Mostrando postagens com marcador Luiz Henrique da Silveira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Henrique da Silveira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Da Mesa Farta à Subnutrição

A repercussão nacional alcançada pela denúncia que fiz na Câmara dos Deputados sobre a Tomada de Preços 08/75, para o fornecimento de gêneros alimentícios e material de limpeza, destinados à residência oficial do ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, alterou minha rotina de parlamentar. Fui convidado para visitar cidades do Rio Grande do Sul, terra natal do ministro, onde participei de encontros com estudantes e líderes do MDB. Estive no Paraná, visitando os companheiros, a convite de integrantes da bancada federal. No Rio Grande do Norte a convite do deputado Carlos Alberto, fiz palestra na Câmara Municipal. Estive com o deputado Luiz Henrique da Silveira, (por duas vezes governador de Santa Catarina), quando ele se candidatou à prefeitura de Joinville. Na mesma ocasião, visitei, ao seu lado, cidades do interior catarinense mantendo contato com candidatos emedebistas às eleições municipais de 1976.

A convite de integrantes dos movimentos culturais de São Paulo participei de ato público da categoria, na Capital. Frequentemente recebia pedidos para enviar cópias com o inteiro teor das denúncias, até mesmo, para brasileiros residentes fora do País. O renomado escritor Eduardo Carlos Novais, num dos seus livros, “O Quiabo Comunista”, escreveu a crônica fazendo menção às mordomias do Ministro do Trabalho. A revista Veja, na sua edição especial de 25 anos de existência, apresentou o episódio das mordomias, incluindo os gastos do Ministério do Trabalho com alimentos e gêneros de limpeza, como fato importante divulgado em suas páginas.

Diante de tamanha repercussão da denúncia contra a mordomia do Ministro, decidi publicar uma coletânea com pronunciamentos e trabalhos realizados na Câmara Federal. O principal trabalho foi, e não poderia ser diferente, a veiculação dos discursos em plenário e atividades acontecidas nas comissões técnicas do Congresso Nacional. Dei à obra o título de “Da Mesa Farta à Subnutrição.” 

A pedido de acadêmicos de Direito da Universidade Católica de Goiás, seu lançamento aconteceu na UCG. Centenas de estudantes prestigiaram o evento. Mais de mil exemplares foram autografados e distribuídos naquela noite. Em seguida, alunos de outras instituições educacionais programaram novos eventos para a distribuição da coletânea de discursos. Em pouco tempo, “Da Mesa Farta à Subnutrição.” era conhecida da maioria do estudantado goiano e livro indispensável às bibliotecas escolares.

Câmaras de centenas de municípios, por solicitação dos seus presidentes, receberam um exemplar. Inúmeras bibliotecas particulares contam com, pelo menos, um exemplar da coletânea, principalmente em Goiás. Numa visita que fiz, há dois anos, à cidade de Goiás, a querida Goiás Velha, visitando a casa em que morava a escritora Cora Coralina, às margens do Rio Vermelho, fui surpreendido com um exemplar da coletânea do meu trabalho na Câmara Federal, na biblioteca da escritora. Surpresa agradabilíssima.

Depois de presentear amigos e interessados em possuir em sua biblioteca o “Da Mesa Farta à Subnutrição”, acabei ficando sem nenhum exemplar. Mês passado, fui presenteado pela Onaide, com a coletânea, encontrado por ela numa loja de livros e revistas antigas aqui de Anápolis. 

