Desde o instante em que a mula que fazia parte da tropa comandada por dona Ana empacou, se negando terminantemente a prosseguir viagem, sem que antes se descobrisse que na bruaca que portava estava uma imagem de Santana, sinalizando pela atitude do animal, que ali deveria ser erguida uma capela em louvor à santa, iniciou-se a história de Anápolis, a mais importante cidade do interior goiano e uma das mais pujantes do Brasil.
Anápolis foi emancipada em 3l de julho de 1907. Desmembrada de Pirenópolis, nasceu com enorme área territorial formada por terra de cultura e cerrado. Graças ao fácil manejo da terra e privilegiada localização geográfica, o município tornou-se rapidamente em um importante celeiro agrícola-pecuário. No início, com plantio de arroz, feijão e milho, lavouras sazonais, aliado a lavouras permanentes de café e banana, além de magnífica bacia leiteira. Por longo tempo, a principal atividade econômica municipal saía do setor rural. Fortíssimo, ao mesmo tempo, foi sua indústria ceramista.
Aos poucos, principalmente com a chegada da rede férrea à cidade, em 1935, se transformou no principal polo comercial da região central do País. Os principais cerealistas do Estado montaram seus armazéns de compra e venda de cereais em Anápolis. Utilizavam intensamente o mais eficiente sistema de transporte que existia no Brasil. Isso amenizou esvaziamento territorial que enfrentou, com o surgimento de novos municípios saídos do seu território, como Nerópolis, Brazabrantes, Nova Veneza, Damolândia, Ouro Verde, Goianápolis-Teresópolis e, mais recentemente, Campo Limpo de Goiás. De toda área territorial da época da emancipação política, Anápolis conta hoje com menos de um mil quilômetros quadrados.
De maior entreposto de cereais do Centro-Oeste, Anápolis viu essa sua liderança comprometida a partir do instante em que o governo federal entrou na compra de cereais, pela Conab, Cobal e outros órgãos criados pelo governo federal, no controle de estoque para a regulamentação do mercado interno. Os comerciantes, na compra, venda e beneficiamento de produtos agrícolas, se transformaram em grandes atacadistas de produtos alimentícios industrializados.
O prefeito Raul Balduino de Souza, na década de 60, sentindo que havia entre habitantes municipais vocação à atividade industrial, realizou a 1ª Feira Industrial de Anápolis, em 1968. Ao substituí-lo na prefeitura, Henrique Santillo decretou como área de utilidade pública, a fim de desapropriação futura, para instalar distrito industrial do município, local onde se encontra o Daia. Área foi desapropriada no início dos anos 70, pelo governador Leonino Caiado. Foi da autoria de Leonino a Lei nº 7.700, concedendo incentivo fiscal ao setor industrial no Estado. Primeira indústria do Daia, dentro dos benefícios da Lei 7.700, a empresa catarinense Cecrisa. Irapuan Costa Jr. construiu no Daia a mais importante estrutura dos distritos industriais do Centro-Oeste. Iris Rezende Machado, com a Lei do Fomentar, e Marconi Perillo, com o Produzir, o consolidaram como maior polo industrial goiano. Além do seu poderoso parque industrial, o Daia conta com o Porto Seco do Centro-Oeste. Estrutura-se para abrigar a Plataforma Multimodal. Anápolis, como marco zero da Rodovia Belém-Brasília, promoveu a integração nacional e consolidou a união do povo brasileiro, reforça essas conquistas quando também será o marco zero da Ferrovia Norte-Sul. Via férrea de integração e união nacional.
Na década de 70, Anápolis recebeu a Base Aérea dos Mirage. Utilizada pela Aeronáutica para a Defesa do Espaço Aéreo Brasileiro. Serviços ampliados para a Vigilância de toda região Amazônia.
Dois grandes desafios enfrentados por Anápolis aconteceram com Pedro Ludovico ao construir Goiânia, na década de 30, e construção de Brasília, na década de 50, por Juscelino Kubitschek. Homens e materiais de construção para a consolidação dessas duas grandes capitais saíram de Anápolis. Quando muitos profetizavam negativamente que com isso ela se tornaria “cidade-dormitório”, superou-se desenvolvendo muito mais.
Ao lado dos governadores Iris Rezende Machado e Henrique Santillo, dotamos Anápolis de toda infraestrutura para transformá-la no importante centro educacional que hoje representa. Ainda com Henrique Santillo, dotamos a cidade do moderno e eficiente serviço de esgoto sanitário.
Na política, o município se destacou como a mais importante trincheira dos defensores das liberdades democráticas em Goiás e numa das mais importantes do Brasil, na resistência à ditadura de março de 1964. Os vice-governadores Jonas Duarte e Onofre Quinan, que assumiram o governo; Ursulino Leão, vice de Leonino Caiado; e o governador Henrique Santillo moravam e tinham o domicílio eleitoral em Anápolis. Dezenas de deputados federais e estaduais representaram o município. Senadores e até Henrique Santillo, ministro da Saúde, no governo Itamar Franco, representaram Goiás, a partir de Anápolis.
Anápolis é uma cidade acolhedora. Não se tem notícia de qualquer ato de racismo ou preconceito contra quem quer que seja. Integrantes de inúmeras nacionalidades, migrantes de todas as regiões do País, nela residem e trabalham, devidamente integrados com os que nela nasceram. É a verdadeira união nacional. União que tem dado certo e produzido frutos importantes para seu desenvolvimento e consolidação.
Parabéns, Anápolis, pelos seus 105 anos de emancipação política.
Salve o bravo povo anapolino!
(Diário da Manhã - 02/08/2012)
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O terceiro lugar
Em 1972, o prefeito Henrique Santillo desejando modernizar e ampliar o serviço de água e esgoto do município de Anápolis, pleiteou financiamento junto à Caixa Econômica Federal. Administrava o serviço, a Superintendência Municipal de Saneamento-Sumsan. Esbarrou na exigência da Caixa, de só financiar projetos que pertencessem às empresas estaduais. Não tendo alternativa, e para não prejudicar a população, o prefeito transferiu para a Saneago o comando do serviço de água e esgoto e todo o patrimônio que pertencia à Sumsan.
Como Governador, em 1987, portanto há 24 anos, o destino reservou a Henrique Santillo realizar o que planejara como prefeito. Implantou no Município importante sistema de captação e tratamento do esgoto domiciliar. Foram aplicados mais de cem milhões de dólares. A maior obra pública realizada em favor da população de Anápolis em todos os tempos. Tudo financiado pela Caixa Econômica Federal. A rede coletora que existia, até então, atendendo precariamente ao setor central da Cidade, foi toda refeita por rede moderna, resistente e de grande vazão. Todos os bairros existentes e minimamente habitados foram beneficiados. Quase toda a área territorial urbana existente recebeu o serviço de esgoto. O sistema recebeu moderníssima estação de tratamento. Sepultado de uma vez por todas o esgotamento, sem qualquer tratamento, esgoto que era despejado no Córrego Antas sem tratamento, agora voltava com águas cristalinas ao leito do referido curso d’água.
Esse serviço extraordinário aliado ao abastecimento de água potável às regiões da Jaiara, Alexandrina, Boa Vista, Santa Isabel, Jardim América, Santa Maria de Nazareth, Fabril e dezenas de outras, pelo sistema do Ribeirão Piancó, realizado na administração de Íris Rezende Machado, foi marcante para se melhorar as condições de vida dos anapolinos. Os mais de quatro milhões de metros quadrados que fizemos de asfaltamento na cidade consolidaram essa melhoria. Mortalidade infantil caiu. Doenças respiratórias e todas aquelas originárias da falta infraestrutura sanitária como diarréia, hepatites, dengue e poliomielite foram reduzidas a níveis das cidades desenvolvidas.
