de um dos integrantes do grupo. Na oportunidade ofereceram todo tipo de vantagens pessoais para que mudasse de posição. Não conseguindo, partiram para a perseguição e violência:

Mobilizaram órgãos da repressão para prender, torturar e levar Walmir Bastos à renúncia do mandato. Departamento de Ordem Política e Social – Dops, da secretaria Estadual de Segurança Pública e Policia Federal fizeram parte da ação. O vereador foi preso passando mais de 10 dias numa cadeia de Goiânia. Solto só após haver se comprometido que na Câmara Municipal ficaria ao lado dos três vereadores do MDB que faziam oposição a Henrique Santillo. No exercício do mandato Walmir continuou à frente da presidência da Câmara, apoiando o prefeito. Foi novamente preso por integrantes do Dops e Policia Federal. Ficou mais 15 dias totalmente incomunicável. Ganhou a liberdade depois de novamente se comprometer a deixar a liderança de Henrique Santillo. Retornando a Anápolis publicou panfleto em que denunciava à população as perseguições sofridas.

Estava distribuindo: “ Uma Voz que Não se Cala diante das Ameaças!”, nas dependências da prefeitura que funcionava na Praça do Bom Jesus, quando avistou os policiais que o prenderam nas vezes anteriores. Correu para o gabinete do prefeito Henrique Santillo, onde me encontrava. Fiquei com ele até que a noite chegasse. Escuro, ruas desertas, entrei no meu carro para lhe dar carona e fuga. Mal sentou-se ao banco do carona, quando dois policiais a paisana, fortemente armados nos deram voz de prisão. Quando me reconheceram, pois era deputado estadual, pediram mil desculpas e alegaram que o levariam para um depoimento na Policia Federal e em seguida seria liberado.

Dali o levaram para prisão onde sofreu todo tipo de humilhação, agressões e torturas. Nenhum de nós do grupo santillista sabíamos para onde fora levado. Só depois de muito tempo soubemos que se encontrava em Brasília. Continuava apanhando para que renunciasse a presidência da Câmara. Enquanto isso os 5 vereadores da Arena, mais os 3 do MDB que faziam oposição a Henrique Santillo, elegeram um novo presidente para dirigir a edilidade municipal. Assumiram a sede da Câmara, que funcionava no edifício do Clube Recreativo Anapolino, à Rua Barão do Rio Branco.

Os 7 do MDB, fiéis a Henrique Santillo, passaram a se reunir no antigo prédio da Biblioteca Pública Municipal Zeca Batista, á Praça Americano do Brasil, sob a presidência do secretário Walter Gonçalves de Carvalho. A questão foi parar na justiça... (Continua)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

MDB vence eleição para a Prefeitura em 1969

Continuando a história da resistência em Anápolis. Com o acerto interno do MDB, Henrique Santillo foi lançado candidato à prefeitura para a sucessão de Raul Balduíno, tendo Thales Reis na vice. A arena homologou a candidatura de Luiz Vieira, vice de Raul Balduíno. Quando PSD, PTB, UDN e todos os partidos foram extintos pela ditadura de 1964, Vieira que pertencia ao PTB, filiou-se à Arena. Candidato oficial do partido governista, contando com o apoio do governador Otavio Lage. Mesmo com toda estrutura oficial a favor do arenista, já se notava durante a campanha que não suportaria a supremacia, credibilidade e popularidade do MDB.

A vitória da dupla Henrique Santillo/Thales Reis foi esmagadora. Venceu em quase todo município. Luiz Vieira só ganhou, com 2 votos de frente, em Rodrigues Nascimento (Campo Limpo). Nas demais regiões a vitória de Henrique/Thales foi consagradora.

Na formação da sua equipe fui escolhido chefe de gabinete. Henrique organizou seu secretariado democráticamente, equilibrado, prestigiando as duas tendências existentes no partido. Thales Reis, Fernando Cunha e Carmem Xavier, dentre outros, da corrente de Achiles de Pina, fizeram parte do secretariado.

Nos seus três anos de mandato, comandou duas eleições. A legislativa em 1970 e a da sua sucessão em 1972.

O deputado federal Anapolino de Faria, nosso amigo e fiel companheiro, foi fundamental na nossa vida política. Desde o primeiro instante ficou aberta e decisivamente com a candidatura Santillo à prefeitura. Em 72 candidatou-se à reeleição. Fernando Cunha Júnior, do grupo contrário, também lançou-se candidato.

