terça-feira, 6 de março de 2012
Campanha emocionante em 1972
Para a eleição daquele ano, o MDB indicou como candidato a prefeito, o professor José Batista Júnior. Querido e respeitado pela população e pelos companheiros de partido. Havia comandado a educação e a cultura do Município. José Batista seria protagonista de uma das mais emocionantes disputas pela prefeitura de Anápolis.
Seu adversário, professor Eurípedes Barsanulfo Junqueira, era tido como funcionário público municipal exemplar. Começou como contínuo, chegando à chefia de gabinete do prefeito nas administrações de Hely Alves Ferreira e Jonas Duarte. Havia passado pela direção do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida”, principal colégio da cidade. Em 1965, cogitado para ser candidato em substituição ao prefeito Jonas Duarte, abriu mão para Raul Balduíno. Era, sem dúvida, a pessoa mais forte que a Arena poderia lançar.
José Batista, também, um político coerente e tradicional, se apresentava como o candidato da luta pela redemocratização do País e único capaz de dar continuidade ao trabalho realizado pelo grupo santilista.
A tese defendida por Eurípedes foi a de que Anápolis ganharia com a sua eleição por que ele teria a mão esquerda estendida ao Governo Estadual e, a direita, ao Governo Federal. Fez, pessoalmente, a campanha paz e amor. Sem o ódio e radicalismo, como a maioria dos que o apoiavam. Sua mensagem era, especialmente, levada às mães. Era tido pelos analistas políticos como imbatível.
Não havendo eleição para prefeito em Goiânia, a estrutura do Governo Estadual, para ganhar a eleição, foi transferida para Anápolis. Lei eleitoral falha, justiça desaparelhada, sem termos a quem recorrer, incentivávamos o eleitor a receber as benesses oferecidas pelo Governo, mas que votasse em José Batista Júnior:
- “Peguem o dinheiro, carteira de motorista, material de construção que estão lhe oferecendo, mas votem contra quem está tentando comprar seu voto. Diga não à corrupção e à escravidão. Vote pela liberdade. Vote José Batista Júnior.”
A Rádio Imprensa, pertencente ao médico Henrique Fanstone, presidente municipal da Arena, fazia a campanha arenista. Transmitia, todas as noites, os comícios de Junqueira. A Rádio Carajá comandada pelo MDB autêntico, defendia a administração Henrique Santillo, a candidatura de José Batista Júnior e transmitia, diariamente, os seus comícios.
Os emedebistas que romperam com o prefeito Henrique Santillo, criaram um grupo que se auto-intitulou “MDB Positivo” em apoio a Eurípedes Junqueira. Fernando Cunha Júnior e Ronaldo Jayme, por serem detentores de mandatos, não subiram ao palanque de Eurípedes Junqueira. Os demais emedebistas, adesistas, fizeram parte do palanque arenista. No palanque de José Batista Júnior, Henrique Santillo, Anapolino de Faria, os sete vereadores que apoiavam o prefeito, dentre eles o candidato a vice Milton Alves Ferreira; João Abrão, Presidente do MDB, Romualdo Santillo, eu e lideres populares.
Certos que num debate pela televisão Eurípedes Junqueira venceria José Batista, a Arena comprou o horário mais importante da TV Anhanguera, o único canal de televisão, até então, existente em Goiás, para o confronto, marcado para as 19 horas de um domingo... (continua)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Walmir Bastos conquistou os anapolinos
O período letivo já havia iniciado, quando numa determinada noite do mês de março, o professor Hely Alves Ferreira, diretor do Colégio Estadual—que no ano seguinte, 1958, seria eleito prefeito de Anápolis, para um mandato de dois anos, compareceu à nossa sala, numa aula de francês, ministrada pelo professor Geraldo Fleury, tendo em sua companhia um rapaz magrinho, bigode ralo, usando terno de linho creme e gravata borboleta. Disse que o jovem viera de Jequié, na Bahia, para estudar em Anápolis. Tratava-se de Walmir Bastos Ribeiro, que viria se transformar, num futuro não muito distante, no mais eficiente e operoso vereador que já passou pela Câmara Municipal. Figura de destaque na luta contra a ditadura militar.
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| Walmir Bastos (primeira fila, esq.) durante sessão na Câmara |
Walmir gostava de política. Seu ídolo era Vieira de Melo. Respeitado nacionalmente e que representava a Bahia, no Congresso Nacional. Já nas eleições de 1958 para o Grêmio Literário Castro Alves, fez parte da sua diretoria. O presidente era Severino Ferreira. Haviamos deixado Antesina Santana e fomos para o Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida,” construído pelo governador Juca Ludovico, na Vila Brasil.
Na eleição de 1966, Walmir Bastos que se consagrara como grande liderança estudantil presidindo o Grêmio Castro Alves, saiu candidato a vereador. Disputou mandato enfrentando especialmente o médico Henrique Santillo, professor de Química Mineral, no científico do Colégio Estadual. Henrique era muito conceituado e querido entre os estudantes e professores. Com mais de 400 votos, Walmir ficou na quarta suplência do MDB.