Passados 24 anos da execução daqueles serviços, pouco ou quase nada foi acrescido ao que existia. A extensão do serviço de água potável que houve, foi realizada na administração de Maguito Vilela, governador e nossa como prefeito, em 1998. Aproveitando o excedente da água do Distrito Agro Industrial de Anápolis-DAIA foram atendidos bairros como Santo André, São João, Calixtolândia, Pólo Centro, Vivian Parque, Calixtópolis, Vila União, Paraíso, Novo Paraíso, Parque das Primaveras, Mariana e outros. Atendimento que é emergencial e precário poderá ir ao colapso com a inclusão do Residencial Copacabana, com 1300 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, que também será abastecido pelo mesmo sistema do DAIA.
Essa falta de investimento em saneamento em Anápolis nestes últimos 24 anos, conforme dados do Sistema de Informações em Saúde, do Ministério da Saúde, está provocando graves consequências à saúde dos anapolinos. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, sobre Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, em municípios com mais de 300 mil habitantes, revela que Anápolis está entre os município com a maior incidência de diarréia, provocada por falta de saneamento. São 325,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes. Três vezes mais que a média brasileira de 107,4 internações por diarréia, para cada grupo de 100 mil habitantes. O Município ocupa o lamentável 8º lugar, em nível nacional, sobre pessoas com diarréia, por falta de saneamento. Quando se trata dos custos dessas internações para a saúde pública, a diarréia causada pela falta de saneamento em Anápolis fica em 3º lugar. Só gastam mais que Anápolis, no tratamento à diarréia, Vitória da Conquista (BA) e Maceió (AL).
Anápolis em 2003, treze anos após Henrique Santillo ter construído essa importante obra, ocupava o 16º lugar entre os municípios goianos mais bem servidos pelo serviço de esgoto. Em 2008, data em que a pesquisa foi realizada pelo Ministério da Saúde, caiu para a 47ª posição. Culpa da falta de investimento em saneamento e expansão desordenada de novos loteamentos. População convivendo com fossas e cisternas, sofrendo diversas doenças que já não existem no mundo civilizado. Hoje, pelo exagerado crescimento urbano e ausência de saneamento, a situação é mais dramática que em 2008. Está passando da hora de o poder público agir, tomando as necessárias providências. Anápolis que já foi referência de cidade mais bem servida com saneamento em Goiás, ocupa, hoje, o humilhante terceiro lugar no Brasil, em gastos com internações por diarréia, pela falta de infraestrutura sanitária. Essa posição é um dado relevante de alerta. Não podemos deixar que o troféu de campeão nacional da diarréia venha para Anápolis na próxima pesquisa.
Como Governador, em 1987, portanto há 24 anos, o destino reservou a Henrique Santillo realizar o que planejara como prefeito. Implantou no Município importante sistema de captação e tratamento do esgoto domiciliar. Foram aplicados mais de cem milhões de dólares. A maior obra pública realizada em favor da população de Anápolis em todos os tempos. Tudo financiado pela Caixa Econômica Federal. A rede coletora que existia, até então, atendendo precariamente ao setor central da Cidade, foi toda refeita por rede moderna, resistente e de grande vazão. Todos os bairros existentes e minimamente habitados foram beneficiados. Quase toda a área territorial urbana existente recebeu o serviço de esgoto. O sistema recebeu moderníssima estação de tratamento. Sepultado de uma vez por todas o esgotamento, sem qualquer tratamento, esgoto que era despejado no Córrego Antas sem tratamento, agora voltava com águas cristalinas ao leito do referido curso d’água.
Esse serviço extraordinário aliado ao abastecimento de água potável às regiões da Jaiara, Alexandrina, Boa Vista, Santa Isabel, Jardim América, Santa Maria de Nazareth, Fabril e dezenas de outras, pelo sistema do Ribeirão Piancó, realizado na administração de Íris Rezende Machado, foi marcante para se melhorar as condições de vida dos anapolinos. Os mais de quatro milhões de metros quadrados que fizemos de asfaltamento na cidade consolidaram essa melhoria. Mortalidade infantil caiu. Doenças respiratórias e todas aquelas originárias da falta infraestrutura sanitária como diarréia, hepatites, dengue e poliomielite foram reduzidas a níveis das cidades desenvolvidas.
Passados 24 anos da execução daqueles serviços, pouco ou quase nada foi acrescido ao que existia. A extensão do serviço de água potável que houve, foi realizada na administração de Maguito Vilela, governador e nossa como prefeito, em 1998. Aproveitando o excedente da água do Distrito Agro Industrial de Anápolis-DAIA foram atendidos bairros como Santo André, São João, Calixtolândia, Pólo Centro, Vivian Parque, Calixtópolis, Vila União, Paraíso, Novo Paraíso, Parque das Primaveras, Mariana e outros. Atendimento que é emergencial e precário poderá ir ao colapso com a inclusão do Residencial Copacabana, com 1300 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, que também será abastecido pelo mesmo sistema do DAIA.
Essa falta de investimento em saneamento em Anápolis nestes últimos 24 anos, conforme dados do Sistema de Informações em Saúde, do Ministério da Saúde, está provocando graves consequências à saúde dos anapolinos. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, sobre Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, em municípios com mais de 300 mil habitantes, revela que Anápolis está entre os município com a maior incidência de diarréia, provocada por falta de saneamento. São 325,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes. Três vezes mais que a média brasileira de 107,4 internações por diarréia, para cada grupo de 100 mil habitantes. O Município ocupa o lamentável 8º lugar, em nível nacional, sobre pessoas com diarréia, por falta de saneamento. Quando se trata dos custos dessas internações para a saúde pública, a diarréia causada pela falta de saneamento em Anápolis fica em 3º lugar. Só gastam mais que Anápolis, no tratamento à diarréia, Vitória da Conquista (BA) e Maceió (AL).
Anápolis em 2003, treze anos após Henrique Santillo ter construído essa importante obra, ocupava o 16º lugar entre os municípios goianos mais bem servidos pelo serviço de esgoto. Em 2008, data em que a pesquisa foi realizada pelo Ministério da Saúde, caiu para a 47ª posição. Culpa da falta de investimento em saneamento e expansão desordenada de novos loteamentos. População convivendo com fossas e cisternas, sofrendo diversas doenças que já não existem no mundo civilizado. Hoje, pelo exagerado crescimento urbano e ausência de saneamento, a situação é mais dramática que em 2008. Está passando da hora de o poder público agir, tomando as necessárias providências. Anápolis que já foi referência de cidade mais bem servida com saneamento em Goiás, ocupa, hoje, o humilhante terceiro lugar no Brasil, em gastos com internações por diarréia, pela falta de infraestrutura sanitária. Essa posição é um dado relevante de alerta. Não podemos deixar que o troféu de campeão nacional da diarréia venha para Anápolis na próxima pesquisa.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Raul Balduíno e o MDB (Final)
Vencida a eleição de 1965, Raul Balduíno deu início à sua administração. Combatido tenazmente pelos adversários, o prefeito não se deixou abater. Contando com significativa maioria na Câmara Municipal, quando o MDB elegeu dez dos quinze vereadores em 1966, teve tranquilidade para administrar. Henrique Santillo ao lado de Laudo Puglisi, João Furtado de Mendonça, João Luiz de Oliveira, Adão Mendes Ribeiro, Amador Abdalla, Raimundo de Oliveira Lima, Homero Batista, Oscar Miotto e Walmir Bastos transformaram o clima no Legislativo no mais favorável possível ao prefeito.
