quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Partido dos trabalhadores no Congresso Nacional

Em 1980, com o fim do bipartidarismo, o Movimento Democrático Brasileiro-MDB, transformou-se em partido. Ulysses Guimarães seu presidente nacional. A vitória extraordinária da dupla Henrique Santillo e Juarez Bernardes sobre o trio arenista Jonas Duarte, Osires Teixeira e Jarmund Nasser, para o Senado, nas eleições de 1978, destacou Santillo como a maior liderança do Estado. Estava consolidada sua força eleitoral. Qualquer eleição direta que disputasse a partir daquele instante, com certeza sairia vencedor.

Como Henrique Santillo nunca se preocupou em ter comando do partido a nível regional, quando o diretório estadual foi ser estruturado, Iris Rezende Machado, que havia passado 10 anos fora da das disputas eleitorais, por ter perdido seus direitos políticos em 1969, com o término da punição que o levou ao ostracismo, retornou ingressando no PMDB. Com deputados e lideranças conservadoras, Iris Rezende formou o diretório com ampla maioria de simpatizantes seus, para que fosse o candidato ao governo do Estado, nas eleições diretas marcadas para 1982.

Com o golpe, Iris assumindo o controle absoluto do PMDB goiano, o grupo Santillista decidiu ingressar no Partido dos Trabalhadores, abrindo caminho para Henrique Santillo, também disputar a governadoria. Dessa forma Henrique Santillo foi o primeiro senador petista, no Senado. Foi inclusive o secretário da reunião realizada em São Bernardo do Campo, em que o partido se organizou nacionalmente, sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Câmara Federal, os ex-emedebistas Airton Soares-SP, Luiz Checchinel-SC, Edson Kahir-RJ, Antônio Carlos de Oliveira-MS e eu de Goiás, formamos a primeira bancada do PT. Os companheiros me indicaram como o primeiro líder petista na Câmara dos Deputados. Fui líder durante o tempo em que estive no partido. Demos ao Partido dos Trabalhadores amplitude nacional. Colaboramos muito para o seu fortalecimento. Além do trabalho parlamentar visitamos quase todos os estados organizando o partido.


Na próxima terça feira, dia 6/12/2011, será inaugurado o painel dos deputados que lideraram o PT na Câmara Federal desde o seu surgimento. Solenidade marcada para às 19 horas, no Salão Verde do Congresso Nacional. Embora não mais pertencendo ao PT, mas por ter sido seu primeiro líder, fui convidado a participar desse acontecimento histórico.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O terceiro lugar

Em 1972, o prefeito Henrique Santillo desejando modernizar e ampliar o serviço de água e esgoto do município de Anápolis, pleiteou financiamento junto à Caixa Econômica Federal. Administrava o serviço, a Superintendência Municipal de Saneamento-Sumsan. Esbarrou na exigência da Caixa, de só financiar projetos que pertencessem às empresas estaduais. Não tendo alternativa, e para não prejudicar a população, o prefeito transferiu para a Saneago o comando do serviço de água e esgoto e todo o patrimônio que pertencia à Sumsan.

Como Governador, em 1987, portanto há 24 anos, o destino reservou a Henrique Santillo realizar o que planejara como prefeito. Implantou no Município importante sistema de captação e tratamento do esgoto domiciliar. Foram aplicados mais de cem milhões de dólares. A maior obra pública realizada em favor da população de Anápolis em todos os tempos. Tudo financiado pela Caixa Econômica Federal. A rede coletora que existia, até então, atendendo precariamente ao setor central da Cidade, foi toda refeita por rede moderna, resistente e de grande vazão. Todos os bairros existentes e minimamente habitados foram beneficiados. Quase toda a área territorial urbana existente recebeu o serviço de esgoto. O sistema recebeu moderníssima estação de tratamento. Sepultado de uma vez por todas o esgotamento, sem qualquer tratamento, esgoto que era despejado no Córrego Antas sem tratamento, agora voltava com águas cristalinas ao leito do referido curso d’água.

Esse serviço extraordinário aliado ao abastecimento de água potável às regiões da Jaiara, Alexandrina, Boa Vista, Santa Isabel, Jardim América, Santa Maria de Nazareth, Fabril e dezenas de outras, pelo sistema do Ribeirão Piancó, realizado na administração de Íris Rezende Machado, foi marcante para se melhorar as condições de vida dos anapolinos. Os mais de quatro milhões de metros quadrados que fizemos de asfaltamento na cidade consolidaram essa melhoria. Mortalidade infantil caiu. Doenças respiratórias e todas aquelas originárias da falta infraestrutura sanitária como diarréia, hepatites, dengue e poliomielite foram reduzidas a níveis das cidades desenvolvidas.

Passados 24 anos da execução daqueles serviços, pouco ou quase nada foi acrescido ao que existia. A extensão do serviço de água potável que houve, foi realizada na administração de Maguito Vilela, governador e nossa como prefeito, em 1998. Aproveitando o excedente da água do Distrito Agro Industrial de Anápolis-DAIA foram atendidos bairros como Santo André, São João, Calixtolândia, Pólo Centro, Vivian Parque, Calixtópolis, Vila União, Paraíso, Novo Paraíso, Parque das Primaveras, Mariana e outros. Atendimento que é emergencial e precário poderá ir ao colapso com a inclusão do Residencial Copacabana, com 1300 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, que também será abastecido pelo mesmo sistema do DAIA.