No desenrolar da legislatura que se findou em 1970, Walmir, carinhosamente conhecido como Baiano, assumiu o mandato em inúmeras oportunidades. O Regimento Interno da Câmara Municipal, permitia que o titular faltando à sessão, o líder da bancada podia convocar o suplente melhor classificado presente ao recinto da Câmara para assumir a vaga. Como vereadores de cidades com menos de 100 mil habitantes não recebiam subsídios e o prefeito Raul Balduino administrava tranqüilo, sem oposição, em todas as sessões havia alguém que deixava de comparecer. Walmir gostava de política, não tinha apego a dinheiro, se fazia presente a todas as sessões, assumindo a vaga.
Fato histórico e raro mesmo, aconteceu naquele período de 1967/1970, no Legislativo anapolino. Iniciando legislatura como quarto suplente da bancada do MDB, o vereador Walmir Bastos ao final da legislatura foi efetivado titular.
No transcurso dos quatro anos, os vereadores emedebistas João Furtado de Mendonça, Adão Mendes Ribeiro, João Luiz de Oliveira e Oscar Miotto, faleceram. Com isso o baiano de Jequié terminou a legislatura em 1970, como titular.
Nas eleições de 1970, Walmir Bastos se reelegeu com expressiva votação. Seus eleitores esclarecidos e politizados eram especialmente profissionais liberais, professores e estudantes. A bancada do MDB elegeu 10 vereadores enquanto a Arena as 5 restantes. A Mesa Diretora da Câmara Municipal, para o biênio 1971/72, foi toda do MDB: Antônio Marmo Canedo, presidente; Walmir Bastos, vice-presidente; Walter Gonçalves de Carvalho, secretário...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Volta ao passado
Embora não tenha estudado no colégio São Francisco, tive ótimo relacionamento com os estudantes daquele colégio quando militava na política estudantil. Em 1963, juntamente com Eles Alves Nogueira, Levy Schiettini, Valmir Bastos Ribeiro e Jacy Fernandes, acabamos com o isolamento dos estudantes de Anápolis. Transformamos a União Independente dos Estudantes Anapolinos – UIEA em União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis – UESA, vinculada à União Goiana dos Estudantes Secundaristas – UGES. Fui eleito seu primeiro presidente, como candidato único, num pleito direto, com a participação de todos os estudantes secundaristas do município. Dos colégios particulares o mais conceituado e numeroso era o São Francisco. Escolhi meu companheiro de chapa para a vice presidência entre os franciscanos.
A maior emoção ficou por conta de relembrar que por aquelas escadarias pomposas e salas amplas e arejadas do tradicional São Chico, havia passado, por três anos consecutivos, meu irmão Henrique Santillo, que viria se transformar no futuro governador de Goiás. Uma das mais autênticas lideranças políticas do Brasil, no combate à ditadura. Henrique Santillo foi o mais aplicado e dedicado aluno de toda história do Colégio São Francisco de Assis. Fundador do seu grêmio estudantil, Clarim das Letras e das Artes. Foi também seu primeiro presidente. Os colegas de Henrique Santillo, no colégio São Francisco, como Geraldo Fleury Curado, afirmam que ele era para os companheiros de classe o conselheiro e professor que todos consultavam.
Há algum tempo atrás recebi como presente do amigo Mauro Gonzaga Jaime, o Pastinha, alguns exemplares do jornal Arauto dos Reis, órgão informativo do colégio nos anos 50, em que divulgava as melhores notas obtidas pelos alunos em cada mês. Em todos os meses Henrique Santillo figura em primeiro lugar, na sua turma. Era estudioso sem alienação política. Pelo contrário, como estudante secundarista em Anápolis e universitário em Minas Gerais, onde cursou medicina na UFMG, foi atuante politicamente. Presidente do Diretório Acadêmico da faculdade de medicina, presidente do DCE mineiro e presidente da UEE, sem deixar de ser o estudante brilhante dos tempos de secundarista, realizando todo curso de medicina, como o primeiro aluno da turma.
Relembrei todas essas passagens de um cidadão que foi a grande referência da qualidade do ensino do Colégio São Francisco de Anápolis no passado, sob a direção do frei Chicão. Naquele prédio antigo, muito bem conservado e repleto de histórias, eu e os demais convidados, vimos o São Francisco moderno. O Projeto IPOCAR – Investigação, Produção, Opinião, Cidadania, Argumentação e Realidade, do qual participamos, além de preparar os estudantes no conhecimento profundo dos acontecimentos cotidianos, os ajuda na tomada de uma decisão mais segura em busca do seu futuro profissional. Os tempos mudaram, mas o Colégio São Francisco continua moderno e atualizado, formando estudantes cônscios da sua responsabilidade como cidadãos.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O Homem que Só Sabia Trabalhar em Política
Já adaptado em Anápolis, Walmir contou com a colaboração de políticos pertencentes ao PSD, dentre eles o deputado estadual Plínio Jayme, para conseguir emprego público. Seu primeiro contrato foi para prestar serviço na Telegoiás. Atenderia as reclamações que chegassem à empresa. A primeira reclamação que recebeu, sem repassá-la ao técnico responsável, foi ele mesmo aos aparelhos transmissores, mexendo em toda fiação, provocando pane em todo o sistema. Os técnicos demoraram uma semana para sanar o estrago.