Durante quase todos os quatro anos de mandato os vereadores trabalharam sem remuneração. Quando os antigos partidos foram extintos, dando lugar a Arena e MDB, a legislação eleitoral foi alterada, só permitindo remuneração para os vereadores em cujos municípios houvessem no mínimo 100 mil habitantes. A população anapolina, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, não havia chegado aos 100 mil. Mesmo assim, foi a mais produtiva de todas as legislaturas na avaliação de jornalistas e analistas políticos.
Com pequenos recursos e inúmeros problemas a resolver, Raul deu grande impulso ao desenvolvimento municipal. Foi na sua administração que se realizou a primeira Feira da Amostra da Indústria Anapolina – Faiana. O evento aconteceu no parque de exposição agropecuária. A indústria em Anápolis era pequena, se concentrando mais nas máquinas de beneficiar arroz e cerâmicas. Fora disso, algumas outras de pequena dimensão. Com a Faiana, a economia municipal se despertou para a excelente posição geográfica da cidade, própria mesmo para se transformar em grande pólo industrial. Coração do Brasil, entroncamento das regiões Sul e Norte.
Ao suceder Raul Balduíno, o prefeito Henrique Santillo não só deu continuidade às feiras industriais, como considerou de utilidade pública, para efeito de desapropriação, a área de terra onde hoje se encontra instalado o Daia. Leonino Caiado, governador do Estado, desapropriou a área e instalou a primeira industria no local, pela Lei de incentivos fiscais nº 7.700: a fábrica de azulejos Cecrisa, atual Cemina. No governo Irapuan Costa Júnior foi edificado o Daia, o mais completo Distrito Industrial do Estado. O distrito industrial se consolidou com a Lei Fomentar, na administração Iris Rezende e Produzir, no governo Marconi Perillo.
Raul Balduíno construiu os primeiros conjuntos habitacionais de Anápolis, com financiamento do Banco Nacional de Habitação – BNH. O Conjunto Raul Balduíno, ao lado do Estádio Jonas Duarte e Vila Formosa. Na sua administração o Estádio dos Amadores, o Zéca Puglisi, foi construído. Vereador Laudo Puglisi (MDB), autor da lei propondo sua construção. A meu pedido, à época presidente da Liga Anapolina de Desportos, construída a sede própria da LAD, nas dependências do novo estádio. O primeiro Pronto Socorro da cidade, obra de Raul Balduíno, transformado mais tarde por Jamel Cecílio, em Hospital Municipal. Dotou zona rural municipal de infraestrutura, com abertura e conservação de estradas, construção de pontes e mata-burros. Auxiliou os pequenos proprietários rurais com açudes, cascalhamento de currais e estradas vicinais. Além da escola Elzira Balduíno, no Bairro Maracanã, fortaleceu com mais escolas os bairros e zona rural. Fez administração admirável e de grande alcance social.
Ao final da sua administração, tinha preferência pela candidatura do delegado de polícia Thales Reis à prefeitura. Thales, genro do coronel Achiles de Pina, grande líder da política municipal. Raul se dobrou à vontade da maioria da população que queria Henrique Santillo. Apoiou Santillo, tendo Thales Reis como seu vice-prefeito. Poderia ter ingressado na Arena, como normalmente faziam os políticos, principalmente ocupantes de cargo Executivo. Preferiu filiar-se ao MDB, mesmo depois da cassação de Iris Rezende Machado, prefeito de Goiânia, em 1969. Era o mais cotado para ser o vice de Iris Rezende Machado ao governo de Goiás nas eleições de 1970. Com a cassação de Iris e a eleição para o governo, transformada em eleição indireta pela Assembleia Legislativa, foi candidato ao Senado, ao lado de Gerson de Castro Costa e Pedro Ludovico Júnior. A Arena elegeu os três senadores, Osires Teixeira, Benedito Ferreira e Emival Caiado. Nas vagas deixadas por Juscelino Kubitschek, Pedro Ludovico e José Feliciano Ferreira. Três vagas porque Ludovico e Juscelino haviam sido cassados enquanto José Feliciano terminava seu mandato. Raul Balduino de Souza foi muito importante na luta dos brasileiros pela queda da ditadura.
Durante quase todos os quatro anos de mandato os vereadores trabalharam sem remuneração. Quando os antigos partidos foram extintos, dando lugar a Arena e MDB, a legislação eleitoral foi alterada, só permitindo remuneração para os vereadores em cujos municípios houvessem no mínimo 100 mil habitantes. A população anapolina, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, não havia chegado aos 100 mil. Mesmo assim, foi a mais produtiva de todas as legislaturas na avaliação de jornalistas e analistas políticos.
Com pequenos recursos e inúmeros problemas a resolver, Raul deu grande impulso ao desenvolvimento municipal. Foi na sua administração que se realizou a primeira Feira da Amostra da Indústria Anapolina – Faiana. O evento aconteceu no parque de exposição agropecuária. A indústria em Anápolis era pequena, se concentrando mais nas máquinas de beneficiar arroz e cerâmicas. Fora disso, algumas outras de pequena dimensão. Com a Faiana, a economia municipal se despertou para a excelente posição geográfica da cidade, própria mesmo para se transformar em grande pólo industrial. Coração do Brasil, entroncamento das regiões Sul e Norte.
Ao suceder Raul Balduíno, o prefeito Henrique Santillo não só deu continuidade às feiras industriais, como considerou de utilidade pública, para efeito de desapropriação, a área de terra onde hoje se encontra instalado o Daia. Leonino Caiado, governador do Estado, desapropriou a área e instalou a primeira industria no local, pela Lei de incentivos fiscais nº 7.700: a fábrica de azulejos Cecrisa, atual Cemina. No governo Irapuan Costa Júnior foi edificado o Daia, o mais completo Distrito Industrial do Estado. O distrito industrial se consolidou com a Lei Fomentar, na administração Iris Rezende e Produzir, no governo Marconi Perillo.
Raul Balduíno construiu os primeiros conjuntos habitacionais de Anápolis, com financiamento do Banco Nacional de Habitação – BNH. O Conjunto Raul Balduíno, ao lado do Estádio Jonas Duarte e Vila Formosa. Na sua administração o Estádio dos Amadores, o Zéca Puglisi, foi construído. Vereador Laudo Puglisi (MDB), autor da lei propondo sua construção. A meu pedido, à época presidente da Liga Anapolina de Desportos, construída a sede própria da LAD, nas dependências do novo estádio. O primeiro Pronto Socorro da cidade, obra de Raul Balduíno, transformado mais tarde por Jamel Cecílio, em Hospital Municipal. Dotou zona rural municipal de infraestrutura, com abertura e conservação de estradas, construção de pontes e mata-burros. Auxiliou os pequenos proprietários rurais com açudes, cascalhamento de currais e estradas vicinais. Além da escola Elzira Balduíno, no Bairro Maracanã, fortaleceu com mais escolas os bairros e zona rural. Fez administração admirável e de grande alcance social.