Essa falta de investimento em saneamento em Anápolis nestes últimos 24 anos, conforme dados do Sistema de Informações em Saúde, do Ministério da Saúde, está provocando graves consequências à saúde dos anapolinos. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, sobre Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, em municípios com mais de 300 mil habitantes, revela que Anápolis está entre os município com a maior incidência de diarréia, provocada por falta de saneamento. São 325,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes. Três vezes mais que a média brasileira de 107,4 internações por diarréia, para cada grupo de 100 mil habitantes. O Município ocupa o lamentável 8º lugar, em nível nacional, sobre pessoas com diarréia, por falta de saneamento. Quando se trata dos custos dessas internações para a saúde pública, a diarréia causada pela falta de saneamento em Anápolis fica em 3º lugar. Só gastam mais que Anápolis, no tratamento à diarréia, Vitória da Conquista (BA) e Maceió (AL).

Anápolis em 2003, treze anos após Henrique Santillo ter construído essa importante obra, ocupava o 16º lugar entre os municípios goianos mais bem servidos pelo serviço de esgoto. Em 2008, data em que a pesquisa foi realizada pelo Ministério da Saúde, caiu para a 47ª posição. Culpa da falta de investimento em saneamento e expansão desordenada de novos loteamentos. População convivendo com fossas e cisternas, sofrendo diversas doenças que já não existem no mundo civilizado. Hoje, pelo exagerado crescimento urbano e ausência de saneamento, a situação é mais dramática que em 2008. Está passando da hora de o poder público agir, tomando as necessárias providências. Anápolis que já foi referência de cidade mais bem servida com saneamento em Goiás, ocupa, hoje, o humilhante terceiro lugar no Brasil, em gastos com internações por diarréia, pela falta de infraestrutura sanitária. Essa posição é um dado relevante de alerta. Não podemos deixar que o troféu de campeão nacional da diarréia venha para Anápolis na próxima pesquisa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Volta ao passado

Sábado passado, dia 19 de junho, tive a satisfação e motivo para recordar um pouco do meu tempo de jovem. Época de estudante no colégio estadual José Ludovico de Almeida. Além de estudar militava na política estudantil. Por ser o maior estabelecimento educacional de Anápolis, o colégio estadual, era também o celeiro em que se formavam as grandes lideranças políticas de Anápolis. Estivemos no colégio São Francisco de Assis, um dos mais conceituados de Anápolis, participando de debate com os estudantes, ao lado de Odilon Alves, diretor e redator da revista Planeta Água; Paulo Gonçalves, professor e jornalista; Maria de Lourdes, professora de Alemão e jornalista e Onaide Santillo, radialista e apresentadora de programa na TV-14 de Anápolis. Fomos convidados pelos professores Marcos Aurélio Divino e Wilma. Discutimos temas do momento e sobre a profissão de jornalista com os concluíntes do 3° ano do ensino médio daquele colégio.

Embora não tenha estudado no colégio São Francisco, tive ótimo relacionamento com os estudantes daquele colégio quando militava na política estudantil. Em 1963, juntamente com Eles Alves Nogueira, Levy Schiettini, Valmir Bastos Ribeiro e Jacy Fernandes, acabamos com o isolamento dos estudantes de Anápolis. Transformamos a União Independente dos Estudantes Anapolinos – UIEA em União dos Estudantes Secundaristas de Anápolis – UESA, vinculada à União Goiana dos Estudantes Secundaristas – UGES. Fui eleito seu primeiro presidente, como candidato único, num pleito direto, com a participação de todos os estudantes secundaristas do município. Dos colégios particulares o mais conceituado e numeroso era o São Francisco. Escolhi meu companheiro de chapa para a vice presidência entre os franciscanos.

A maior emoção ficou por conta de relembrar que por aquelas escadarias pomposas e salas amplas e arejadas do tradicional São Chico, havia passado, por três anos consecutivos, meu irmão Henrique Santillo, que viria se transformar no futuro governador de Goiás. Uma das mais autênticas lideranças políticas do Brasil, no combate à ditadura. Henrique Santillo foi o mais aplicado e dedicado aluno de toda história do Colégio São Francisco de Assis. Fundador do seu grêmio estudantil, Clarim das Letras e das Artes. Foi também seu primeiro presidente. Os colegas de Henrique Santillo, no colégio São Francisco, como Geraldo Fleury Curado, afirmam que ele era para os companheiros de classe o conselheiro e professor que todos consultavam.

Há algum tempo atrás recebi como presente do amigo Mauro Gonzaga Jaime, o Pastinha, alguns exemplares do jornal Arauto dos Reis, órgão informativo do colégio nos anos 50, em que divulgava as melhores notas obtidas pelos alunos em cada mês. Em todos os meses Henrique Santillo figura em primeiro lugar, na sua turma. Era estudioso sem alienação política. Pelo contrário, como estudante secundarista em Anápolis e universitário em Minas Gerais, onde cursou medicina na UFMG, foi atuante politicamente. Presidente do Diretório Acadêmico da faculdade de medicina, presidente do DCE mineiro e presidente da UEE, sem deixar de ser o estudante brilhante dos tempos de secundarista, realizando todo curso de medicina, como o primeiro aluno da turma.