Não querendo deixá-lo ao abandono, acharam melhor que fosse para a Companhia de Força e Luz, entregar os avisos e contas aos usuários. Começou bem. Até que chegou à casa de um amigo para a entrega do talão. Achou o portão do corredor aberto, adentrou à cozinha. Leu o jornal Folha de Goyas que seu amigo deixara sobre a mesa. Tomou café e por ali ficou. Quando a esposa do amigo, o viu sentado à mesa, caiu em prantos gritando por socorro. Os vizinhos vieram todos ver o que acontecia, enquanto Walmir Bastos, intrigado com tanto alvoroço, saia assustado. Foi seu primeiro e último dia de entrega de talões de energia elétrica.
Resolveram contratá-lo para trabalhar no comitê político do candidato a governador Mauro Borges. Acertaram em cheio. Nessa função ninguém era mais ativo e competente que ele. Nunca mais deixou a atividade política. Foi sete vezes vereador em Anápolis. Presidente da Câmara Municipal na fase mais difícil enfrentada pelo legislativo municipal. Preso inúmeras vezes pelos órgãos de repressão durante a ditadura militar de 1964. Organizador permanente dos Simpósios Estudantis promovidos pela Câmara Municipal de Anápolis. Era a forma de politizar os estudantes. No Legislativo municipal, o mais autêntico combatente à ditadura. Um dos heróis da resistência democrática em Anápolis. Sofreu prisões e torturas, resistindo todo tipo de violência. Não renunciou a presidência da Câmara Municipal, impedindo que afastassem pela força o prefeito Henrique Santillo, conforme plano da Arena e parte do MDB municipal.
Walmir Bastos Ribeiro disputou sua primeira eleição em 1966, pelo MDB. Não se elegeu. Seus eleitores, que eram principalmente estudantes, ficaram com Henrique Santillo. Na quarta suplência, com o falecimento dos vereadores emedebistas, Adão Mendes Ribeiro, João Furtado de Mendonça, João Luiz de Oliveira e Oscar Miotto, se efetivou.
Eleito vice-presidente da Câmara Municipal de Anápolis, mesa comandada por Antônio Marmo Canedo, na legislatura seguinte, Walmir Bastos chegou a sua presidência com a morte prematura, de Antônio Canedo. Walmir faleceu em 1994, como um dos mais valorosos políticos de Anápolis em todos tempos.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Volta ao passado
Sábado passado, dia 19 de junho, tive a satisfação e motivo para recordar um pouco do meu tempo de jovem. Época de estudante no colégio estadual José Ludovico de Almeida. Além de estudar militava na política estudantil. Por ser o maior estabelecimento educacional de Anápolis, o colégio estadual, era também o celeiro em que se formavam as grandes lideranças políticas de Anápolis. Estivemos no colégio São Francisco de Assis, um dos mais conceituados de Anápolis, participando de debate com os estudantes, ao lado de Odilon Alves, diretor e redator da revista Planeta Água; Paulo Gonçalves, professor e jornalista; Maria de Lourdes, professora de Alemão e jornalista e Onaide Santillo, radialista e apresentadora de programa na TV-14 de Anápolis. Fomos convidados pelos professores Marcos Aurélio Divino e Wilma. Discutimos temas do momento e sobre a profissão de jornalista com os concluíntes do 3° ano do ensino médio daquele colégio.
Embora não tenha estudado no colégio São Francisco, tive ótimo relacionamento com os estudantes daquele colégio quando militava na política estudantil. Em 1963, juntamente com Eles Alves Nogueira, Levy Schiettini, Valmir Bastos Ribeiro e Jacy Fernandes, acabamos com o isolamento dos estudantes de Anápolis. Transformamos a União Independente dos Estudantes Anapolinos – UIEA em União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis – UESA, vinculada à União Goiana dos Estudantes Secundaristas – UGES. Fui eleito seu primeiro presidente, como candidato único, num pleito direto, com a participação de todos os estudantes secundaristas do município. Dos colégios particulares o mais conceituado e numeroso era o São Francisco. Escolhi meu companheiro de chapa para a vice presidência entre os franciscanos.
A maior emoção ficou por conta de relembrar que por aquelas escadarias pomposas e salas amplas e arejadas do tradicional São Chico, havia passado, por três anos consecutivos, meu irmão Henrique Santillo, que viria se transformar no futuro governador de Goiás. Uma das mais autênticas lideranças políticas do Brasil, no combate à ditadura. Henrique Santillo foi o mais aplicado e dedicado aluno de toda história do Colégio São Francisco de Assis. Fundador do seu grêmio estudantil, Clarim das Letras e das Artes. Foi também seu primeiro presidente. Os colegas de Henrique Santillo, no colégio São Francisco, como Geraldo Fleury Curado, afirmam que ele era para os companheiros de classe o conselheiro e professor que todos consultavam.
