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domingo, 13 de junho de 2010

Raul Silva, o craque anapolino (Final)

Publicado na edição de 13/06/2010 do jornal Diário da Manhã

Raul Silva, o maior artilheiro do futebol anapolino, em 1949, deixou a rubra. Não concordava com a panelinha dos Puglisi – Júlio, Zeca e Laudo, que só jogavam entre eles. Deixou a equipe, transferindo-se para a União Esportiva Operária em troca de Amir de Souza Ramos, o Mirim, que estava contundido e sem jogar na União Operária.

Em 1953, Raul assistia à partida entre o Flamengo Futebol Clube de Anápolis e o 1º de maio de Goiânia, no Estádio Manoel Demóstenes .O rubro-negro anapolino perdia por 3 x 0. Seu ataque não furava o forte bloqueio dos goianienses. João Queiroz, comandante flamenguista, solicitou a Raul que reforçasse sua equipe. Providenciou todo material esportivo ao artilheiro. Raul marcou 5 gols, sendo que um não foi validado pelo juiz, por não ver a bola entrando e saindo por um buraco na rede. Flamengo venceu por 4 x 3. O último gol, Raul que havia passado pelo zagueiro e tocado a bola entre as pernas do goleiro, foi derrubado. O goleiro caiu sobre o artilheiro. Na queda, Raul fraturou o menisco. Operado, não ficou totalmente recuperado, encerrando sua carreira de futebolista aos 36 anos.

Em 15 de março de 1951, nasceu o São Francisco, sob a presidência de Boulanger Brossi. Teve como presidentes de honra, frei André Quinn e o major Mauro Borges. Em 15 de novembro de 1952, nasceu o Ypiranga Atlético Clube, sob a presidência de Daas Bittar e assessoramento de David Esteves de Azevedo.

Em 1949, foi fundada a Liga Anapolina de Desportos. No mesmo ano, foi disputado o primeiro campeonato anapolino de futebol. A Associação Atlética Anapolina foi a campeã. A rubra venceu os campeonatos de 1950, 1951 e 1952, chegando ao tetra campeonato municipal. Em 1953, o campeão foi o São Francisco. Em 1954, o Anápolis Futebol Clube. Em 1955, novamente o São Francisco foi campeão e encerrou suas atividades esportivas. Em 1956, a Anapolina venceu o Anápolis na partida final, por 2 x 1, sagrando-se mais uma vez campeã. Em 1957, cinquentenário de Anápolis, o campeão foi o Ypiranga. Em 1958, o Anápolis. Em 1959, o campeão anapolino foi o Ypiranga. Em 1960, mais uma vez sagrou-se campeã a Associação Atlética Anapolina. Nos anos de 1961/62, foi campeão o Ypiranga.

Em 31 de agosto de 1963, foi inaugurado o 1º campo com gramado, alambrado e arquibancadas em Anápolis. O Estádio Irani Ferreira Barbosa, pertencente ao Ypiranga, no Bairro Jundiaí. O primeiro jogo no Irani Ferreira Barbosa foi entre Ypiranga e Uberlândia. Vitória do alvinegro por 2 x l. Gols ipiranguistas de Carlos Eli Jardim e Valter Gomes Veloso, Dada.

Em 10 de abril de 1965, foi inaugurado o Estádio Jonas Duarte com o jogo seleção Anapolina x São Paulo Futebol Clube. O São Paulo venceu por 4 x 1.O primeiro gol foi marcado por Rodarte, do São Paulo. Neste mesmo ano, o Anápolis sagrou-se campeão goiano, já no profissionalismo. Repetiu o que sua antecessora, União Esportiva Operária, conseguira em 1947. Em 04 de junho de 1987, próximo de completar 70 anos, faleceu Raul Silva, o maior artilheiro que passou pelos campos de Anápolis.