Relembrei todas essas passagens de um cidadão que foi a grande referência da qualidade do ensino do Colégio São Francisco de Anápolis no passado, sob a direção do frei Chicão. Naquele prédio antigo, muito bem conservado e repleto de histórias, eu e os demais convidados, vimos o São Francisco moderno. O Projeto IPOCAR – Investigação, Produção, Opinião, Cidadania, Argumentação e Realidade, do qual participamos, além de preparar os estudantes no conhecimento profundo dos acontecimentos cotidianos, os ajuda na tomada de uma decisão mais segura em busca do seu futuro profissional. Os tempos mudaram, mas o Colégio São Francisco continua moderno e atualizado, formando estudantes cônscios da sua responsabilidade como cidadãos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Queda e retorno da autonomia política

O 28 de agosto de 1973 aparentava ser um dia como outro qualquer. Muito sol, ventava bastante, quando cheguei à Assembléia Legislativa, em Goiânia, para a sessão plenária , que seria realizada pela manhã. A diferença, a novidade, ocorreu em seguida quando fui informado por um telefonema de Brasília, que José Batista Júnior, prefeito de Anápolis, acabara de ter seu mandato cassado, direitos políticos suspensos por 10 anos. O vice prefeito Milton Alves Ferreira não fora cassado, mas impedido de tomar posse, pois no mesmo ato assinado pelo general Emilio Garrastazu Médici, nomeava o engenheiro Irapuan Costa Júnior, como primeiro prefeito nomeado de Anápolis, que naquele dia foi transformada em Área de Interesse à Segurança Nacional.

Violência inconcebível praticada contra um povo que não se rendia e jamais se rendeu aos caprichos dos prepotentes e inimigos das liberdades democráticas. José Batista Júnior que vencera a eleição enfrentando toda máquina oficial do governo e poderio econômico, soube da sua cassação por noticiário de rádio, quando voltava de Goiânia, sem ser atendido pelo secretário da Segurança Pública, onde fora para tratar de assuntos daquela pasta em Anápolis.

Foram 12 anos sem eleição para a prefeitura e 8 prefeitos nomeados. Nesse período o MDB continuou ganhando todas as eleições que disputou no Município. A única exceção ficou por conta da eleição para vereadores ocorrida em 1976, em que a Arena elegeu oito vereadores e o MDB, sete. Durante esse tempo companheiros humildes foram presos; várias tentativas os adversários fizeram para cassar nossos mandatas – Henrique Santillo e meu; impediram Henrique de atender pelo INPS; tentaram pelo suborno comandar o MDB municipal; assumiram a direção da Rádio Carajá através de força policial e fecharam a Rádio Santana, onde apresentávamos o programa “ O Povo Falou ta Falado.”

Fizemos inúmeros encontros políticos, discursos, debates nas comissões técnicas da Câmara Federal, simpósios estudantis na Câmara Municipal e reuniões domiciliares. mantendo acesa a luta pela autonomia política de Anápolis. O vereador Valmir Bastos Ribeiro foi verdadeiro “leão” nessa luta. Preso inúmeras vezes, torturado e permanentemente perseguido, Valmir foi exemplo de lealdade aos companheios e convicto defensor do estado democrático de direito. Graças à sua dedicação e prestigio conseguiu trazer a Anápolis, para debater política e fortalecer a luta pelo retorno da autonomia política do Município, figuras como Ulysses Guimarães, Aldo Fagundes, Odacir Klein , Freitas Nobre, Jaison Barreto, Tarcisio Delgado e outros expoentes do MDB nacional.

Estamos neste ano completando 25 anos do retorno ao direito do anapolino escolher pelo voto livre e soberano, o seu prefeito. Tenho muito orgulho de ter participado dessa luta gigantesca e vitoriosa. Satisfação de ter sido eleito pelo voto direto o primeiro prefeito depois do fim de prefeitos nomeados.

Os jovens, aqueles que contam com menos de 30 anos, não sabem os prejuízos causados pela ditadura. Não foram apenas as perdas materiais. Essas são repostas. Os maiores malefícios ocorreram no impedimento de formação de novas lideranças.As lideranças políticas de maior expressão na política nacional são remanescentes de 1964. Lideranças autenticas, mas que estão paulatinamente desaparecendo. O autoritarismo e leis de exceção impediram o surgimento de substitutos. Estamos com carência de lideres autênticos. Fruto do regime ditatorial. Para que isso não mais se repita, não devemos deixar que as atrocidades caiam no esquecimento, principalmente dos jovens.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vale a pena lutar (Parte I)

[Discurso de agradecimento ao título de cidadania anapolina]

Meus amigos,

Eu escrevi algumas palavras aqui, mas eu quero deixar que meu coração fale. Vocês poderão dizer que até pode significar um ato demagógico, mas eu estou realmente emocionado e extremamente agradecido por esse acontecimento.

Já tive oportunidade de experimentar emoções enormes, participar de fatos que foram marcantes na minha vida. Mas, não há dúvida que, esse de hoje, é o coroamento de um trabalho de quase 40 anos - ou mais de 40 anos - na cidade de Anápolis, sempre contando com o apoio total e irrestrito da nossa população.