Há algum tempo atrás recebi como presente do amigo Mauro Gonzaga Jaime, o Pastinha, alguns exemplares do jornal Arauto dos Reis, órgão informativo do colégio nos anos 50, em que divulgava as melhores notas obtidas pelos alunos em cada mês. Em todos os meses Henrique Santillo figura em primeiro lugar, na sua turma. Era estudioso sem alienação política. Pelo contrário, como estudante secundarista em Anápolis e universitário em Minas Gerais, onde cursou medicina na UFMG, foi atuante politicamente. Presidente do Diretório Acadêmico da faculdade de medicina, presidente do DCE mineiro e presidente da UEE, sem deixar de ser o estudante brilhante dos tempos de secundarista, realizando todo curso de medicina, como o primeiro aluno da turma.
Relembrei todas essas passagens de um cidadão que foi a grande referência da qualidade do ensino do Colégio São Francisco de Anápolis no passado, sob a direção do frei Chicão. Naquele prédio antigo, muito bem conservado e repleto de histórias, eu e os demais convidados, vimos o São Francisco moderno. O Projeto Ipocar – Investigação, Produção, Opinião, Cidadania, Argumentação e Realidade, do qual participamos, além de preparar os estudantes no conhecimento profundo dos acontecimentos cotidianos, os ajuda na tomada de uma decisão mais segura em busca do seu futuro profissional. Os tempos mudaram, mas o Colégio São Francisco continua moderno e atualizado, formando estudantes cônscios da sua responsabilidade como cidadãos.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Walmir Bastos, baiano de Jequié
Embora fosse muito amigo de Walmir Bastos Ribeiro, meu colega e companheiro de política estudantil no Colégio Estadual José Ludovico de Almeida, em Anápolis, não pude trabalhar e nem mesmo dar meu voto a ele na eleição de 1966, quando meu irmão, Henrique Santillo, também foi candidato a vereador. Mesmo assim, sua votação ultrapassou os 400 votos.
Os eleitores de Walmir Bastos foram, quase na totalidade, seus colegas do colégio José Ludovico de Almeida, seus professores e familiares. Ficou na quarta suplência da bancada emedebista.
Ao final da Legislatura, em dezembro de 1970, Walmir disputou a reeleição como vereador titular. Algumas figuras destacadas do MDB morreram naquele período, de 1967 a 1970, propiciando a efetivação de Walmir Bastos, o “Baiano”.
Adão Mendes Ribeiro, nosso representante de Campo Limpo, pai do vereador Achiles Mendes Ribeiro, faleceu naquela Legislatura. João Luiz de Oliveira, professor, grande líder anapolino, ex-prefeito de Anápolis, igualmente integrante da bancada emedebista, também faleceu no exercício do mandato de vereador. Outro que faleceu foi o vereador João Furtado de Mendonça, a exemplo de Adão Mendes e João Luiz, detentor de vários mandatos no Legislativo Municipal. Ainda nos deixou naquele período, Oscar Miotto, primeiro suplente, que pela morte dos titulares havia se efetivado.
Na eleição de 1970, Walmir Bastos se reelegeu, contando especialmente com os votos de alunos, professores, profissionais liberais e intelectuais de Anápolis. Daí para frente, ganhou todas as eleições que disputou para a Câmara Municipal. Foi vereador por sete vezes consecutivas. Na legislatura de 1970/ 1972, elegeu-se vice–presidente da mesa diretora, em companhia de Antônio Marmo Canedo, eleito para a presidência e Walter Gonçalves de Carvalho, para a secretaria.
Antonio Marmo Canedo, o Toninho, lutava já há algum tempo contra uma leucemia, que vez por outra o afastava das suas atividades legislativas. Heroicamente vencia as batalhas travadas contra a enfermidade. Nunca desanimou ou se deu por vencido. Infelizmente o fatídico dia chegou, Toninho não resistiu e nos deixou.
Com a morte de Antonio Marmo Canedo, a presidência da Câmara ficou vaga. Na qualidade de vice-presidente, Walmir Bastos Ribeiro assumiu o cargo. Essa atribuição consta do Regimento Interno daquela casa legislativa. A Arena, minoria na Câmara, havia recebido apoio de três dos integrantes da bancada emedebista. Continuavam no MDB, mas eram adversários do prefeito Henrique Santillo, que passou a contar com oposição de oito votos dos quinze integrantes da Câmara Municipal.
Conhecedores da firmeza do “Baiano”, que resistira a todas investidas feitas para convencê-lo a ficar contra Henrique, engendraram manobra para afastá-lo do cargo. Alegaram que Walmir não possuía qualidade intelectual para exercer a função, pelo seu jeito informal e despojado. Foi nessa função, como presidente da Câmara de Vereadores, que Walmir enfrentou as maiores provações, numa perseguição interminável por parte dos adversários políticos locais, aliados aos órgãos da repressão oficial federal.
O que a bancada da Arena e alguns emedebistas adesistas anapolinos queriam era manipular um presidente para formalização de processo de afastamento do Prefeito Henrique Santillo. Tinham a certeza de que com o emedebista Walmir Bastos não teriam sucesso. Tentaram a sua adesão, mas fracassaram. Trabalharam sorrateiramente para que Walmir renunciasse à presidência, não conseguiram.