Adhemar Santillo foi atleta do Ypiranga, cronista esportivo e presidente da Liga Anapolina de Desportos.

domingo, 9 de maio de 2010

Ausência de benefícios não atrapalha

Publicado na edição de 09/05/2010 do jornal Diário da Manhã

Recordar, principalmente das coisas boas que aconteceram nas nossas vidas, mesmo sendo nostálgicas, nos arremessa a emoções sempre renovadas. Embora não sendo anapolino, pois nasci em Ribeirão Preto –SP, desde de pequeno vivo em Anápolis. Lembro-me com freqüência de momentos importantes de todas as fases da minha vida. Uma de atividade intensa foi quando adolescente, jogando futebol pelo Ypiranga, no estádio Manoel Demóstenes. Não havia rotina. A todo instante acontecia um fato novo. Não saem do arquivo positivo que carrego em minhas lembranças.

Nosso campo, inaugurado em 17/05/l942, por Manoel Demóstenes Barbo de Siqueira, num terreno doado pelo fazendeiro José Gomes de Paula. Era realmente de chão batido, sem nenhum conforto para atletas e torcedores, mas era o nosso campo. Estávamos tão acostumados com sua simplicidade e precariedade, que não víamos defeito e deficiência nas suas instalações. Quando alguém surgia com a idéia de modernizá-lo a reação contrária era de todos. Nessa simplicidade existiu até 10/04/1965, quando surgiu o estádio Jonas Duarte.

No final dos anos 50 surgiu em Anápolis um técnico de análises clínicas, vindo do Rio de Janeiro, torcedor do Bangu. Para ele, Zózimo era o maior de todos os craques brasileiros. Aqui chegando se apresentou como técnico de futebol e foi logo assumindo a função no Induspina. Foi nessa condição que Abel conheceu o estádio Manoel Demóstenes. Ficou decepcionado e estarrecido com o que viu:

- Qualquer campo de várzea no Rio é gramado e possui arquibancada. Temos que fazer desse terreiro um projeto de campo de futebol. Não há justificativa para uma cidade como Anápolis, repleta de craques de primeira grandeza, jogar num lugar assim...

Decidiu em parceria com alguns comerciantes da cidade construir lance de 10 metros lineares de arquibancadas, com cinco degraus. Para impressionar os desportistas, ele próprio foi arquiteto, engenheiro, mestre de obra e pedreiro. Em três dias sua obra prima estava construída. Paredes de meio tijolo, com o vão de dois metros uma da outra, ate completar os dez metros projetados. Com tábuas de angico, de cinco centímetros de espessura, montou os cinco degraus da arquibancada. A maioria dos torcedores que só comparecia ao campo no domingo, ficou surpresa com a novidade, que não existia na semana anterior. A arquibancada foi erguida na lateral do campo, paralela à Rua Benjamim Constante, próxima a linha de fundo.

Metódico, muito organizado, Abel tomou todas as providências para que a solenidade de inauguração fosse marcante. Convidou o prefeito Municipal Hely Alves Ferreira para a inauguração. Enquanto isso a Banda Lira de Prata de Santana, executando Uberaba Esporte a pedido de Caetano, natural de Uberaba, fanático torcedor da rubra e Cidade Maravilhosa, em homenagem a Abel, fazia o espetáculo mais alegre e festivo. A medida que se aproximava o horário da partida oficial entre Ypiranga e Botafogo de Buriti Alegre, pelo campeonato goiano, o público aumentava cada vez em maior número ao lado das arquibancadas. Todos comentavam sobre a novidade, mas ninguém se dispunha a sentar-se nelas. A fita verde amarela, adquirida na tipografia e papelaria Glória, estendida por toda extensão da arquibancada, aguardava a presença do prefeito para solenemente ser descerrada.

Com o prefeito ausente o descerramento não se deu. Ao entrar em campo, o árbitro da partida designado pela Federação Goiana de Desportos, vendo aquela aglomeração foi verificar o que estava acontecendo. Viu a obra idealizada e o serviço feito por Abel. Não gostou. Sem nenhuma técnica de segurança era um perigo à integridade física dos torcedores que poderiam ser agredidos a tijoladas pelos mais fanáticos e descontrolados.Determinou sua derrubada e retirada de todo o entulho imediatamente. Só depois de totalmente demolida e o material levado para fora do estádio, a partida foi iniciada.