Convidamos Laudo Puglisi e José Batista Júnior para que um deles se candidatasse pelos santillistas, à deputado estadual. Não se dispuseram. Diante disso os companheiros lançaram minha candidatura. Fiz dobradinha com Anapolino de Faria. Fernando Cunha Júnior foi apoiado em Anápolis, dentre outros, por Ronaldo Jayme.

Para o Senado foram disputadas as três cadeiras. As deixadas por Juscelino Kubitschek e Pedro Ludovico Teixeira por terem sido cassados e a de José Feliciano Ferreira cujo mandato estava se encerrando. O MDB lançou Raul Balduíno, Gerson de Castro Costa e Pedro Ludovico Jr. Pela Arena disputaram Osires Teixeira, Benedito Vicente Ferreira e Emival Caiado. Se elegeram os três arenistas. Emival Caiado na terceira vaga, com mandato de 4 anos, por ter sido o menos votado dos três.

Anapolino e Fernando se elegeram deputado federal. Eu e Ronaldo Jayme fomos eleitos para a Assembléia Legislativa. Pela Arena, representando Anápolis, Elcival Caiado deputado estadual e Henrique Fanstone para a Câmara Federal.

Após as eleições o grupo contrário a Henrique Santillo no MDB, rompeu com ele, por não se conformar com o resultado eleitoral. Publicou um manifesto nos denunciando (prefeito Santillo, eu como deputado estadual e Anapolino de Faria reeleito deputado federal) termos praticado corrupção eleitoral. Alegaram, irresponsavelmente, termos usado máquinas da prefeitura de Anápolis, em estradas rurais de Ouro Verde, Goianápolis, Nerópolis e Petrolina, em troca de votos.

Por se tratarem de denúncias feitas por integrantes do MDB ao prefeito também do MDB, a Policia Federal abriu inquérito para apurá-las.

Ao mesmo tempo os emedebistas rompidos com Henrique Santillo, através dos vereadores Lincoln Xavier Nunes, Pedro Sérgio Sobrinho e João Divino Cremonez, passaram a votar com a Arena. Usaram o inquérito da Policia Federal, tentando o afastamento do prefeito pela Câmara Municipal, por impeachment... (continua)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Candidatura de Henrique Santillo à prefeitura

Com a vitória esmagadora, surpreendente, de Henrique Santillo para a Câmara Municipal nas eleições de 1966, a celeuma que se criou em torno da sua diplomação pela justiça eleitoral, seu nome emergiu de maneira espontânea como a grande liderança política de Anápolis para substituir Raul Balduino, nas eleições de 1969.

Antes de 1966, nós os santillistas, embora tivéssemos nossas convicções políticas e ideológicas, não havíamos sido filiados a nenhum partido político. Passamos a militar em partido só a partir de 1966, quando nos filiamos ao MDB. A vitória de Henrique Santillo para a Câmara Municipal dava inicio a um novo rumo para o partido em Anápolis.

O Movimento Democrático Brasileiro no município foi organizado, muito mais em cima de divergências políticas locais, que compromisso de combate a ditadura, que era o seu compromisso nacional.

Henrique Fanstone que fora derrotado por Raul Balduíno, nas eleições de 1965, para a prefeitura de Anápolis, filiou-se a Arena. Os liderados por Achiles de Pina, Jonas Duarte e Raul Balduíno, até por falta de outra opção, pois haviam só Arena e MDB, filiaram-se ao MDB. O deputado federal Haroldo Duarte convicto e ferrenho combatente à ditadura de 1964 era exceção dentro grupo. O surgimento de Santillo foi o grande acontecimento da política Anapolina. Viria transformá-la completamente.

Como vereador deu sustentação ao prefeito Raul Balduino, ao mesmo tempo que organizou o MDB para sua missão histórica de combate ao autoritarismo.O movimento popular, movimento das massas de baixo para cima, cresceu tanto que fugiu do controle dos “cardeais” do partido. O povo exigia a candidatura de Henrique Santillo. Mesmo com o vasto apoio popular, a cúpula municipal não acostumada a pressão, queria Thales Reis, como candidato. Thales era ex-delegado de polícia e genro de Achiles de Pina.