Apelaram, então, aos órgãos de repressão nacional, que usaram expedientes arbitrários e repugnantes para amedrontar Walmir Bastos.
O resultado foi sentido de forma clara e inequívoca. Aquela figura desengonçada e até simplória de Walmir Bastos era muito mais resistente do que imaginavam. O estoicismo do moço de Jequié foi decisivo para que Henrique Santillo terminasse seu mandato na prefeitura e desse seqüência à sua caminhada vitoriosa na política.
Conferência sobre minérios
– Agradeço a homenagem que me presta a classe estudantil de Anápolis, por intermédio do Grêmio Literário Castro Alves... Iniciou o Governador de Goiás, Mauro Borges Teixeira.
A expectativa era enorme. Afinal, o Governador do estado falaria aos estudantes secundaristas que estavam eufóricos com presença tão ilustre.
O Governador Mauro Borges dava uma atenção especial aos convites que lhe faziam estudantes das escolas públicas. Prestigiou a diretoria do Grêmio Literário Castro Alves, atendendo suas reivindicações de construção da quadra de esportes, aquisição de instrumentos musicais, mobília para salão de festas e outras obras físicas no Colégio Estadual José Ludovico de Almeida. Em agradecimento ao atendimento às reivindicações dos estudantes, o governador foi agraciado pelo grêmio com o título de Honra ao Mérito.
A solenidade, marcada com bastante antecedência, aconteceu à noite, no salão nobre do colégio estadual José Ludovico de Almeida. Estudantes dos três turnos superlotaram o recinto. O local, decorado caprichosamente, trazia painéis com notícias publicadas em jornais locais e de Goiânia, relatando os benefícios prestados à educação municipal por Mauro Borges. Geovane Fonseca, secretário de comunicação do Grêmio Castro Alves, acertou participação do coral da Igreja Presbiteriana Independente para abrir e finalizar o evento.
O Governador Mauro Borges chegou acompanhado de vários secretários de estado e de outras autoridades. Sob os acordes de Aleluia de Handel, Mauro Borges foi entusiasticamente aplaudido pelos estudantes. Falaria sobre a METAGO, empresa criada por ele para normatizar pesquisas e explorar a lavra de minérios em Goiás.
O evento foi preparado para ser uma solenidade rápida, transmitida pela Rádio Carajá. Como presidente da sessão, fiz a entrega do título ao Governador e chamei para uma pequena saudação o orador do grêmio. Para não cansar a platéia, acelerando os trabalhos, passei imediatamente a palavra a José Ribeiro, estudante disciplinado e organizado, que zeloso da sua responsabilidade, ficou pelo menos três dias estudando e se informando sobre minérios.
Cumprimentou o palestrante e membros da mesa e passou a discorrer sobre minérios. Falou sobre todos eles ressaltando o níquel, sua importância no município de Niquelândia, maior produtor do Estado. O mesmo aconteceu com cristal, quando realçou o município de Cristalina. Ao falar sobre ouro, não se esqueceu de Almas, hoje Tocantins, com subsolo rico desse minério. Quando ressaltou o amianto cuja maior reserva do Brasil estava no distrito de Minaçu, município de Uruaçu foi freneticamente aplaudido pelos nortenses que estudavam no “José Ludovico de Almeida”. Outro momento de grande manifestação estudantil foi quando José Ribeiro falou sobre as pedras de Pirenópolis.
E assim o nosso orador ia destacando minérios naturais, sintéticos e compostos. Durante sua palestra, a cada aplauso recebido José Ribeiro se motivava redobrando suas informações sobre minérios. Depois passou a elogiar o homenageado, governador Mauro Borges, pela coragem cívica de criar a METAGO, colocando Goiás à frente dos demais estados brasileiros, arrancando aplausos da assistência formada por estudantes, enquanto os convidados demonstravam certo cansaço, externado principalmente pelos anapolinos que serviam ao governo Mauro Borges
Mauro havia levado muitos militantes da política anapolina para auxiliá-lo em seu mandato de governador do estado: o empresário José Abdalla, proprietário da Companhia Comercial de Automóveis – CCA, era seu secretário da Fazenda; Rivadávia Xavier Nunes, advogado, ocupou a Secretaria de Segurança Pública; Érides Guimarães, do Partido Trabalhista Brasileiro, era seu Secretário do Trabalho; o médico Luiz Fernando, Deputado Estadual residente em Anápolis, era o presidente da Assembléia Legislativa.
Ao terminar a parte ‘mineral’ de seu discurso, José Ribeiro, que também escrevia e gostava de poesia, decidiu encerrar a fala recitando poesia inédita de sua autoria, alusiva ao evento. Talvez por ser inédita, demorou bastante tempo para apresentá-la.
Terminada a fala do orador do grêmio com a hora já bastante adiantada, passei a palavra ao homenageado e conferencista especial da noite, Governador Mauro Borges Teixeira:
– Agradeço a homenagem que me presta a classe estudantil de Anápolis, por intermédio do Grêmio Literário Castro Alves. Obrigado, senhor presidente Adhemar Santillo. Quanto ao tema que deveria discorrer, faço minhas as palavras do estudante José Ribeiro, que demonstrou profundo conhecimento de todos os minérios existentes e que possam vir a ser descobertos. Parabéns e muito obrigado pela oportunidade.