O que mais impressionou Abel, foi que para construir a arquibancada não contou com nenhuma ajuda, mas para derrubá-la, todos os torcedores presentes ao Manoel Demóstenes fizeram questão de participar.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Anápolis, primeiro time do interior a ser campeão

Publicado na edição de 21/03/2010 do jornal Diário da Manhã

Neste ano, comemoramos 45 anos da conquista do primeiro campeonato goiano de futebol profissional por uma equipe interiorana. O protagonista dessa façanha memorável foi o Anápolis Futebol Clube. Desbancou, com categoria, equipes como Atlético, Goiânia, Vila Nova, Inhumas e Crac de Catalão. Contando com plantel de craques de Anápolis e outros oriundos do interior de Minas Gerais e São Paulo, o tricolor foi brilhante.

A cidade acabara de receber uma moderna praça de esportes para os padrões da época, o Estádio Jonas Duarte. Com diretoria dinâmica, formada por desportistas como Altino Teixeira de Moraes, Ronaldo Jayme, Amim Antônio, Osvaldo Cunha, Didi Castanheira, Amim Gebrin, Osvaldo Abrão, Rubens Porfírio, José do Rosário Figueiredo, José Miguel Hajar, Francisco Teixeira e muitos outros, o tricolor foi impecável.

Altino de Moraes, empresário no ramo de materiais de construção, nunca havia militado num time de futebol. Assumiu a presidência do Anápolis por insistência de Ronaldo Jayme e Osvaldo Cunha, se transformando em pouco tempo, no mais apaixonado de todos os tricolores. Ronaldo Jayme, como diretor de esportes, levou para a equipe, craques como Nelson Parrilla, Deca, Haly, Dida, Osmar e Sorriso vindos de Minas e interior de São Paulo. José Figueiredo era o gozador responsável para descontrolar adversários e árbitros. Certa vez, foi retirado do gramado por dois soldados que o carregaram até o banco de reservas, após invadir o campo se dirigindo ao árbitro da partida, em pleno jogo: “O senhor sabe com quem está falando?”

Na reta final do campeonato, circulou comentário de bastidor que estaria sendo montado complô na FGD, para prejudicar ou evitar o sucesso do Anápolis na temporada, através das arbitragens. Ronaldo Jayme conversou com seus companheiros de diretoria dizendo que, na primeira oportunidade, mostraria como iria enfrentar as arbitragens.

No domingo seguinte, no Estádio Jonas Duarte, o tricolor enfrentou o Goiânia. Numa jogada com atacante do alvinegro, o goleiro Moraes cometeu pênalti, sendo expulso de campo. Ronaldo Jayme entrou em campo, tirou do bolso um canivete, furou a bola e a ergueu para delírio dos torcedores anapolinos.

Apaziguando os ânimos, Altino Teixeira foi para o gramado e entregou ao juiz nova bola, se dirigiu à trave esquerda do gol, encostando sobre ela, comunicando ao árbitro que estava ali para garantir a cobrança do pênalti. O árbitro o agradeceu, mas pediu que se retirasse do campo. Dida, improvisado goleiro, defendeu o pênalti.

Altino era realmente simplório. Paô, que Altino nunca havia visto, foi contratado por determinação sua, pela fotografia. Quando viu aquele cidadão de pernas grossas e musculosas, ficou impressionado, determinando sua contratação.

Ronaldo Jayme, mesmo reconhecendo que o pênalti cometido por Hali realmente acontecera, pretendeu dar uma demonstração que ninguém tiraria vitória do Anápolis pela arbitragem. Furou a bola e furaria quantas fossem necessárias para garantir lisura na atuação dos árbitros.

O jogo final, no Estádio Jonas Duarte , foi contra o Vila Nova. O Anápolis virou o marcador, depois de estar perdendo por 2 x 1. Venceu por 3 x 2. Deca marcou 2 e Dida. O Anápolis marcou 5 gols para valerem 3. A equipe tricolor jogou com Moraes, Nina, Osmar, Paraguai e Haly; Dida. Eudécio e Genésio; Zezito, Nelson Parrilla e Deca.

O arbitro foi José Muniz Brandão, da Federação Goiana de Desportos.