Ao final da sua administração, tinha preferência pela candidatura do delegado de polícia Thales Reis à prefeitura. Thales, genro do coronel Achiles de Pina, grande líder da política municipal. Raul se dobrou à vontade da maioria da população que queria Henrique Santillo. Apoiou Santillo, tendo Thales Reis como seu vice-prefeito. Poderia ter ingressado na Arena, como normalmente faziam os políticos, principalmente ocupantes de cargo Executivo. Preferiu filiar-se ao MDB, mesmo depois da cassação de Iris Rezende Machado, prefeito de Goiânia, em 1969. Era o mais cotado para ser o vice de Iris Rezende Machado ao governo de Goiás nas eleições de 1970. Com a cassação de Iris e a eleição para o governo, transformada em eleição indireta pela Assembleia Legislativa, foi candidato ao Senado, ao lado de Gerson de Castro Costa e Pedro Ludovico Júnior. A Arena elegeu os três senadores, Osires Teixeira, Benedito Ferreira e Emival Caiado. Nas vagas deixadas por Juscelino Kubitschek, Pedro Ludovico e José Feliciano Ferreira. Três vagas porque Ludovico e Juscelino haviam sido cassados enquanto José Feliciano terminava seu mandato. Raul Balduino de Souza foi muito importante na luta dos brasileiros pela queda da ditadura.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Irapuan Costa Júnior fez a diferença
As vitórias sucessivas (quatro, entre 1966 e 1972 ) e cada vez mais expressivas do MDB em Anápolis levaram o presidente Emílio Garrastazu Médici a cassar o mandato do prefeito José Batista Júnior (MDB) e transformar o município em Área de Segurança Nacional, em 28 de agosto de 1973. Foi a desesperada tentativa do regime arbitrário de conter avanço santillista. Milton Alves, vice-prefeito, foi impedido de assumir o cargo. O engenheiro Irapuan Costa Júnior, desconhecido do meio político, nomeado prefeito. Residente em Goiânia, sem militância política destacada, partiu para a difícil tarefa de administrar uma das cidades mais convictas no combate à ditadura. A mais importante cidade do interior goiano. Cidade conhecida por ter MDB aguerrido e combativo. Cidade que, em várias oportunidades, dera prova de ser a favor pelas liberdades democráticas.
Irapuan, por não ser político militante, montou seu secretariado com pessoas influentes e bem-sucedidas na iniciativa privada. Sem se preocupar se eram arenistas ou não. Evitou radicalismo político. Não teve tempo para executar obras de destaque. Seu período como prefeito foi muito curto. Atuou mais politicamente que no setor administrativo. O governo federal tinha missão maior reservada para ele: suceder Leonino Caiado. Se sua indicação para a Prefeitura de Anápolis surpreendeu a prória Arena, na escolha para o governo, não houve surpresa. Desde que chegou à prefeitura, ninguém tinha dúvidas de que ali estava o futuro governador. Seu gabinete transformou-se em visitação obrigatória das lideranças arenistas. Leonino Caiado tinha preferência por Manoel dos Reis, prefeito de Goiânia, mas Brasília queria Irapuan.
Durante os 12 anos em que Anápolis foi considerada Área de Segurança Nacional (de 1973 a 1985), passaram pela prefeitura oito nomeados: Irapuan Costa Júnior, Eurípedes Junqueira, Jamel Cecílio, Lincoln de Almeida, Decil de Sá Abreu, Wolney Martins, Olímpio Ferreira Sobrinho e Anapolino de Faria.
Mesmo recebendo com simpatia sua forma suprapartidária de administrar, a população continuou votando contra. Sempre derrotando a Arena, dando vitórias consagradoras ao MDB. Em 1974, com Irapuan já escolhido governador, a derrota arenista em Anápolis foi arrasadora. Durante o período em que a cidade ficou sem autonomia política, o MDB só foi derrotado em 1976, eleição para vereadores, na administração Jamel Cecílio: Arena 8 X 7 MDB. Nas demais, vitórias do MDB.
O Movimento Democrático Brasileiro, ligado ao grupo Santillo, fez oposição a todos os nomeados, como representantes que eram do autoritarismo em Anápolis. Combate em todos os campos de ação. O santillismo se opunha aos nomeados a partir de Irapuan, nas tribunas, comícios, concentrações e simpósios, além do programa radiofônico O povo falou, tá falado.
Assumindo o governo estadual, Irapuan, com sua visão desenvolvimentista e em agradecimento ao povo anapolino, construiu o mais completo e moderno distrito industrial do Centro-Oeste: Distrito Agroindustrial de Anápolis – Daia. Instrumento fundamental para a consolidação do município como o maior polo industrial do Estado. Hoje, a mais importante obra do governo Irapuan abastece mais de 50 mil habitantes, com graças ao extraordinário reservatório e estação de água tratada no Daia. As 1.300 casas do programa Minha Casa, Minha Vida do Conjunto Copacabana serão abastecidas com água do distrito industrial.
Embora sempre combatido, Irapuan não guardou qualquer tipo de mágoa ou ressentimento. Com o passar do tempo, tornou-se amigo fraterno e solidário de Henrique Santillo. Transformou-se em destacado representante de Goiás e defensor da administração Santillo no Senado. Com o distanciamento político de Santillo e Iris Rezende Machado, ficou com Santillo. Irapuan atuou intensa e competentemente para que o PP indicasse Henrique Santillo ao Ministério da Saúde na administração Itamar Franco.
Algumas ações de Irapuan Costa Júnior são pouco conhecidas do grande público. Em 1975, como governador do Estado, enviou proposta de emenda constitucional à Assembleia Legislativa, extinguindo dispositivo que assegurava aos ex-governadores goianos pensão vitalícia. Remuneração idêntica a paga mensalmente a um desembargador do Tribunal de Justiça. A Constituição Estadual, adaptada à Constituição Federal, foi outorgada pelo governador Otávio Lage. A Assembleia Legislativa, em 1969, época da sua elaboração, estava fechada por decisão do governo federal. A Constituição Federal, outorgada por uma junta militar, garantia aos ex-presidentes da República pensão vitalícia equivalente ao salário de ministro do Supremo Tribunal Federal. A goiana privilegiava, com seu artigo 141, os ex-governadores, mesmo sem recolher um centavo ao Ipasgo ou ao Tesouro Estadual. Foi Irapuan Costa Júnior quem eliminou esse escandaloso privilégio, propondo a sua revogação. Eliminando privilégio a políticos, sua atitude até hoje repercute. Não há outra semelhante em todo o Brasil. Não foi promessa de campanha, pois foi nomeado. Não necessitou do voto popular. Abriu mão da polpuda pensão que a Constituição do Estado lhe assegurava ao se transformar, quatro anos à frente – 1979 –, em ex-governador. Abriu mão do direito a aposentadoria que seus antecessores recebiam. Irapuan Costa Júnior, mesmo chegando ao poder sem o voto popular, ouviu o clamor das ruas.
Esse fato se torna mais relevante quando, neste instante, a imprensa noticia que até o senador Álvaro Dias, um dos mais combativos senadores do PSDB, está reivindicando, retroativamente, mais de um milhão e seiscentos mil reais do Tesouro paranaense, com base em pensão vitalícia, por ter governado o Paraná.