Já era tarde da noite quando o evento foi encerrado com um coral sonolento e público minguado:
– Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aaaaleluia....
Grêmio Estudantil, escola de política
Os anos 60 foram particularmente propícios para atividades da política estudantil.
E foi assim a minha estréia, que num pleito difícil e histórico, ganhei as eleições, vencendo o estudante Sebastião França na disputa pela presidência do Grêmio Literário Castro Alves, do colégio estadual José Ludovico de Almeida, em Anápolis, em 1960.
Na presidência do Grêmio Literário Castro Alves consegui inúmeros avanços em benefício dos estudantes do colégio. Foi através de reivindicação do Grêmio que a quadra de esportes foi construída anexa ao colégio, pelo governo de Mauro Borges, assim como foi mobiliado o auditório de festas e teatro, que por muito tempo não tinha como ser utilizado por falta de cadeiras e outros móveis.
Com a realização do concurso para escolha da rainha dos estudantes, em que a vencedora foi Vanda Barbosa, conseguimos recursos que foram aplicados em material esportivo, livros para a biblioteca e o primeiro corpo humano desmontável para as aulas de biologia. O Grêmio Literário Castro Alves comandou todos os movimentos reivindicatórios pela melhoria da qualidade de ensino e por maiores salários para os professores. O papel do Grêmio foi fundamental em todas as ações cívicas, sociais e esportivas dos estudantes anapolinos.
Ao final do mandato, procurei um dos colegas do Grêmio para disputar a eleição e dar continuidade ao trabalho que havia sido feito. Muitos foram os pretendentes à presidência. Milton Alves Ferreira, José Abdalla Badauy e Lenine Bueno não abriram mão de disputar pelo grupo que apoiava e auxiliava minha administração. Envidei todos os esforços, com intermináveis reuniões, em busca do consenso para que apenas um deles representasse o grupo. Mesmo sem ter adversários declarados a oposição era forte e dividida como estava nossa base de apoio corríamos o risco de perder o pleito.
Esgotadas as possibilidades de uma só candidatura representando o grupo, foi elaborado um manifesto com centenas de assinaturas reivindicando que o Grêmio continuasse a sua ação progressista com a minha candidatura à reeleição.
Ainda tentei acordo com os demais postulantes do nosso próprio grupo para evitar que tivesse que disputar a reeleição, mas foi impossível conseguir unidade. Não restou outra alternativa que não fosse a de ser candidato. Meus adversários foram os próprios companheiros.
O trabalho que realizara de forma eficiente e democrática me garantiu ser reeleito presidente do Grêmio Literário Castro Alves por expressiva margem de votos.
Ao terminar minha segunda gestão como presidente do Grêmio, já quase ao final de 1963, decidi disputar a presidência da UIEA, União Independente dos Estudantes Anapolinos.
Para aquela eleição as regras foram mudadas. Nas eleições para a UIEA o presidente era eleito com os votos de delegados, representantes dos colégios da cidade, em número proporcional aos alunos de cada escola.
Os estudantes Levy Schetini e Jacy Fernandes, mudaram os estatutos de União Independente dos Estudantes Anapolinos – UIEA, para a União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis – UESA. A eleição do presidente, ao contrário das eleições anteriores, seria pelo voto direto de todos os estudantes de Anápolis.
Candidatei-me à presidência e, sem outros concorrentes, fui candidato único. A participação dos estudantes foi enorme, em todas as escolas. Mesmo sendo candidato único, poucos foram os votos nulos e brancos.
Tomei posse no final de 1963 e permaneci no cargo até 31 de março de 1964, quando foi imposto o golpe militar que destituiu o Presidente João Goulart. Nesta época todos os movimentos políticos estudantis compromissados com avanços sociais foram destituídos e arrasados.
Não foi diferente com o Grêmio Literário Castro Alves e a UESA naquele momento histórico.
Sempre enfrentei desafios
Minha mãe sempre dizia que eu era teimoso.
Desde criança, quando queria fazer alguma coisa, insistia até conseguir realizar.
Sempre fui determinado, característica que me acompanha em toda a
vida. Sempre lutei por aquilo que quero e sonho.
Ainda jovem, apaixonado por futebol, fui jogar no juvenil do Ipiranga Atlético Clube. Nesta categoria, a nossa equipe era a melhor da cidade nos anos de 1957 e 1958.
Estávamos todos preparados para ascender ao time principal, quando ouvi o presidente ipiranguista, David Esteves de Azevedo, afirmar a um grupo de amigos que ouvia na Praça do Bom Jesus o programa esportivo das 11 horas pelo auto falante da Rádio Carajá instalado no telhado do prédio onde hoje funciona o Banco Itaú, que todos do time juvenil comandado por Anastácio Ferreira Barbosa, tinham condição para integrar o time principal, menos o Adhemar.