Éramos meu pai, Virginio Santillo, minha mãe, Elydia Maschietto Santillo, o Henrique (estava com seis anos de idade), eu (com quatro anos) e o Romualdo (com dois anos). Em 1944, nós chegávamos à cidade de Anápolis. Chegávamos à cidade de Anápolis para daqui não sair mais. Só saímos uma única oportunidade. E essa oportunidade foi em 1949, quando nós saímos da sede do município e fomos para o distrito de Matão, hoje considerado município de Ouro Verde. Lá nós fomos trabalhar na zona rural, numa fazenda do Chefinho, na mata dos Criolos. Foi a única vez que saímos e ficamos quase um ano fora - ou um ano aproximadamente - e retornamos para a cidade de Anápolis.

Não é fácil falar a respeito da luta do meu pai. Foi uma luta titânica. Uma luta realmente destemida, violenta, podemos assim dizer, para enfrentar todas as adversidades. Meu pai era um homem simples, de poucos estudos, que veio para Anápolis em 1944 sem saber exatamente o que é que nos esperava aqui nessa cidade. Ele trabalhou aqui em Anápolis e Goiás como ambulante, visitando as cidades de Abadiânia e Trindade, vendendo pernete e outras bebidas para os festeiros, de um modo geral. Depois foi trabalhar em pequeno comércio, com a venda de batatinha e outros legumes. Terminou a sua vida sendo um pequeno comerciante, ali na rua Rui Barbosa, esquina com a rua Quintino Bocaiúva.

Meu pai foi realmente um batalhador, um homem realmente destemido. E, ao seu lado, a minha querida mãe, que também trabalhou bastante. Ela era costureira e ajudava na renda familiar. Eu, Henrique e Romualdo, nós fazíamos parte dessa família. Só nós, mais niguém. Mais nenhum outro parente nosso veio para o estado de Goiás. Só nós cinco. Aqui nos instalamos e fomos extraordinariamente bem recebidos pelo povo, tanto nas atividades profissionais quanto na atividade maior que nós podíamos fazer, que era a atividade política. Por isso, nós somos imensamente gratos ao povo de Goiás e, especialmente, ao povo de Anápolis.

Galgamos os postos mais importantes que poderíamos ter em nossa vida. Henrique foi vereador, prefeito, deputado estadual, senador, governador e ministro da Saúde. Romualdo, deputado estadual por dois mandatos. Eu tive a honra de ser deputado estadual, três vezes deputado federal, duas vezes prefeito, secretário de governo e secretário da Educação. É muito, para uma família sem tradição no estado, que aqui chegou anonimamente. E anonimamente procuramos trabalhar toda nossa existência, a não ser no momento que tínhamos que levar o nosso nome à consideração e à apreciação do eleitor do nosso estado. Assim, essa atividade foi espetacular.

Eu quero falar um pouco de minha vida política. Comecei politicamente no Grêmio Literário Castro Alves do Colégio Estadual. Fui eleito em 1960 numa memorável eleição, em substituição ao queridíssimo e, já saudoso, companheiro Gil Xavier Nunes, quando fui eleito presidente do Grêmio Literário Castro Alves. Contando com o apoio dos estudantes, nós fizemos um trabalho pela valorização da educação. Fizemos um trabalho para equipar a nossa escola, principalmente na área para o atendimento ao ensino de biologia. Fizemos um trabalho para a contrução da quadra de esportes do colégio e todo o equipamento ali existente. Graças a esse trabalho contínuo nosso, fui re-eleito presidente do Grêmio Castro Alves logo em seguida.

Em 1962, nós acabamos com o isolamento do estudante secundarista de Anápolis que era filiado a UIEA, União Independente dos Estudantes de Anápolis. Eu, Jacy Fernandez e Levi Eschetini, fundamos a UESA, da qual eu fui o seu primeiro presidente, na eleição direta feita pelos estudantes secundaristas de Anápolis em 1963. Não terminei meu mandato. Estava apenas no início da administração quando veio o Golpe Militarista de 1964; e eu, pelas minhas posições políticas, fui afastado daquela entidade. Passei então a militar com mais intensidade na área esportiva.

Fui trabalhar, antes disso, na Rádio Carajá, ao lado do companheiro Habib Issa. Comandávamos toda a programação de esporte da Rádio Carajá, tendo também ao lado o companheiro Antônio Afonso de Almeida. De lá, fui fazer o trabalho para a Liga Anapolina de Desportos. Os clubes maiores de Anápolis - Anápolis, a Associação Atlética Anapolina, Ipiranga Atlético Clube - tinham deixado a liga para se increverem diretamente na Federação Goiana de Desportos. Nós criamos a liga só com os clubes de Anápolis. Fui, naquela oportunidade, eleito presidente da entidade, numa eleição onde apenas eu apresentei-me como candidato. Fui re-eleito para o segundo mandato e, mais uma vez, eleito para o terceiro mandato, sempre como candidato único da Liga Anapolina de Desportos. Fizemos o entrosamento total do esporte varzeano de Anápolis com o esporte de Goiânia. Trabalhamos junto a Raul Balduíno para contruir o Estádio dos Amadores, que foi concluído na minha primeira gestão em 1968.

Daí, eu saí para ajudar o meu irmão. Em 1966, foram extintos os partidos políticos, criados apenas dois: A Arena, que dava sustentação ao governo; e MDB, que era o partido contrário. Fui dos primeiros filiados, ao lado do Henrique e Romualdo, no MDB. Naquele mesmo ano de 1966, Henrique foi eleito vereador, o mais votado na história de Anápolis em todos os tempos. Isso a 38 anos atrás, quando ele obteve 1.536 votos num eleitorado que era pouquinho superior a 12 mil eleitores. Teve uma votação fantástica.