Até aquele momento da história política Anapolina, Achiles de Pina era a grande referência, o grande eleitor. Sua força política era antiga. Desde a época em que a maioria do eleitorado de Anápolis era rural. Como maior cerealista do município, mantinha um relacionamento comercial e de amizade com os fazendeiros de Nerópolis, Brasabrantes, Nova Veneza, Damolândia, Ouro Verde, Goianápolis, Campo Limpo, Souzânia e Interlândia, todos distritos de Anápolis. Seu pedido de apoio e voto para essas lideranças rurais era órdem a ser cumprida.

Embora sem apoio popular, a candidatura de Thales, foi se consolidando dentro do MDB, pela indefinição de Henrique Santillo que relutava em aceitar sua candidatura. Moacyr Junqueira, editor chefe do jornal O Anápolis, diário pertencente ao deputado federal Anapolino de Faria, numa das suas edições, estampou em manchete “ Adhemar Santillo será o candidato do MDB”
Diante desse fato novo, Henrique anunciou sua disposição de disputar a prefeitura.

Ainda assim a cúpula emedebistas insistia com a candidatura de Thales Reis. Passadas algumas semanas, Henrique Santillo foi convidado para reunião com o prefeito Raul Balduíno e seus apoiadores. Foi selada a unidade emedebista, com Santillo para prefeitura, Thales para a vice.

O apoio do deputado federal Anapolino de Faria, desde o primeiro instante, a Henrique Santillo, foi decisivo para a sua escolha como candidato do MDB. Se não contasse com esse apoio de Anapolino, mesmo com toda manifestação popular ao seu lado, o resultado da convenção poderia ter sido outro.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O surgimento de uma nova liderança (III)

A decisão parcial do Juiz Eleitoral de Anápolis, Manoel Luiz Alves, tendo como base calhamaço de papéis apócrifos, sem nenhuma denúncia concreta e verdadeira, apenas fofocas, inverídicas e desonestas, nos preocupou. Afinal não havíamos completado dois anos da implantação da ditadura de 1964. Caça aos esquerdistas, lideres sindicais e estudantes era a obsessão dos governantes.Comunista para eles era palavrão! Com a negativa do juiz, as coisas ficariam mais fáceis para os golpistas que queriam matar a liderança de Henrique Santillo no nascedouro. Já contavam com o apoio dos órgãos da repressão. A decisão do juiz deu o respaldo que necessitavam.

Não nos amedrontamos ou intimidamos com o golpe. Partimos para a resistência. Acompanhado do saudoso amigo Amaral Montez, fomos a Belo Horizonte. No Departamento das Execuções Penais da Polícia Civil recebemos certidão negativa de qualquer prisão de Henrique Santillo nos presídios de Minas Gerais. No Dops nenhuma alusão a subversão do estudante Henrique Santillo no Estado. Da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, saímos com declaração de que fora o mais destacado aluno da sua turma em todo curso de medicina. No Comando da Polícia Militar, certidão de que Henrique Santillo não era fichado como comunista na G-2 de Minas Gerais.

Com essa documentação e despesas pagas pelo nosso pai Virginio Santillo, contratamos Rômulo Gonçalves, o mais experiente e famoso advogado de presos políticos em Goiás, para defender Henrique junto ao Tribunal Regional Eleitoral, para onde havíamos recorrido.

No dia da votação, o advogado da Arena presente à sessão do TRE, apresentou um fax enviado pelo governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro, ao governador de Goiás Otavio Lage de Siqueira, em que declarava que havia tornado nula a certidão emitida pela G-2 da Polícia Militar, pois “Henrique Santillo estava mesmo fichado como comunista naquela repartição militar.”

Foi mais uma tentativa desesperada dos golpistas na luta para impedir o surgimento de uma nova liderança política em Goiás, evitando que fosse diplomado vereador em Anápolis.

O Juiz Federal José de Jesus, integrante do Tribunal Regional Eleitoral, usando da palavra no instante em que se discutia se o fax enviado pelo governador mineiro deveria ou não anular a certidão da Polícia Militar, disse em seu voto:

"Não se pode anular uma certidão, com sinete da corporação militar de Minas Gerais, por um fax enviado pelo governador Israel Pinheiro de Minas Gerais ao governador Otavio Lage, de Goiás. O que vale é o documento oficial."