Enfrentei a crítica como desafio, redobrei meus esforços e assumi a vaga de lateral direito no time titular. Fui o único a jogar todas as partidas do campeonato anapolino de 1959, quando fomos campeões da cidade.
Da mesma forma aconteceu na eleição para o Grêmio Literário Castro Alves, do Colégio Estadual José Ludovico de Almeida, para substituir Gil Xavier Nunes na presidência. Ninguém queria enfrentar a popularidade do estudante Sebastião França, o Zé Gia, comandante da Frente Libertadora, que havia dado vitória ao Juca Ludovico em Anápolis contra Mauro Borges, para o governo do Estado naquele ano, 1960. Sebastião França tinha grande preferência dos estudantes, mas o enfrentei vencendo o pleito por 13 votos na mais renhida e emocionante disputa registrada na história do Grêmio Castro Alves. Fiz uma administração tão eficiente e popular que culminou com minha reeleição, mesmo não sendo esse meu objetivo.
Quando trabalhava pela minha reeleição para Deputado Estadual, em 1974, assumi com determinação a candidatura a Deputado Federal para o impedir que Henrique Santillo, abandonasse a vida pública. Não havia me preparado, mas fui para a disputa num momento em que figuras tradicionais como Anapolino de Faria e José Freire se afastavam da disputa por não concordarem com os constantes casuísmos aplicados pelos ditadores de plantão. Ganhei a eleição como o segundo mais votado do MDB. Henrique o mais votado Deputado Estadual.
Numa bancada com aproximadamente 100 deputados federais, com apenas dois anos de convivência parlamentar na área federal, integrante de uma pequena bancada composta por 5 deputados eleitos pelo MDB, enfrentei a disputa interna no partido para o preenchimento da mais importante função do MDB na mesa diretora da Câmara dos Deputados, a vice-presidência. Com a garra de leão, cheguei ao final do primeiro escrutínio em 2º lugar. A bancada federal havia decidido que o representante do partido seria escolhido pela maioria absoluta dos votantes. Ninguém conseguiu a maioria absoluta na primeira votação. Disputei e venci Getulio Dias, integrante do grupo autêntico, por larga margem de votos. Fui eleito num pleito considerado por parlamentares e pela imprensa nacional como surpreendente.
Depois de ter sido convidado por Iris Rezende para ser seu vice-governador, nas eleições de 1982, honraria da qual abri mão para não prejudicar a possível candidatura de Henrique Santillo ao governo em 1986, fui convidado por Iris, antes mesmo do pleito realizado, para ser seu secretário de educação. Aceitei de pronto e me preparei para a missão que muitos consideravam que eu não desempenharia bem. Até hoje tenho o orgulho de ser aclamado pelas lideranças políticas e educacionais como o realizador de grande administração.
Enfrentei com muita disposição uma cirurgia de grande porte para retirar um tumor maligno, uma pinta no rosto diagnosticada como melanoma, que foi descoberto pelo dr. Jorge Mateus Simões, a quem devo o alerta que salvou minha vida. Depois de uma campanha eleitoral para a prefeitura de Anápolis, na qual não tive sucesso, fui ao dermatologista para tratar de umas manchas no braço. O médico dermatologista dr. Jorge medicou-me dizendo ser as manchas em questão sem importância, mas pediu-me que tirasse uma pinta no rosto. A pequena cirurgia foi realizada pelo dr. Evaristo Bueno que por precaução encaminhou o material para biópsia. O exame detectou melanoma grau III, tumor de grande gravidade.
A dra. Maria Paula Curado, auxiliada pelo dr. Roberto Di Conti, no Hospital Santa Helena, em Goiânia, fizeram o esvaziamento em meus rosto e axila, num procedimento demorado. Após todo o processo operatório, sei que a minha determinação, a competência da equipe médica e a vontade de Deus, me deram nova chance de vida.
Estas determinação e responsabilidade em concluir todas as tarefas que me proponho a realizar são virtudes que carrego desde meus tempos de juventude.
Não tendo o costume de fazer as tarefas pela metade, me inscrevi, com mais de 30 concorrentes, para uma prova de corrida para pedestres, de 8 mil metros, nos festejos de aniversário de Anápolis. A largada aconteceu em frente ao cine Santana, na Praça do Bom Jesus. A chegada foi marcada para o mesmo local. Fiz todo o trajeto com muita dedicação e força de vontade, embora muito atrás do campeão e vice. Cheguei ao final. Uma pequena assistência me aplaudiu freneticamente quando Antonio Abrão Isaac, o Tonico Isaac, e Jahudeir Lobo, o Esquerdinha, cronometrista da prova, anunciaram pela Rádio Carajá, que transmitia a corrida:
– Parabéns! Parabéns! Adhemar Santillo, atleta do Ipiranga, venceu pela persistência. Chegou em 3º lugar e leva como prêmio uma caneta.
Com a chegada quase que simultânea do campeão e do vice, os demais corredores desistiram. Eu fui até o fim, mesmo chegando muito tempo depois, quando muitos achavam até que a corrida já havia terminado e por isso já não havia quase ninguém para assistir minha façanha, além, é claro, dos árbitros da prova.