A votação que ele teve despertou a ira dos adversários. No dia de sua diplomação, apareceu um calhamaço apócrifo sobre a mesa do juiz eleitoral. O juiz eleitoral diplomou 14 vereadores e mais dois suplentes de cada um dos dois partidos, mas não fez a diplomação do Henrique. Através de questão de ordem, ele (Henrique) quis saber o porquê da sua não diplomação. O juiz simplemente respondeu: "O senhor é comunista! Fichado no G2 da Polícia Militar de Belo Horizonte!" Os companheiros ficaram atônitos. Dois anos apenas após o Golpe, ainda o movimento era efervescente. A caça às bruxas existia. Mas eu me dispús a ir a Belo Horizonte para buscar a documentação para defendê-lo.

Fui a Belo Horizonte. Fiquei dois dias lá, postado a porta do Comando da Polícia Militar. Saí de lá com documento dizendo que, na G2 da Polícia Militar de Belo Horizonte, não havia qualquer registro que desabonasse a figura do Sr. Henrique Santillo. Trouxe o documento e entregamos para o nosso advogado de defesa. Ele fez a anexação dele junto ao processo que estava no Tribunal Regional Eleitoral. Marcaram a audiência para daí uns dias na frente.

No dia do julgamento, nós estávamos lá. O Dr. Rômulo Gonçalves, nosso advogado - advogado de presos políticos do estado de Goiás - estava lá para nos defender. Quando nós chegamos no auditório, fomos informados que, do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, chegara para o Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, de Israel Pinheiro, em Minas Gerais, para Otávio Lage, em Goiás, um telex - naquela epoca não havia fax - dizendo que era para tornar nula a certidão dada pela G2 da Polícia Militar, por que o Henrique estava realmente fichado lá como comunista.

Aí teve, então, um papel importantíssimo, um papel decisivo, o juiz federal de Goiás, Dr. José de Jesus. Ele determinou a formulação da defesa junto aos demais integrantes do Tribunal, quando ele derrotou qualquer argumento, dizendo que não se pode anular uma certidão assinada pelo Comandante da Polícia Militar de Belo Horizonte, com sinete da Corporação, dizendo que nada há contra Henrique Santillo. Essa certidão não pode ser anulada por um telex vindo diretamente do Palácio da Liberdade em Belo Horizonte. Henrique foi por isso mesmo absolvido, e, consequentemente, determinada a sua posse como vereador, isso já em abril do ano seguinte. Mesmo assim, o juiz eleitoral se negou a dar a ele a posse. Foi preciso que o Tribunal Regional Eleitoral determinasse que o Dr. Cir Roriz fosse indicado, e foi dada a posse ao Henrique a vereador.


Então, já foi uma batalha inicial enorme. Mas nós, acreditando na Justiça e sabendo que valia a pena lutar, lutamos para que ele pudesse garantir o seu mandato. Em 1969, ele foi eleito prefeito municipal. Antes de ser eleito, eles impugnaram a candidatura dele; impugnaram a diplomação e impugnaram a posse. Mas nós conseguimos fazer que ele assumisse a Prefeitura Municipal.

Vale a pena lutar (Parte II)

[Discurso de agradecimento ao título de cidadania anapolina]

Já em 1970, eu me candidatei pela primeira vez como deputado estadual. Fui o mais votado do MDB e o terceiro mais votado do estado. Na Assembléia Legislativa, praticamente dediquei meu tempo a defender o meu irmão, que estava sofrendo uma pressão nunca vista aqui na cidade de Anápolis. Nós elegemos dez vereadores. A Câmara era formada por quinze. Nós elegemos dez vereadores contra cinco da Arena. Passada a eleição de 70, três vereadores do MDB aderiram a Arena. Passamos a ter minoria de sete contra oito na Câmara Municipal. Era presidente da Câmara Antônio Marmo Canedo. Sofria de um mal realmente muito grave. Acabou morrendo no exercício da presidência da Câmara Municipal. Assumiu a presidência Valmir Bastos, que era o vice-presidente.

Como eles queriam de toda maneira deturpar o processo eleitoral de Anápolis, fazer uma reviravolta na política anapolina, queriam que Valmir renunciasse ao mandato. O Valmir não renunciava ao mandato. E, por não renunciar ao mandato, Valmir foi preso três vezes. Injustamente, sem qualquer justificativa, sendo que a última prisão do Valmir Bastos ocorreu na minha presença, no meu carro. Foi retirado do carro a base de metralhadora e levado para Brasília, onde ficou lá nas dependências do exército por mais de trinta dias. De lá só saiu quando assinou um documento para o Major Leopoldino, renunciando a presidência da Câmara e renunciando seu mandato. Só que para valer, teria que ser lido no plenário da Câmara Municipal. Esse documento nunca apareceu. Valmir terminou o mandato dele como verador, terminou o mandato como presidente da Câmara Municipal, e o Henrique terminou o seu mandato como prefeito da cidade de Anápolis. Nós estavamos lá na Assembléia, diariamente fazendo a defesa e fazendo também as denúncias gravíssimas do que os nossos adversários aqui queriam fazer contra a Democracia.