Realizado o julgamento o TRE determinou a diplomação do vereador Henrique Santillo e sua posse imediata.

Mesmo com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral a favor da diplomação do vereador Henrique Santillo, o juíz eleitoral de Anápolis, Manoel Luiz Alves, se negou a realizá-la. O TRE designou o juiz Sir Roriz, para que cumprisse sua sentença. Assim Henrique Santillo assumiu a cadeira que por mérito e justiça era sua na Câmara Municipal de Anápolis. Enquanto esteve impedido, seu substituto foi Oscar Miotto, primeiro suplente da bancada emedebista. Foi a primeira e grande vitória do grupo santillista, na luta pela resistência democrática, em Anápolis. Surgia uma nova liderança política em Goiás.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O surgimento de uma nova liderança (II)

Filiado ao MDB, e registrado candidato a vereador pelo partido, fomos à luta em busca do voto. Romualdo, radialista conceituado, estimado e de muita credibilidade, fez a campanha entre os colegas de trabalho. Como Presidente da Liga Anapolina de Desportos; ex-presidente do Grêmio Literário Castro Alves, do Colégio Estadual José Ludovico de Almeida e da União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis - UESA, trabalhei junto aos dirigentes esportivos, atletas e estudantes. Nosso pai Virgínio, levou o nome de Henrique aos comerciantes, fornecedores de cereais, corretores e chapas. Nossa mãe Elydia às suas comadres e amigas. Henrique trabalhou junto aos clientes, alunos do Colégio Estadual, lideranças comunitárias e companheiros da área de medicina.

Campanha silenciosa. Pé na estrada. Os analistas políticos municipais elaboravam suas listas de prováveis eleitos e não o incluíam entre eles. Não era de se admirar, pois pelo MDB, os candidatos apontados pelos especialistas como vitoriosos eram os que disputavam a reeleição; representantes de distritos como Souzânia (Homero Siqueira) e Campo Limpo (Adão Mendes Ribeiro); lideres religiosos ou integrantes de famílias numerosas.

As cédulas eram individuais, com o nome do candidato, colocadas em envelopes rubricados pelos mesários. No dia da eleição amigos eleitores de Henrique tiveram que confeccionar à máquina de escrever, cédulas para urnas do setor central da Cidade. As que haviam sido destinadas a cada sessão eleitoral foram em quantidade insuficiente ou retiradas por adversários. Encerrada a apuração, Santillo obteve 1.536 (hum mil quinhentos e trinta e seis) votos. Mais de 10% dos votos válidos. Votação que jamais havia sido alcançada por outro candidato e até hoje recorde no Município.

A expressiva e surpreendente vitória de Henrique Santillo, com mais de 200 votos sobre Elias Abrão, que alcançou mais de 1.200 (hum mil e duzentos) sufrágios, alvoroçou os adversários. Não tinham explicação lógica para o ocorrido.

Na diplomação dos eleitos, o Juiz Eleitoral, Manoel Luiz Alves, diplomou 14 dos 15 eleitos. Deixou de diplomar Henrique Santillo sob a alegação que seria ele fichado como comunista na G-2 da Polícia Militar de Minas Gerais. Os arenistas elaboraram um calhamaço de denúncias apócrifas, dizendo que como estudante Henrique Santillo teria sido preso várias vezes pela policia mineira; que não estudava e só fazia agitação política; que era fichado como agitador no Dops de Belo Horizonte e fichado como comunista na G-2 da Polícia Militar de Minas Gerais. O juiz aceitou a denúncia e não o diplomou. Tínhamos pela frente um obstáculo tão, ou mais difícil, que vencer a eleição...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O surgimento de uma nova liderança (I)

Anápolis foi destaque nacional no combate à ditadura militarista implantada no País a partir de março de 1964. O grupo autêntico do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), comandado por Henrique Santillo fez do Município a maior trincheira da resistência democrática em Goiás.

Oriundo de Ribeirão Preto, aqui chegando em 1944, Santillo praticamente não teve a infância que os demais meninos da sua idade tiveram. Começou a trabalhar bem cedo para ajudar na renda familiar. O restante do tempo de que dispunha, era para estudar. Cursou o Científico no Colégio São Francisco de Assis, sendo invariavelmente, o primeiro classificado da turma. Branca de Azevedo, posteriormente casada com o saudoso atleta do Ipiranga, Barroso, era sua mais direta concorrente.