Como líder estudantil, presidente do Grêmio Literário Castro Alves, do Colégio Estadual José Ludovico de Almeida ou Presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis, sempre fui bastante atuante e batalhador. Essa prática geralmente causa atritos com os administradores escolares ou dos setores questionados. Nunca tive intenção de contrapor a ninguém por capricho pessoal ou por futilidades, procurando sempre agir com justiça.
Walmir Bastos Ribeiro, na época líder estudantil e posteriormente eleito por sete vezes consecutivas vereador pelo MDB e PMDB, havia sido reprovado por não haver conseguido a nota mínima em francês, matéria facultativa no currículo do 2º grau, mas constante no currículo do Colégio Estadual José Ludovico de Almeida. No ano seguinte teria que repetir a mesma série pela reprovação em francês. Antes que as aulas iniciassem a Secretaria Estadual de Educação decidiu que naquele ano, o seguinte ao da reprovação do Walmir, francês seria excluído do currículo. A direção do colégio insistia na sua reprovação. Tive que recorrer até ao Conselho Estadual de Educação para reformar a decisão da Diretoria do Colégio garantir sua aprovação, visto que a matéria em que fora reprovado não contaria mais do currículo. Aprovado, Walmir Bastos Ribeiro ficou conhecido entre os estudantes como o aluno que passou por decreto.
Com o golpe militar de 1964 fui afastado da presidência da UESA – União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis, cuidando apenas dos meus estudos e do trabalho como cronista esportivo e redator para o rádio jornalismo. Concluí naquele ano de 1964 o curso cientifico. Fiz a inscrição para o exame ao vestibular da Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis, FACEA. O curso científico do Colégio Estadual dava base de conhecimento para que alunos tivessem sucesso no vestibular, sem necessidade de “cursinhos”. Vários daqueles alunos passavam nos exames ao vestibular de medicina, engenharia, economia em Universidades concorridas. Como eu me sentia bem preparado na área de ciências exatas, prestei vestibular para a FACEA, Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis, que era procurada também por concluintes de cursos normall ou clássico sem muito preparo nesta área. Em matérias como Literatura Brasileira, Geografia, História meu desempenho foi ótimo, segundo afirmaram os professores dessas matérias. Em Matemática o Professor Hermógenes apresentou questões que estavam à altura de serem respondidas por qualquer concluinte de segundo grau.
Realizadas as provas escrita e oral, foi apresentada a relação dos aprovados. Como meu nome não contava entre os aprovados, indignado, pedi revisão de provas da matéria, sendo atendido pela comissão de avaliação. Não foi feita a revisão da prova, mas deram-se a oportunidade de realizá-la novamente, com o mesmo professor. Dia e horário acertados compareci à Faculdade acompanhado do estudante Gil Ferreira que havia sido aprovado no vestibular e fora meu colega no Colégio Estadual. Hermógenes apresentou como observadores os professores Roland Vieira Nunes, José da Cunha Bastos e Maura Helena Simões. Reagi:
- Professor, mesmo tendo respeito pelo trio de professores que
senhor apresenta, sugiro que Gil Ferreira também assista a prova, porque conhece a matéria.
Sem contestação foi aceita minha indicação e passamos às provas. Foram feitas cinco questões, todas desenvolvidas integralmente. Encerrado o questionamento, pensando que estava resolvida a prova,. Hermógenes sentenciou:
- O senhor confirmou a nota da prova oral.
- Quanto foi a nota?
- O senhor está com quatro.
Quase perdi a paciência, mas controlei e perguntei:
- Professor, de quanto eu vou precisar na prova escrita para garantir minha aprovação?
- O senhor vai precisar de no mínimo quatro pontos.
- Professor, agora o senhor venha com tudo porque não vai conseguir o intento de me reprovar.
- Você prefere responder 10 perguntas de um ponto cada ou cinco perguntas valendo dois pontos cada uma?
Preferi responder dez questões valendo um ponto cada uma.
Quando havia respondido quatro perguntas, senti que havia escorregado na resposta de uma delas. Hermógenes buscou a parte mais complexa e difícil do curso secundário, para formular as questões. Algumas delas o quadro negro não comportava o desenvolvimento e a resposta. Ao responder a quinta questão, indaguei:
- Professor, quantos pontos eu tenho até agora?
- Nesta prova o senhor já tem quatro pontos.
- Estou satisfeito, não quero responder o restante das questões.
Dali fui para a Praça do Bom Jesus onde os calouros e veteranos da FACEA faziam a festa do trote para os aprovados. Tive, como os demais a cabea raspada, o rosto pintado e comemorei alegremente com os aprovados. Matriculei-me e fui à aula no primeiro dia letivo. Despedi-me dos colegas e nunca mais retornei à FACEA como aluno.
Voltei à FACEA em 1983 como Secretário de Educação de Goiás para ajudar a instituição sair do caos em que se encontrava, não tendo obtido apoio necessário dos governos anteriores. Ainda como Secretário implantei seis cursos de Licenciatura naquela unidade, propiciando a criação do embrião da futura UNIANA, hoje UEG.