Então, foi realmente um trabalho enorme. Em 1972, quando elegemos José Batista Júnior, mais da metade do MDB se auto-entitulou "MDB Positivo." Pulou para o palanque da Arena e foi trabalhar para a candidatura arenista. Nós ficamos do lado de cá, meia-dúzia de gatos pingados. Anapolino de Faria, eu e Henrique Santillo, ficamos na defesa de José Batista Júnior, e tivemos uma vitória extraordinária, com mais de quatro mil votos de frente.

No dia da posse de José Batista Júnior, a Rádio Carajá - que nós haviamos adquirido do Dr. Plínio Jayme, que havia sido deputado estadual - foi invadida por policiais militares, na madrugada, no seu transmissor e nos seus estúdios. Veio uma ordem diretamente do DENTEL, em Brasília, determinando que a emissora voltasse para o seu antigo proprietário. Embora o Dr. Plínio não quisesse isso, foi obrigado a aceitar a emissora de volta, sendo que nós haviamos adquirido o controle da rádio em 1967. Fazíamos, todos os dias, eu e o Romualdo, o programa "O Povo Falou, Tá Falado". Não nos demos por satisfeitos. Fomos e adquirimos a Rádio Santana. Começamos a trabalhar com ela imediatamente. Em 1975, a Rádio Santana foi fechada. Não permitiram mais que nossa voz fosse levada ao ar. Mas nós continuamos a nossa tarefa com o povo de Anápolis.

Estou fazendo isso, amigos, pra dizer da minha satisfação, e como é gostoso poder trabalhar na política. Como deputado estadual, a minha tarefa foi de defender a Democracia, os princípios democráticos. Coloquei quase que todo o meu mandato na defesa do nosso prefeito, meu irmão, que era perseguido aqui em Anápolis. Graças a Deus, ele terminou o seu mandato.

Em 1974, eu era candidato a re-eleição a deputado estadual. Mas, meu irmão, que havia deixado a prefeitura em 1972, querendo re-organizar a sua vida no hospital Santa Paula, me disse: "Adhemar, não tenho condição de sair daqui e ir para Brasília. Portanto, não vou disputar a eleição." Eu falei: "Então vamos fazer o seguinte: eu vou candidato a deputado federal, e você vai candidato a deputado estadual." Ele respondeu: "Deputado estadual dá para mim, dá para eu ir e voltar a Goiânia. Você quer?" Aceitei, e, na última hora, saí candidato a deputado federal. Foi o primeiro ano que tivemos a discussão e debate na televisão, a propaganda gratuita. Então nós fomos fazer o trabalho, eu e ele, através de programas de rádio e televisão, onde fizemos o "Pingue-Pongue da Verdade." O que realmente tomou conta do estado de Goiás, e nos deu realmente uma dimensão maior, e nós fomos eleitos. Ele, deputado estadual de 1974, com 33 mil votos, e eu, deputado federal, com 48 mil votos.

Mas, quando foi fazer o registro da candidatura, o procurador de justiça do estado, no governo Leonino Caiado, simplesmente quis impugnar a nossa candidatura. Terminada a eleição de 70, os nossos adversários fizeram uma informação de que nós, eu e Anapolino de Faria, teríamos usado máquina da prefeitura no município de Goianápolis, no município de Ouro Verde e no município de Petrolina, para nós nos elegermos. Eles, então, mandaram para a Polícia Federal. A Polícia Federal fez um inquérito; não constatou nada. Mas estava preparada para oferecer argumentos para eles. Como ele não tinham condição de nos pegar, deixaram isso amoitado.

Em 74, na hora do registro da candidatura - por que naquela época existia um lei em que o cidadão, para poder ser impugnado, bastava o promotor, o ministério público, oferecer a denúncia e o juiz receber; feito isso, ele já estava impugnado; não precisava ser condenado, bastava oferecer a denúncia e ela ser recebida pelo juiz - tentaram fazer isso em Petrolina. Mas o promotor daquela cidade, o Dr. Decildes Sá Abreu, não aceitou fazer a denúncia por que não havia como oferecer a denúncia. Aí, o processo veio para Anápolis. E, aqui em Anápolis, ele encontraram um promotor que oferecesse a denúncia. O promotor ofereceu a denúncia contra mim e contra o Henrique. Mas ai, o Dr. Clementino Alencar, juiz da cidade, responsável pelos feitos, não concordou e mandou o processo para o arquivo.


Como deputado federal, procurei honrar também os nossos compromissos com a nossa população. Não tegiversar, não dar tréguas ao adversário. Estar permanentemente lá, fazendo um trabalho nas nossas três passagens. Está registrado no livro "Da Mesa Farta à Subnutrição", que falava a respeito das desigualdades sociais. Inclusive, fiz a denúncia contra o ministro do Trabalho daquela ápoca. Foi divulgada nacionalmente pelos principais jornais e revistas, onde o ministro do Trabalho pedia ao povo que "apertasse o cinto", por que ainda não era a hora de dar um salário mínimo digno, e ele consumia por mês mais de mil quilos de carne bovina, suína, frango, peixes e crustáceos. Mais de mil quilos! A ponto do jornal O Estado de São Paulo o publicar carregando uma bandeja e um touro em cima, dizendo que era a refeição do ministro. Foi um trabalho extraordinário que nós realizamos. Em todo o Sul do país, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do SUl, estados em que fui chamado para participar, os candidatos a prefeito e vereador da eleição de 76, apresentavam, atrás de sua propraganda eleitoral, o nosso pronunciamento e a denúncia que fizemos na Câmara Federal.