Antes de ir para Belo Horizonte, onde cursou Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, Henrique Santillo fundou e foi o primeiro presidente do Grêmio Literário Clarim das Letras e das Artes, do Colégio São Francisco.

Em Belo Horizonte, enquanto cursava Medicina, participou da política estudantil sendo presidente do Diretório Acadêmico da UFMG; presidente do Diretório Central dos Estudantes de Belo Horizonte e presidente da UEE mineira.

Casado, pai de duas filhas, Sônia e Elidya, professor de química no cursinho preparatório Alfredo Balena, o mais importante da capital mineira, participando ativamente da política estudantil, mesmo assim, foi o primeiro colocado da turma de medicina de 1963.

Retornando a Anápolis no início de 1964, instalou seu consultório médico no prédio da Tipografia Glória, na Avenida Goiás. Prestou serviços à Santa Casa de Misericórdia, Hospital São Zacarias e ao Serviço de Atendimento Médico Domiciliar de Urgência - Samdu.

Em 1966 filiou-se ao MDB. Partido de oposição, presidido em Anápolis pelo, então, deputado Haroldo Duarte. Partidos tradicionais, criados com a redemocratização do Brasil em 1945, cederam lugar a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio à ditadura de 1964 e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição. No mesmo ano, foi candidato a vereador. Concorreu dentro do MDB, com figuras destacadas da política anapolina, como João Furtado de Mendonça, Homero Ferreira, Adão Mendes Ribeiro, Laudo Puglisi, Raimundo de Oliveira Lima, João Luiz de Oliveira, Oscar Miotto, etc. Na chapa arenista a maior expressão foi o, também, médico, proprietário do Hospital São Zacarias, Elias Abrão. Era tido como a maior liderança política anapolina e, se preparava para ser candidato à Prefeitura pela Arena, em 1969...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Partido dos trabalhadores no Congresso Nacional

Em 1980, com o fim do bipartidarismo, o Movimento Democrático Brasileiro-MDB, transformou-se em partido. Ulysses Guimarães seu presidente nacional. A vitória extraordinária da dupla Henrique Santillo e Juarez Bernardes sobre o trio arenista Jonas Duarte, Osires Teixeira e Jarmund Nasser, para o Senado, nas eleições de 1978, destacou Santillo como a maior liderança do Estado. Estava consolidada sua força eleitoral. Qualquer eleição direta que disputasse a partir daquele instante, com certeza sairia vencedor.

Como Henrique Santillo nunca se preocupou em ter comando do partido a nível regional, quando o diretório estadual foi ser estruturado, Iris Rezende Machado, que havia passado 10 anos fora da das disputas eleitorais, por ter perdido seus direitos políticos em 1969, com o término da punição que o levou ao ostracismo, retornou ingressando no PMDB. Com deputados e lideranças conservadoras, Iris Rezende formou o diretório com ampla maioria de simpatizantes seus, para que fosse o candidato ao governo do Estado, nas eleições diretas marcadas para 1982.

Com o golpe, Iris assumindo o controle absoluto do PMDB goiano, o grupo Santillista decidiu ingressar no Partido dos Trabalhadores, abrindo caminho para Henrique Santillo, também disputar a governadoria. Dessa forma Henrique Santillo foi o primeiro senador petista, no Senado. Foi inclusive o secretário da reunião realizada em São Bernardo do Campo, em que o partido se organizou nacionalmente, sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Câmara Federal, os ex-emedebistas Airton Soares-SP, Luiz Checchinel-SC, Edson Kahir-RJ, Antônio Carlos de Oliveira-MS e eu de Goiás, formamos a primeira bancada do PT. Os companheiros me indicaram como o primeiro líder petista na Câmara dos Deputados. Fui líder durante o tempo em que estive no partido. Demos ao Partido dos Trabalhadores amplitude nacional. Colaboramos muito para o seu fortalecimento. Além do trabalho parlamentar visitamos quase todos os estados organizando o partido.


Na próxima terça feira, dia 6/12/2011, será inaugurado o painel dos deputados que lideraram o PT na Câmara Federal desde o seu surgimento. Solenidade marcada para às 19 horas, no Salão Verde do Congresso Nacional. Embora não mais pertencendo ao PT, mas por ter sido seu primeiro líder, fui convidado a participar desse acontecimento histórico.