Irapuan, por não ser político militante, montou seu secretariado com pessoas influentes e bem-sucedidas na iniciativa privada. Sem se preocupar se eram arenistas ou não. Evitou radicalismo político. Não teve tempo para executar obras de destaque. Seu período como prefeito foi muito curto. Atuou mais politicamente que no setor administrativo. O governo federal tinha missão maior reservada para ele: suceder Leonino Caiado. Se sua indicação para a Prefeitura de Anápolis surpreendeu a prória Arena, na escolha para o governo, não houve surpresa. Desde que chegou à prefeitura, ninguém tinha dúvidas de que ali estava o futuro governador. Seu gabinete transformou-se em visitação obrigatória das lideranças arenistas. Leonino Caiado tinha preferência por Manoel dos Reis, prefeito de Goiânia, mas Brasília queria Irapuan.
Durante os 12 anos em que Anápolis foi considerada Área de Segurança Nacional (de 1973 a 1985), passaram pela prefeitura oito nomeados: Irapuan Costa Júnior, Eurípedes Junqueira, Jamel Cecílio, Lincoln de Almeida, Decil de Sá Abreu, Wolney Martins, Olímpio Ferreira Sobrinho e Anapolino de Faria.
Mesmo recebendo com simpatia sua forma suprapartidária de administrar, a população continuou votando contra. Sempre derrotando a Arena, dando vitórias consagradoras ao MDB. Em 1974, com Irapuan já escolhido governador, a derrota arenista em Anápolis foi arrasadora. Durante o período em que a cidade ficou sem autonomia política, o MDB só foi derrotado em 1976, eleição para vereadores, na administração Jamel Cecílio: Arena 8 X 7 MDB. Nas demais, vitórias do MDB.
O Movimento Democrático Brasileiro, ligado ao grupo Santillo, fez oposição a todos os nomeados, como representantes que eram do autoritarismo em Anápolis. Combate em todos os campos de ação. O santillismo se opunha aos nomeados a partir de Irapuan, nas tribunas, comícios, concentrações e simpósios, além do programa radiofônico O povo falou, tá falado.
Assumindo o governo estadual, Irapuan, com sua visão desenvolvimentista e em agradecimento ao povo anapolino, construiu o mais completo e moderno distrito industrial do Centro-Oeste: Distrito Agroindustrial de Anápolis – Daia. Instrumento fundamental para a consolidação do município como o maior polo industrial do Estado. Hoje, a mais importante obra do governo Irapuan abastece mais de 50 mil habitantes, com graças ao extraordinário reservatório e estação de água tratada no Daia. As 1.300 casas do programa Minha Casa, Minha Vida do Conjunto Copacabana serão abastecidas com água do distrito industrial.
Embora sempre combatido, Irapuan não guardou qualquer tipo de mágoa ou ressentimento. Com o passar do tempo, tornou-se amigo fraterno e solidário de Henrique Santillo. Transformou-se em destacado representante de Goiás e defensor da administração Santillo no Senado. Com o distanciamento político de Santillo e Iris Rezende Machado, ficou com Santillo. Irapuan atuou intensa e competentemente para que o PP indicasse Henrique Santillo ao Ministério da Saúde na administração Itamar Franco.
Algumas ações de Irapuan Costa Júnior são pouco conhecidas do grande público. Em 1975, como governador do Estado, enviou proposta de emenda constitucional à Assembleia Legislativa, extinguindo dispositivo que assegurava aos ex-governadores goianos pensão vitalícia. Remuneração idêntica a paga mensalmente a um desembargador do Tribunal de Justiça. A Constituição Estadual, adaptada à Constituição Federal, foi outorgada pelo governador Otávio Lage. A Assembleia Legislativa, em 1969, época da sua elaboração, estava fechada por decisão do governo federal. A Constituição Federal, outorgada por uma junta militar, garantia aos ex-presidentes da República pensão vitalícia equivalente ao salário de ministro do Supremo Tribunal Federal. A goiana privilegiava, com seu artigo 141, os ex-governadores, mesmo sem recolher um centavo ao Ipasgo ou ao Tesouro Estadual. Foi Irapuan Costa Júnior quem eliminou esse escandaloso privilégio, propondo a sua revogação. Eliminando privilégio a políticos, sua atitude até hoje repercute. Não há outra semelhante em todo o Brasil. Não foi promessa de campanha, pois foi nomeado. Não necessitou do voto popular. Abriu mão da polpuda pensão que a Constituição do Estado lhe assegurava ao se transformar, quatro anos à frente – 1979 –, em ex-governador. Abriu mão do direito a aposentadoria que seus antecessores recebiam. Irapuan Costa Júnior, mesmo chegando ao poder sem o voto popular, ouviu o clamor das ruas.
Esse fato se torna mais relevante quando, neste instante, a imprensa noticia que até o senador Álvaro Dias, um dos mais combativos senadores do PSDB, está reivindicando, retroativamente, mais de um milhão e seiscentos mil reais do Tesouro paranaense, com base em pensão vitalícia, por ter governado o Paraná.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Fazer bem-feito é o caminho
Publicado na edição de 17/06/2010 do jornal Diário da Manhã
Cora Coralina, em seu livro Vintém de Cobre – meias confissões de Aninha, relata que “a vida é boa. Saber viver é a grande sabedoria. Saber viver é dar maior dignidade ao trabalho. Fazer bem-feito tudo que houver de ser feito. Seja bordar um painel em fios de seda ou lavar uma panela coscorenta. Todo trabalho é digno de ser bem-feito”.
Para que seja bem-feito aquilo a que nos propomos realizar, temos que conhecer em detalhes o trabalho que vamos executar. Além de conhecê-lo, temos que trabalhar com dedicação e zelo. Precisamos acreditar e ter amor na missão que estamos cumprindo.
Quem se propõe a exercitar atividade política no Brasil tem enfrentado constrangimentos, censuras e incompreensões. Pelo desacerto de alguns, mesmo os mais dedicados, têm sido nivelados por baixo. Todos são tidos como desonestos. Atividade política é um trabalho. Trabalho sério. Há os que a realiza bem. Não podem ser comparados aos desonestos, que fazem da atividade um balcão de negócios e instrumento de enriquecimento ilícito.
Por mais de 40 anos participamos da atividade política. Exercemos vários mandatos eletivos. Quase todos conquistamos na oposição. Como deputado estadual e três vezes deputado federal assumimos o compromisso de enfrentar a ditadura, lutando pelas liberdades democráticas. Combatendo o bom combate, nos orgulhamos de ter colaborado, nas pregações em praça pública, tribuna do Congresso Nacional e contatos permanentes com o povo, pelo retorno do País à democracia.
Como secretário da Educação, no governo de Iris Rezende Machado, realizamos concurso público para admissão de professores, em um instante no qual as leis permitiam a escolha dos educadores por indicação política. Vencemos a resistência de companheiros que não concordavam com o concurso. Implantamos o Estatuto do Magistério, elaborado em parceria com o Centro dos Professores Goianos (CPG). Tivemos o apoio do governador Iris Rezende para excluir dos efeitos do decretão de março de 1983 todos os professores que foram atingidos por ele, mas que já trabalhavam nas escolas, estaduais, “segurando vagas”, antes do dia 3 de abril de 1982. Só não foram reintegrados aqueles docentes que não quiseram retornar à rede estadual. Dos 12 mil inicialmente atingidos, apenas algumas dezenas não se reintegraram. Construímos e reformamos escolas por todo o Estado. Criamos seis cursos universitários novos em Anápolis, sendo o embrião para que Henrique Santillo instalasse a Uniana (Universidade Estadual de Anápolis), transformada em UEG (Universidade Estadual de Goiás) por Marconi Perillo. Levamos faculdades de Educação para o Norte do Estado, hoje Tocantins. Construímos e reformamos prédios escolares por Goiás inteiro. Acabamos com os Centros Cívicos, criados no período ditatorial, retornando com os grêmios estudantis livres. Investimos na capacitação dos professores...