Agradeço a Deus a todo instante pela oportunidade que me deu para que pudesse participar, de forma autêntica e decisiva, na luta pela derrubada da ditadura militar de 1964. Nós do MDB de Anápolis nos unimos aos demais democratas do País, comandados por Ulysses Guimarães, juntos dentro de um mesmo ideal, fizemos a história que todos esperavam que fizéssemos: Conquistamos a democracia... (continua)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Quase que o cachorro pagou o pato

Embora não sendo ano eleitoral, vivíamos a expectativa da eleição direta para governador do Estado, no ano seguinte. Era março de 1977. Na Câmara Federal, acertei com os colegas Freitas Nobre, Odacir Klein, Tarcisio Delgado e Luiz Henrique da Silveira que viessem a Goiás para encontro do partido que faríamos na Assembleia Legislativa. Henrique Santillo, deputado estadual, organizou forte grupo de voluntários ao seu projeto político, entre estudantes, profissionais liberais, intelectuais, líderes sindicais e comunitários. Era pré-candidato ao governo. O encontro com esses novos líderes emedebistas nacionais seria para que os companheiros goianos ganhassem um novo alento, visando a disputa programada para 1978.

No mês seguinte, veio o “pacote de abril” editado pelo presidente Geisel, eliminando do texto constitucional a eleição direta para governador. Pior, criando a escandalosa figura de um senador nomeado. O senador biônico. A mudança nas regras do jogo não foi surpresa para nós, democratas. Em Goiás, a alteração das regras eleitorais serviu apenas que fosse adiada em mais quatro anos a chegada do MDB ao governo do Estado e para que a Arena recebesse, de mão beijada, uma cadeira no Senado da República.

Para o encontro de março, as regras que valiam eram de eleições de dois senadores e governador. Tínhamos que mobilizar o pessoal para o encontro em Goiânia. As tarefas foram distribuídas entre os companheiros. Deixamos para Vicente de Paula Alencar, presidente do MDB anapolino, vereador Walmir Bastos Ribeiro e Romualdo Santillo contatos em Anápolis e região do Vale do São Patrício. À minha responsabilidade ficaram as regiões da Estrada de Ferro, Entorno de Brasília, Médio Norte Goiano e algumas lideranças de Goiânia.

Final de semana, retornando de Brasília, passei em Anápolis, convidei um amigo para irmos a Goiânia. Iríamos à casa do professor Reinaldo Pantaleão, residente do Conjunto Itatiaia, próximo ao campus da UFG. Sabia que morava naquela região, mas não em que rua e casa. Telefonei para o amigo José Moreira, o Zuza, que conhecia Pantaleão, sabia onde morava. Fomos na Variant do Moreira. Dois dos seus filhos, Éric e Ludmila nos acompanharam. Levavam seu cachorro de estimação. Assim, partimos nós cinco mais o cachorro para a visita.

Com sua costumeira fidalguia, professor Pantaleão nos recebeu se colocando pronto a formar o grupo de voluntários que trabalharia para arregimentar a plateia que lotaria as dependências da Assembleia Legislativa. Na ida à casa do professor, o tempo estava firme com muito sol. Calor intenso. Moreira fez todo o trajeto com os vidros da Variant abertos. O ar refrescou a temperatura e arejou o ambiente. Na volta fazia o mesmo calor, mas caiu de repente, chuva fina e forte. Fomos forçados a fechar todos os vidros. Á medida que as vidraças foram levantadas, o calor interno ficou insuportável.

Odor azedo exalou pelo interior do carro, para piorar a situação. Incomodado pelo o mau cheiro, Moreira gritou para os filhos que carregavam no colo, o cachorro de estimação:

– Éric e Ludmila, por favor, ao chegarem em casa, lavem esse cachorro!

– Pai, nós o lavamos hoje, minutos antes de sairmos!

– Por favor, lavem esse cachorro pelo menos duas vezes ao dia.

– É isso que fazemos! Lavamos cedo e à tarde.

– Então, quando forem dar banho nele, usem shampoo!

– Nós usamos shampoo.

A discussão entre eles continuou até chegarmos ao local onde havia deixado meu carro. Nos despedimos. Eu e o companheiro retornamos para Anápolis. Quando cheguei em casa, antes mesmo de tomar banho, telefonei para Moreira:

– Moreira, não deixe seus meninos matarem o cachorro com tanto banho, shampoo e desinfetantes. O provocador daquele odor era meu companheiro. Quando há qualquer evento político, ele transpira demais e se esquece de tomar banho.