Fui eleito Vice-Presidente da Câmara no segundo ano do mandato, enfrentando o "Grupo Autêntico" com Getulio Dias e enfrentando o "Grupo Moderado" com Juarez Bernardes. Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e outros mais apoiavam Juarez, enquanto Alencar Furtado, Isâneas Maciel e outros mais do "Grupo Autêntico" apoiavam Getulio Dias. Trabalhei no meio deles e, ao final, estava eleito Vice-Presidente da Câmara Federal, o mais alto posto reservado a bancada oposicionista. Por isso, quero dizer aos amigos que vale a pena lutar. O que não vale é querer o poder pelo poder, e querer ser poder de qualquer jeito. Vale a pena lutar! A luta é dignificante!

Em 78, fui eleito deputado pela segunda vez, e o Henrique, senador. Em 82, o Henrique não foi candidato por que tinha um mandato de senador. Eu fui eleito deputado federal; o Romualdo, deputado estadual. o Henrique continuou como senador, e Íris foi eleito governador do estado de Goiás. Em 86, o Henrique se elegeu governador do nosso estado.

Eu quero dizer que, nessas lutas todas, para mim a grande batalha foi a batalha pela Democracia, a batalha para voltar novamente a ter o direito a escolher nossos representantes, o direito de falar aquilo que quer, o direito de explanar o seu ponto-de-vista da forma que quer. Por isso eu sou um democrata autêntico. Eu não aceito o cidadão falar que é democrata, usar nos discursos a palavra democrata, mas no exercício do poder ser um autoritário, perseguidor. Foi contra isso que nós lutamos e conseguimos fazer com que houvesse a derrocada total dessa qualidade de pessoas, que não podem continuar convivendo no regime democrático.

Vale a pena lutar (Parte III)

[Discurso de agradecimento ao título de cidadania anapolina]

Desta forma, quero dizer ao meus amigos, que passei por outros cargos importantes, como na Secretaria de Educação do Estado. Assumi a Secretaria Estadual da Educação em 1983. Íris Rezende Machado baixou um decreto, chamado "Decretão", onde mais de doze mil funcionários da Secretaria da Educação foram exonerados sumariamente. Eles foram exonerados por que foram contratados no período pré-eleitoral. Naquela época não havia proibição da constituição que alguém pudesse ser contratado, mas o período eleitoral tinha que ser respeitado. Eu, então, comecei o meu trabalho para defender os professores. Mas não defender o professor por interesse de ordem pessoal ou política, por justiça. Falei ao Íris: "Esse professores trabalham há muito tempo nas escolas. Eles estão prestando serviço sem receber sequer pró-labore. Não tem nada que impeça que eles sejam contratados sem concurso. Agora, se eles foram contratados no período pré-eleitoral, eles não tem culpa disso. Por que muitos deles estão aí há mais de dois, três, quatro anos prestando serviço. O seu afastamaneto vai representar uma dupla punição: a punição que foi feita e a punição agora, através do seu decreto." O Íris compreendeu a situação. Nós, então, fizemos com que todos voltassem. Fizemos com que todos os professores atingidos pudessem voltar. Aqui mesmo na cidade de Anápolis, temos algumas das centenas daqueles professores que não perderam o emprego, já estão aposentados e tiveram seu direito garantido, através do trabalho que fizemos na Educação.

Fizemos o plano de cargos e salários, e o mais avançado estatuto do magistério até então existente no estado de Goiás. Realizamos o primeiro concurso público, que foi também uma tarefa enorme para a sua realização. Companheiros do MDB do interior diziam: "Adhemar, nós ficamos esse tempo todo vendo nossos adversários nomearem seus companheiros. Agora que você pode fazer a nomeação dos nosso amigos, você vai fazer concurso?" Adiamos o concurso até que a gente convencesse a todos. Fizemos um concurso para a admissão de mais de doze mil professores em todo o estado de Goiás e do Tocantins, que naquela época pertencia tambem a Goiás.

Fizemos, ainda dentro do nosso trabalho, mil salas de aula através do Multirão. Dobramos o número de salas de aula aqui dentro da cidade de Anápolis. Levamos o segundo grau a todos os bairros mais importantes. Aqui está o companheiro Zé Vieira, que sabe quando levamos lá para o Gomes de Souza Ramos o primeiro e segundo grau, lá na Vila Jaiara. Levamos para a Boa Vista, no colégio Carlos de Pina. Levamos também para o Plínio Jayme, no Recanto do Sol. Levamos para o Padre Fernando, na Vila Formosa. Levamos o segundo grau para o Adolfo Batista, na Vila Fabril. Levamos o segundo grau para todos os setores importantes de Anápolis naquela época.

Acho que a questão mais importante que realizamos foi levar de um para sete os cursos da FACEA, dando o embrião para a formação da futura UNIANA. Henrique, no (seu) governo, criou mais quatro cursos, totalizando os onze, indispensáveis para que fosse criada a universidade. Através de uma lei de autoria do Romualdo Santillo, ele criou a UNIANA, a Universidade Estadual de Anápolis. Fizemos também o trabalho de melhorar a educação no resto do estado. No Tocantins, que não tinha sequer curso de magistério. Fizemos a Universidade de Porangatu, a Universidade de Porto Nacional e a Universidade de Araguaína.