Como prefeito municipal realizamos dinâmica administração elogiada até pelos mais ferrenhos adversários. Envolvemos o município no encaminhamento de atividades que beneficiaram a iniciativa privada, como vinda da Hering para Anápolis e instalação do Porto Seco. Além do enorme esforço que fizemos para garantir o Porto Seco, conseguimos junto ao Ministério dos Transportes o aluguel de imóvel pertencente à Rede Ferroviária Federal, no Daia, que estava desativado e iria a leilão. Por ser contrato de órgão público para órgão público o aluguel foi possível. A diretoria do Porto Seco, por instrumento legal, repassava mensalmente à prefeitura as despesas do aluguel. Conseguimos que em um encontro de contas, o governo do Estado ficasse com o imóvel como recebimento de parte do ICMS, devido pela Rede Ferroviária ao governo estadual, consolidando seu funcionamento em Anápolis.
Graças ao Porto Seco, à exceção de Brasília, Anápolis é a cidade do Centro-Oeste e Tocantins com a maior arrecadação de impostos federais. Foram arrecadados em maio 318 milhões e 700 mil reais, via Porto Seco. Passaram por ele 9 mil e 600 veículos importados, no mês passado. O dobro de maio de 2009. Valeu a pena o esforço e sacrifício que fizemos em favor da sua concretização.Com o Porto Seco plantamos o futuro da economia anapolina.
Em política, sendo ela feita com seriedade, os bons frutos podem demorar, mas com certeza chegarão. O importante é fazermos bem a missão que nos cabe.
Cora Coralina, em seu livro Vintém de Cobre – meias confissões de Aninha, relata que “a vida é boa. Saber viver é a grande sabedoria. Saber viver é dar maior dignidade ao trabalho. Fazer bem-feito tudo que houver de ser feito. Seja bordar um painel em fios de seda ou lavar uma panela coscorenta. Todo trabalho é digno de ser bem-feito”.
Para que seja bem-feito aquilo a que nos propomos realizar, temos que conhecer em detalhes o trabalho que vamos executar. Além de conhecê-lo, temos que trabalhar com dedicação e zelo. Precisamos acreditar e ter amor na missão que estamos cumprindo.
Quem se propõe a exercitar atividade política no Brasil tem enfrentado constrangimentos, censuras e incompreensões. Pelo desacerto de alguns, mesmo os mais dedicados, têm sido nivelados por baixo. Todos são tidos como desonestos. Atividade política é um trabalho. Trabalho sério. Há os que a realiza bem. Não podem ser comparados aos desonestos, que fazem da atividade um balcão de negócios e instrumento de enriquecimento ilícito.
Por mais de 40 anos participamos da atividade política. Exercemos vários mandatos eletivos. Quase todos conquistamos na oposição. Como deputado estadual e três vezes deputado federal assumimos o compromisso de enfrentar a ditadura, lutando pelas liberdades democráticas. Combatendo o bom combate, nos orgulhamos de ter colaborado, nas pregações em praça pública, tribuna do Congresso Nacional e contatos permanentes com o povo, pelo retorno do País à democracia.
Como secretário da Educação, no governo de Iris Rezende Machado, realizamos concurso público para admissão de professores, em um instante no qual as leis permitiam a escolha dos educadores por indicação política. Vencemos a resistência de companheiros que não concordavam com o concurso. Implantamos o Estatuto do Magistério, elaborado em parceria com o Centro dos Professores Goianos (CPG). Tivemos o apoio do governador Iris Rezende para excluir dos efeitos do decretão de março de 1983 todos os professores que foram atingidos por ele, mas que já trabalhavam nas escolas, estaduais, “segurando vagas”, antes do dia 3 de abril de 1982. Só não foram reintegrados aqueles docentes que não quiseram retornar à rede estadual. Dos 12 mil inicialmente atingidos, apenas algumas dezenas não se reintegraram. Construímos e reformamos escolas por todo o Estado. Criamos seis cursos universitários novos em Anápolis, sendo o embrião para que Henrique Santillo instalasse a Uniana (Universidade Estadual de Anápolis), transformada em UEG (Universidade Estadual de Goiás) por Marconi Perillo. Levamos faculdades de Educação para o Norte do Estado, hoje Tocantins. Construímos e reformamos prédios escolares por Goiás inteiro. Acabamos com os Centros Cívicos, criados no período ditatorial, retornando com os grêmios estudantis livres. Investimos na capacitação dos professores...
Como prefeito municipal realizamos dinâmica administração elogiada até pelos mais ferrenhos adversários. Envolvemos o município no encaminhamento de atividades que beneficiaram a iniciativa privada, como vinda da Hering para Anápolis e instalação do Porto Seco. Além do enorme esforço que fizemos para garantir o Porto Seco, conseguimos junto ao Ministério dos Transportes o aluguel de imóvel pertencente à Rede Ferroviária Federal, no Daia, que estava desativado e iria a leilão. Por ser contrato de órgão público para órgão público o aluguel foi possível. A diretoria do Porto Seco, por instrumento legal, repassava mensalmente à prefeitura as despesas do aluguel. Conseguimos que em um encontro de contas, o governo do Estado ficasse com o imóvel como recebimento de parte do ICMS, devido pela Rede Ferroviária ao governo estadual, consolidando seu funcionamento em Anápolis.
Graças ao Porto Seco, à exceção de Brasília, Anápolis é a cidade do Centro-Oeste e Tocantins com a maior arrecadação de impostos federais. Foram arrecadados em maio 318 milhões e 700 mil reais, via Porto Seco. Passaram por ele 9 mil e 600 veículos importados, no mês passado. O dobro de maio de 2009. Valeu a pena o esforço e sacrifício que fizemos em favor da sua concretização.Com o Porto Seco plantamos o futuro da economia anapolina.
Em política, sendo ela feita com seriedade, os bons frutos podem demorar, mas com certeza chegarão. O importante é fazermos bem a missão que nos cabe.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
Fuxicos incomodam e destroem
Publicado na edição de 27/05/2010 do jornal Diário da Manhã
Inconformado com a boataria veiculada por oposicionistas, afirmando que a candidatura de Vanderlan Cardoso jamais decolará, que os prefeitos da base governista o estão abandonando e que o PSB de Barbosa Neto foi orientado pelo comando nacional do partido a ficar ao lado do PT, o governador Alcides Rodrigues perdeu a paciência, classificando como fuxiqueiros os que assim estão procedendo. Forçado a explicitar se estava se referindo ao PSDB, apenas respondeu que “são os campeões de fuxico”. Fuxico é expediente condenável usado por pessoas medíocres, sem nenhum compromisso com a verdade. Denigrem a imagem de adversários com expedientes depreciativos, caluniosos e mentirosos.
Nas eleições de 2006, Maguito Vilela do PMDB, liderava a pesquisa de intenção de votos em Anápolis. Era necessária a destruição da sua credibilidade junto a população. Verdadeira central de boatos foi montada pelos adversários, lhe responsabilizando por tudo de ruim que havia ocorrido no Município nos últimos anos. O mais absurdo de todos os fuxicos, que ele teria sido o responsável pelo fechamento da indústria têxtil Vicunha, em Anápolis.
A diretoria nacional da Vicunha veio a Goiás, quando Maguito como governador e eu prefeito nos comprometemos a dar apoio até financeiro para que ampliasse as atividades da empresa em Anápolis. Numa solenidade pública muito concorrida , animada com banda de música e muito foguete, participamos do lançamento da pedra fundamental da empresa no Daia. Fomos ao Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, onde houve desfile de manequins com roupas feitas pelos tecidos de sua confecção. A maquete da ampliação das suas novas instalações foi exibida às autoridades, jornalistas e público presente. Acertamos até a data para o início das obras. Seria o maior complexo industrial da empresa no Brasil.
Simultaneamente, a Vicunha adquiria o controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce, privatizada pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A prioridade da empresa deixou de ser a fabricação de tecidos, para se transformar na exploração e venda de minérios. Além de não ampliar suas instalações conforme o que havia sido acertado, a Vicunha fechou sua unidade que funcionava na Vila Jaiára e outras existentes no Rio de Janeiro e São Paulo.Pretextando para isso a concorrência predatória praticada pela China no Brasil.
Os fuxiqueiros foram de casa em casa na Vila Jaiára e bairos próximos, atribuindo a Maguito Vilela o fechamento da Vicunha, em Anápolis. Ao mesmo tempo incluíam também como golpe de Maguito contra Anápolis a instalação da Perdigão em Rio Verde. Para os fuxiqueiros que rodavam aos bandos pelos bairros da cidade, a Perdigão viria para Anápolis, mas por ação direta do governador, deslocou-se para Rio Verde.
Essa ação criminosa bem orquestrada, em pouco tempo transformou Maguito Vilela no maior inimigo de Anápolis. Os fuxiqueiros cuja ação é condenada pelo governador Alcides Rodrigues, talvez os mesmos que destruíram a imagem de Maguito junto aos anapolinos, saíram vencedores. Destruíram a reputação de uma pessoa honesta, trabalhadora e prestativa, pela calúnia e mentira. Quem usa desse expediente para tirar vantagem, destruindo a reputação do adversário, não merece o apoio do povo. Crimes dessa espécie são iguais ou piores que os praticados por candidatos ficha suja.
Inconformado com a boataria veiculada por oposicionistas, afirmando que a candidatura de Vanderlan Cardoso jamais decolará, que os prefeitos da base governista o estão abandonando e que o PSB de Barbosa Neto foi orientado pelo comando nacional do partido a ficar ao lado do PT, o governador Alcides Rodrigues perdeu a paciência, classificando como fuxiqueiros os que assim estão procedendo. Forçado a explicitar se estava se referindo ao PSDB, apenas respondeu que “são os campeões de fuxico”. Fuxico é expediente condenável usado por pessoas medíocres, sem nenhum compromisso com a verdade. Denigrem a imagem de adversários com expedientes depreciativos, caluniosos e mentirosos.
Nas eleições de 2006, Maguito Vilela do PMDB, liderava a pesquisa de intenção de votos em Anápolis. Era necessária a destruição da sua credibilidade junto a população. Verdadeira central de boatos foi montada pelos adversários, lhe responsabilizando por tudo de ruim que havia ocorrido no Município nos últimos anos. O mais absurdo de todos os fuxicos, que ele teria sido o responsável pelo fechamento da indústria têxtil Vicunha, em Anápolis.
A diretoria nacional da Vicunha veio a Goiás, quando Maguito como governador e eu prefeito nos comprometemos a dar apoio até financeiro para que ampliasse as atividades da empresa em Anápolis. Numa solenidade pública muito concorrida , animada com banda de música e muito foguete, participamos do lançamento da pedra fundamental da empresa no Daia. Fomos ao Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, onde houve desfile de manequins com roupas feitas pelos tecidos de sua confecção. A maquete da ampliação das suas novas instalações foi exibida às autoridades, jornalistas e público presente. Acertamos até a data para o início das obras. Seria o maior complexo industrial da empresa no Brasil.
Simultaneamente, a Vicunha adquiria o controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce, privatizada pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A prioridade da empresa deixou de ser a fabricação de tecidos, para se transformar na exploração e venda de minérios. Além de não ampliar suas instalações conforme o que havia sido acertado, a Vicunha fechou sua unidade que funcionava na Vila Jaiára e outras existentes no Rio de Janeiro e São Paulo.Pretextando para isso a concorrência predatória praticada pela China no Brasil.
Os fuxiqueiros foram de casa em casa na Vila Jaiára e bairos próximos, atribuindo a Maguito Vilela o fechamento da Vicunha, em Anápolis. Ao mesmo tempo incluíam também como golpe de Maguito contra Anápolis a instalação da Perdigão em Rio Verde. Para os fuxiqueiros que rodavam aos bandos pelos bairros da cidade, a Perdigão viria para Anápolis, mas por ação direta do governador, deslocou-se para Rio Verde.
Essa ação criminosa bem orquestrada, em pouco tempo transformou Maguito Vilela no maior inimigo de Anápolis. Os fuxiqueiros cuja ação é condenada pelo governador Alcides Rodrigues, talvez os mesmos que destruíram a imagem de Maguito junto aos anapolinos, saíram vencedores. Destruíram a reputação de uma pessoa honesta, trabalhadora e prestativa, pela calúnia e mentira. Quem usa desse expediente para tirar vantagem, destruindo a reputação do adversário, não merece o apoio do povo. Crimes dessa espécie são iguais ou piores que os praticados por candidatos ficha suja.
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sexta-feira, 30 de abril de 2010
Morte brutal por causa nobre
Publicado na edição de 30/04/2010 do jornal Diário da Manhã
Antonio Luiz Pereira e Elza de Oliveira Pereira, dois pernambucanos esperançosos num futuro melhor, decidiram vir para Goiás, mais precisamente a Anápolis, por orientação de amigos. Há 14 anos, deixaram Araripina trazendo o filho Luiz Carlos, a roupa do corpo e pequena reserva em dinheiro. Habituados ao trabalho duro, trabalharam na limpeza de lotes, plantio de hortas, servente de pedreiro e todo tipo de serviço que pudesse lhes dar o sustento.
Luiz Carlos de Oliveira, rapaz trabalhador e muito responsável, enxergou na coleta de material reciclável a forma de se sustentar. Mal sabia que estava evitando a contaminação do meio ambiente. Iniciou recolhendo o material em saco plástico, passou para carrinho de mão e chegou ao que era agora, um catador de reciclável motorizado: Gol velho e carretinha. Assim equipado, rodava todos os lixões e entulhos existentes a céu aberto na cidade.
Casado com Creusa de Oliveira, portadora de deficiência mental, pais de dois filhos, a família usava o veículo para pequenos passeios, nos momentos de descanso. Luiz Carlos era exemplo de amor à família. Sua vida sempre foi trabalhar e cuidar da esposa e filhos.
No sábado, 17 de abril, Luiz Carlos, como de costume, levantou-se bem cedo, antes do sol aparecer, beijou carinhosamente mulher e as duas crianças saindo para lixão no Setor Industrial Munir Calixto, numa cascalheira nos fundos da Hyundai. Ficara sabendo que naquele local algumas empresas do Daia descartam parte de material imprestável.