Cheguei à prefeitura de Anápolis. Na prefeitura de Anápolis, nós pudemos fazer um grande trabalho. Fizemos quatro mil metros quadrados de asfalto. Através de um trabalho com o governo estadual, fizemos o esgoto sanitário e levamos a água para bairros como a Jaiara, Alexandrina, Boa Vista, Santa Izabel, que não tinha água naquela época. Levamos água potável através do trabalho com a Saneago. Fizemos na prefeitura municipal um trabalho magnífico também, de outras conquistas para a população. Praças como a Badia Deyer, parque como o parque Onofre Quinan, Mercado do Produtor, feriões cobertos.

Mas aonde nós pontificamos mesmo, foi na área social. E aí eu contei com a ação decisiva da Onaide. Na área social, através da Sociedade Dom Bosco, através do trabalho da minha amiga Diná Murici, Secretéria Municipal de Serviços Sociais, da Angela Faria, que também nos ajudava na Sociedade Dom Bosco, fizemos um trabalho magnífico. Levamos mais de 1.200 meninos para o mercado de trabalho na nossa última administração, no comércio, na indústria e na prestação de serviços. Retiramos os meninos da rua. Não tínhamos meninos pedindo pelas ruas de Anápolis. Mas nunca usamos a violência. Nunca usamos a polícia. Apenas usamos a solidariedade, o amor e a mão estendida. Levamos esse meninos para todos nossos programas, e lá os agasalhamos através de vários programas da Sociedade Dom Bosco. Dávamos 4,000 refeições por dia, na minha última administração, a criancas que estudavam nas escolas do município e também criancas dos bairros de nossa cidade, através do programa AME.

Fizemos o Cursinho Universitário. Quanta gente estudou no Cursinho Universitário gratuitamente e passou nos exames ao vestibular, principalmente aqui na UEG! Estão estudando e alguns já concluiram seu curso. Fizemos o trabalho com a Mulher, o Centro Integrado da Mulher. Fizemos o trabalho com os idosos, através dos clubes de idosos. Então, o trabalho social foi a função mais importante que nos pudemos realizar. Por isso, vale a pena lutar! Vale a pena acreditar! Vale a pena acreditar na vontade popular!

Para todo esse trabalho, eu quero dizer, sempre tive o respaldo da imprensa, do povo de Goiás e, especialmente, do povo de Anápolis, a quem eu quero render a minha mais imorredora gratidão. Na derrota ou na vitória, na vitória ou na derrota, só tenho a agradecer ao povo de Anápolis pela sua independência e pela sua firmeza de comportamento. Não tenho nenhuma mágoa e nenhum ressentimento. Só tenho a agradecer a Deus, em primeiríssimo lugar, ao povo da minha cidade e do meu estado, de forma complementar. Chegamos em lugares jamais imaginados. Chegamos a setores que jamais pensávamos que um dia chegaríamos. Chegamos, acreditando na força do povo e acreditando no valor da luta.

Eu quero nesse instante encerrar minha participação, amigos, agradecendo essa horaria que recebo. Algumas pessoas me perguntam: "Adhemar, eu não sabia que você não era de Anápolis! Trabalhar tanto quanto trabalhou para Anápolis... Você não é de Anápolis e tem toda essa vontade de trabalhar pela cidade!" A nossa vontade de trabalhar nunca parou. Nós sempre procuramos fazer o melhor. Nós sempre estivemos aí, dando o melhor de nossos esforços. É responsabilidade nossa. Para mim, então, é um dever. Quando assumo uma responsabilidade, tenho que cumprir com toda altivez e com toda determinação. Eu era um cidadão anapolino, nunca mudei daqui, sempre lutei por Anápolis. Sempre procurei dignificar Anápolis. Na época da Ditadura, era um prazer viajar para fora e alguém falar: "Anápolis! Cidade de um povo realmente extraordinário! Se dependesse o Brasil de Anápolis, a Ditadura não prosperaria um dia, por que aí ela nunca ganhou." E não ganhou mesmo.

Quero dizer que me sinto envaidecido. Esse título, que me foi dado por solicitação do vereador André Almeida, e apoiado por senhores veradores que aqui se encontram e compõe essa casa, para mim é de um valor inestimável. Eu estou na chapada. Não tenho cargo ou benesse para oferecer. Recebi um título que me foi dado de coração e espontâneamente pelos vereadores. E, principalmente, num momento difícil, como o que nos estávamos atravessando, e, mais do que isso, num instante em que é dificil homenagear um político.

Quero agradecer em meu nome, em nome da Onaide, dos meu três filhos, André, Luis Augusto e Claudio, pela homenagem que vocês me prestam no dia de hoje. Eu sempre recebi o apoio e a homenagem do povo anapolino nestes quase quarenta anos de vida pública em nosso estado. Agora também recebo, dos políticos dos mais diferentes partidos, a homenagem para ser cidadão dessa cidade, o que é um honra extraordinária para mim. Talvez um dos maiores títulos, uma das maiores homenagens, que tenha recebido através de um poder constituído.

Muito obrigado, senhores vereadores! Vamos trabalhar por Anápolis! Obrigado!


Adhemar Santillo
Discurso de agradecimento ao título de cidadania anapolina
28 de abril de 2004
Plenário Teotônio Vilela
Câmara Municipal de Anápolis