Ao chegar ao lixão, sozinho, distante dos olhares dos moradores do Munir Calixto que ainda não haviam se levantado, viu 11 tambores metálicos, de 200 litros cada um, jogados entre restos de construção e muito gesso. Colocou três na carretinha. Ao colocar em pé o quarto tambor, percebeu pelo barulho no seu interior, que portava resto de material líquido. Não querendo carregar peso desnecessário, aproximou o carro com a carretinha e abriu o tambor, retirando-lhe o ferrolho que o mantinha trancado. Assim que o destrancou, gás incolor saiu com muita pressão causando combustão com o oxigênio externo, provocando enorme labareda. O produto, como se fora jato spray, numa chama incandescente saia do interior do tambor e de forma assustadora atingia todo seu corpo. Mesmo queimado teve força de afastar a bola metálica que rolou esparramando fogo para todos os lados.
Luiz Carlos mesmo com mais de 90% do corpo com queimaduras de terceiro grau, telefonou para o seu pai, narrando-lhe o acontecido. Acionados Corpo de Bombeiros e Samu foram ao seu encontro. Evitando dar mais trabalho aos que viriam lhe dar assistência, corpo totalmente dilacerado, provocando dor insuportável e alucinações, dirigiu seu gol, por mais de 4 quilômetros, até a margem da estrada Anápolis-Leopoldo de Bulhões, quando sua força física acabou. Levado pelo Samu ao Hospital de Queimaduras, não resistiu, falecendo na segunda feira, exatamente 36 horas após o acidente.
Não se sabe que material inflamável e tão agressivo existia no tambor. Não se sabe quem foi o responsável pelo descarte desses tambores contendo resíduos de produto poderosamente inflamável a céu aberto, numa região densamente habitada. Quem é o irresponsável que poderia ter causado tragédia com número maior de vítimas caso crianças do Setor Industrial tivessem descoberto antes, esses tambores? Quais os órgãos técnicos e públicos responsáveis pela fiscalização do uso desse e de outros produtos tão perigosos e mortais? Quais empresas do Daia utilizam esse tipo de material que o matou? São questões que exigem respostas claras e urgentes.
Luiz Carlos Oliveira, um mártir que deu a própria vida, morrendo de forma dolorosa e cruel, por causa nobre: evitando que material reciclável, muitas vezes, levando séculos para se desintegrar, fossem para aterros sanitários. Foi vítima dos tambores contendo líquido mortal, criminosamente deixados no descampado do Daia. Tambores que, após o acidente, foram misteriosamente retirados e levados para lugar incerto e não sabido.
O gol, deixado de herança para a família, por estar com o IPVA atrasado, encontra-se recolhido ao pátio da Ciretran. Sendo liberado, Antonio Luiz, pai da vítima, o venderá para pagar conserto de uma moto que abalroou no momento em que o desesperado se dirigia ao Hospital de Queimaduras, para visitar o filho. Deixa, no entanto, exemplo de trabalho e honradez, muita saudade e os três tambores sobre a carretinha, na casa em que reside a família, no Setor Sul, em Anápolis.
Antonio Luiz Pereira e Elza de Oliveira Pereira, dois pernambucanos esperançosos num futuro melhor, decidiram vir para Goiás, mais precisamente a Anápolis, por orientação de amigos. Há 14 anos, deixaram Araripina trazendo o filho Luiz Carlos, a roupa do corpo e pequena reserva em dinheiro. Habituados ao trabalho duro, trabalharam na limpeza de lotes, plantio de hortas, servente de pedreiro e todo tipo de serviço que pudesse lhes dar o sustento.
Luiz Carlos de Oliveira, rapaz trabalhador e muito responsável, enxergou na coleta de material reciclável a forma de se sustentar. Mal sabia que estava evitando a contaminação do meio ambiente. Iniciou recolhendo o material em saco plástico, passou para carrinho de mão e chegou ao que era agora, um catador de reciclável motorizado: Gol velho e carretinha. Assim equipado, rodava todos os lixões e entulhos existentes a céu aberto na cidade.
Casado com Creusa de Oliveira, portadora de deficiência mental, pais de dois filhos, a família usava o veículo para pequenos passeios, nos momentos de descanso. Luiz Carlos era exemplo de amor à família. Sua vida sempre foi trabalhar e cuidar da esposa e filhos.
No sábado, 17 de abril, Luiz Carlos, como de costume, levantou-se bem cedo, antes do sol aparecer, beijou carinhosamente mulher e as duas crianças saindo para lixão no Setor Industrial Munir Calixto, numa cascalheira nos fundos da Hyundai. Ficara sabendo que naquele local algumas empresas do Daia descartam parte de material imprestável.
Ao chegar ao lixão, sozinho, distante dos olhares dos moradores do Munir Calixto que ainda não haviam se levantado, viu 11 tambores metálicos, de 200 litros cada um, jogados entre restos de construção e muito gesso. Colocou três na carretinha. Ao colocar em pé o quarto tambor, percebeu pelo barulho no seu interior, que portava resto de material líquido. Não querendo carregar peso desnecessário, aproximou o carro com a carretinha e abriu o tambor, retirando-lhe o ferrolho que o mantinha trancado. Assim que o destrancou, gás incolor saiu com muita pressão causando combustão com o oxigênio externo, provocando enorme labareda. O produto, como se fora jato spray, numa chama incandescente saia do interior do tambor e de forma assustadora atingia todo seu corpo. Mesmo queimado teve força de afastar a bola metálica que rolou esparramando fogo para todos os lados.
Luiz Carlos mesmo com mais de 90% do corpo com queimaduras de terceiro grau, telefonou para o seu pai, narrando-lhe o acontecido. Acionados Corpo de Bombeiros e Samu foram ao seu encontro. Evitando dar mais trabalho aos que viriam lhe dar assistência, corpo totalmente dilacerado, provocando dor insuportável e alucinações, dirigiu seu gol, por mais de 4 quilômetros, até a margem da estrada Anápolis-Leopoldo de Bulhões, quando sua força física acabou. Levado pelo Samu ao Hospital de Queimaduras, não resistiu, falecendo na segunda feira, exatamente 36 horas após o acidente.
Não se sabe que material inflamável e tão agressivo existia no tambor. Não se sabe quem foi o responsável pelo descarte desses tambores contendo resíduos de produto poderosamente inflamável a céu aberto, numa região densamente habitada. Quem é o irresponsável que poderia ter causado tragédia com número maior de vítimas caso crianças do Setor Industrial tivessem descoberto antes, esses tambores? Quais os órgãos técnicos e públicos responsáveis pela fiscalização do uso desse e de outros produtos tão perigosos e mortais? Quais empresas do Daia utilizam esse tipo de material que o matou? São questões que exigem respostas claras e urgentes.
Luiz Carlos Oliveira, um mártir que deu a própria vida, morrendo de forma dolorosa e cruel, por causa nobre: evitando que material reciclável, muitas vezes, levando séculos para se desintegrar, fossem para aterros sanitários. Foi vítima dos tambores contendo líquido mortal, criminosamente deixados no descampado do Daia. Tambores que, após o acidente, foram misteriosamente retirados e levados para lugar incerto e não sabido.
O gol, deixado de herança para a família, por estar com o IPVA atrasado, encontra-se recolhido ao pátio da Ciretran. Sendo liberado, Antonio Luiz, pai da vítima, o venderá para pagar conserto de uma moto que abalroou no momento em que o desesperado se dirigia ao Hospital de Queimaduras, para visitar o filho. Deixa, no entanto, exemplo de trabalho e honradez, muita saudade e os três tambores sobre a carretinha, na casa em que reside a família, no Setor Sul, em Anápolis.
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